A forma como os adolescentes falam costuma chamar a atenção de pais, educadores e de quem convive com eles no dia a dia. Expressões novas surgem o tempo todo, muitas vindas das redes sociais, de jogos on-line, de músicas, de influenciadores digitais e de conteúdos em outras línguas. Esse vocabulário juvenil, por vezes chamado de linguagem dos jovens ou gíria adolescente, pode parecer estranho para o mundo adulto, mas faz parte de um movimento natural de construção de identidade e de afirmação de pertencimento a determinados grupos.
O que é gíria juvenil e por que ela surge na comunicação dos jovens
A chamada gíria juvenil é um conjunto de palavras, expressões e modos de falar usados principalmente por adolescentes e jovens em interações presenciais e on-line. Em geral, nasce em grupos específicos — salas de aula, equipes esportivas, comunidades de games, fandoms — e depois se espalha por aplicativos de mensagem, redes sociais e plataformas de vídeo.
Esse vocabulário funciona como um código de pertencimento: quem entende as expressões mostra que faz parte daquele grupo e compartilha referências culturais. Especialistas em linguagem destacam que, em todas as épocas, grupos de jovens criaram suas próprias gírias; hoje muda a velocidade de difusão, impulsionada por memes, trends globais, influências do inglês, abreviações e adaptações sonoras, sem que isso crie uma “língua paralela”, mas sim usos específicos da mesma língua.

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Gíria juvenil é ameaça ao idioma ou oportunidade educativa
O debate sobre a linguagem juvenil muitas vezes se concentra na preocupação com a “perda” da norma culta. Pesquisas em educação linguística indicam, porém, que o contato com gírias não impede o domínio de registros formais, desde que a escola trabalhe com ambos de forma consciente e ensine a adequar a fala e a escrita a diferentes situações.
Algumas instituições de ensino vêm transformando essa realidade em prática pedagógica. Projetos de glossários de gírias convidam estudantes a listar suas expressões, discutir significados e redigir definições com linguagem de dicionário, analisando se um termo é substantivo, verbo ou adjetivo, pensando em sinônimos, criando exemplos de uso e refletindo sobre o contexto em que cada palavra aparece, inclusive em produções textuais mais formais.
Como pais e educadores podem lidar com a linguagem dos jovens
A forma como adultos reagem à gíria juvenil tende a influenciar muito a qualidade da comunicação com os adolescentes. Em vez de correções automáticas ou broncas, educadores e famílias podem adotar estratégias de diálogo que reconheçam o papel social dessa linguagem e, ao mesmo tempo, reforcem a importância de dominar a norma padrão para situações acadêmicas, profissionais e institucionais.
Algumas atitudes práticas ajudam a transformar a curiosidade sobre gírias em oportunidade de aproximação, sem reforçar preconceitos linguísticos ou ridicularizar o modo de falar dos jovens. A lista a seguir apresenta caminhos simples que podem ser incorporados no cotidiano familiar e escolar:
🗣️ Abordagem Pedagógica com Gírias
| Estratégia | Ação Prática |
|---|---|
| 👂 Escuta ativa | Prestar atenção às conversas, identificar expressões recorrentes e pedir explicações sobre o significado sem ironia. |
| 🤔 Curiosidade genuína | Mostrar interesse em saber de onde veio determinada palavra, em que situações é usada e como se espalhou entre os colegas. |
| 📚 Exploração em sala | Transformar a gíria em objeto de estudo, analisando estrutura, origem, variações de sentido e usos em diferentes contextos. |
| 👔 Contextos formais | Conversar com os estudantes sobre quando determinada expressão pode ser inadequada, como em redações, entrevistas de estágio ou comunicações profissionais. |
A gíria juvenil atrapalha a comunicação entre gerações
A presença de um vocabulário jovem próprio, por si só, não impede a comunicação entre gerações. A principal dificuldade apontada por especialistas, está ligada ao uso intenso de dispositivos eletrônicos, que reduz o tempo de conversas presenciais e a atenção compartilhada, potencializando mal-entendidos e ampliando a sensação de distância entre pais e filhos.

Quando adultos aceitam que não vão entender todas as expressões e se concentram em manter o diálogo aberto, a gíria adolescente deixa de ser vista como barreira. Nesses contextos, pedir a explicação de uma palavra pode servir de porta de entrada para temas mais amplos — como amizades, conflitos na escola, interesses culturais e hábitos on-line — e também para trabalhar, em sala de aula, competências de leitura e escrita com base em um vocabulário que faz sentido para os jovens.
- Reconhecer que a língua muda com o tempo.
- Diferenciar contextos informais e formais de uso da linguagem.
- Transformar a curiosidade em conversa e não em crítica.
- Usar a gíria juvenil como ponto de partida para trabalhar competências de leitura e escrita.
A partir dessa perspectiva, a linguagem dos jovens deixa de ser apenas um motivo de preocupação e passa a ser entendida como parte do processo de crescimento, de construção de laços e de aprendizagem compartilhada entre adolescentes e adultos, ajudando a fortalecer vínculos e a reduzir o preconceito linguístico no cotidiano.










