Esquecer o que ia dizer no meio da conversa é uma situação comum e muitas pessoas relatam esse “branco” justamente no momento em que querem se expressar. Esse fenômeno costuma ser chamado de apagão mental e, em grande parte dos casos, está ligado ao estresse, à ansiedade e à sobrecarga de informações que o cérebro tenta administrar ao mesmo tempo, como explica a pesquisa “The tip-of-the-tongue phenomenon: blocking or partial activation?”.
O que significa ter um apagão mental na conversa
O chamado apagão mental é um bloqueio temporário de acesso à informação. A memória de curto prazo, responsável por segurar o que a pessoa está pensando naquele instante, fica sobrecarregada e perde parte desse conteúdo, fazendo a mente parecer ficar em branco.
Enquanto a pessoa fala, o cérebro precisa coordenar diversos processos ao mesmo tempo: lembrar fatos, escolher palavras, acompanhar a reação do interlocutor e controlar emoções. Quando algum desses fatores exige esforço demais, o sistema pode ficar saturado e dificultar o acesso imediato ao conteúdo, gerando a sensação de ter “perdido” o raciocínio.
Para ilustrar de forma divertida, trouxemos o vídeo do perfil @joannadias7:
@joannadias7 Falar inglês TODO DIA e mesmo assim dar tela azul no meio da reunião. Quem nunca? Vcs já passaram por isso 😂? #reuniao #meeting #ingles ♬ original sound – Joanna Dias | RH & Corporativo
Como estresse e sobrecarga cognitiva influenciam esse esquecimento
A palavra-chave nesse contexto é estresse. Sob tensão, o organismo libera hormônios que preparam o corpo para reagir a ameaças, mas que também interferem na memória e na concentração. Em níveis elevados e frequentes, o estresse dificulta o registro e a recuperação de informações, favorecendo o esquecimento do que se ia dizer.
A sobrecarga cognitiva também tem papel central. Quando a mente tenta lidar com muitas tarefas ao mesmo tempo — trabalho, preocupações financeiras, redes sociais, problemas familiares — a memória de trabalho fica reduzida. Qualquer distração ou mudança de foco pode apagar o raciocínio em andamento, especialmente em um cotidiano repleto de telas, notificações constantes e poucas pausas reais.
Quando o esquecimento no meio da fala pode ser um sinal de alerta
Na maioria das vezes, esquecer o que ia dizer no meio da conversa está ligado a fatores do dia a dia, como estresse e cansaço. Porém, em alguns casos, esse sintoma pode merecer investigação mais detalhada, sobretudo quando os apagões se tornam frequentes e começam a prejudicar tarefas simples e a comunicação cotidiana.
Outros sinais de atenção incluem dificuldade crescente para encontrar palavras comuns, se perder em trajetos conhecidos, repetir a mesma pergunta várias vezes em pouco tempo e mudanças de comportamento associadas à memória. Nessas situações, é importante buscar avaliação profissional para investigar desde questões emocionais até possíveis alterações neurológicas.

Quais técnicas podem ajudar a lembrar o que ia dizer
Existem estratégias simples que podem reduzir a frequência dos apagões mentais durante conversas e apresentações. Elas envolvem organizar melhor as ideias, diminuir a sobrecarga mental e criar apoios para a memória, tornando a fala mais fluida e segura no dia a dia.
Para facilitar a aplicação prática dessas estratégias, vale combinar recursos de autorregulação emocional com técnicas de organização do pensamento, ajustando-as à rotina pessoal. Abaixo, algumas sugestões que podem ser incorporadas gradualmente:
- Respirar fundo antes de falar: fazer uma breve pausa e inspirar profundamente ajuda a reduzir a tensão e a clarear o raciocínio.
- Organizar tópicos principais: anotar palavras-chave em um papel ou no celular antes de uma reunião ou apresentação facilita lembrar a sequência de ideias.
- Falar em voz baixa para si mesmo: repetir mentalmente ou em voz muito baixa a próxima frase pode reforçar o conteúdo na memória de curto prazo.
- Associar ideias a imagens: criar uma imagem mental para cada ponto importante torna mais fácil recuperar o que se queria dizer.
- Reduzir distrações: silenciar notificações e evitar olhar para muitos estímulos ao mesmo tempo diminui a chance de o raciocínio ser interrompido.
- Usar lembretes escritos: em conversas mais formais, ter uma pequena lista de pontos em mãos evita depender somente da memória.
- Praticar o que será falado: treinar antes uma explicação, apresentação ou relato ajuda o cérebro a “decorar” a estrutura da fala.
- Fazer pausas durante o dia: intervalos curtos de descanso mental contribuem para aliviar a sobrecarga cognitiva.
- Cuidar do sono e da alimentação: dormir bem e manter uma rotina alimentar equilibrada favorecem o funcionamento da memória.
- Buscar apoio profissional quando necessário: se os apagões forem frequentes e acompanhados de outros sintomas, a avaliação especializada pode orientar o manejo adequado.
Ao entender que o apagão mental costuma ter relação direta com estresse e excesso de estímulos, torna-se mais simples adotar hábitos e estratégias que preservem a memória no dia a dia. Pequenos ajustes na rotina, aliados a técnicas de organização do pensamento, podem reduzir significativamente os esquecimentos repentinos no meio da conversa e tornar a comunicação mais clara e fluida.






