Você já se pegou roendo as unhas sem nem perceber, só depois notou os dedos machucados e sentiu um certo incômodo ou vergonha? Esse comportamento é muito mais comum do que parece e, embora muitas pessoas tratem como “mania boba”, pode dizer bastante sobre como lidamos com emoções, tensão e momentos de ansiedade no dia a dia, além de trazer consequências físicas e emocionais que muitas vezes passam despercebidas.
O que significa roer unhas
Do ponto de vista do comportamento, roer unhas com frequência costuma ser uma forma automática de aliviar emoções como ansiedade, nervosismo, estresse ou até tédio. A pessoa muitas vezes só percebe o que está fazendo quando o dedo já está dolorido ou a unha quase inexistente, especialmente em situações como provas, reuniões importantes, trânsito ou conversas difíceis.
Com o tempo, o cérebro passa a “aprender” que esse gesto traz algum alívio rápido, ainda que momentâneo. Assim, a onicofagia vai se repetindo até virar um hábito difícil de controlar, aparecendo em vários momentos do dia, mesmo quando a pessoa promete a si mesma que “da próxima vez não vai fazer”. Em alguns casos, esse comportamento pode se encaixar em um grupo de transtornos chamados de comportamentos repetitivos focados no corpo (como cutucar a pele ou puxar fios de cabelo).

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Roer unhas é sempre sinal de ansiedade
Apesar de a ansiedade ser uma das causas mais comuns, roer unhas não é sempre sinal de um transtorno emocional grave. Às vezes, é uma mania herdada da infância, por imitação de alguém da família, ou simplesmente um costume que foi ficando, mesmo em fases de maior tranquilidade.
Algumas pesquisas e relatos clínicos mostram que o hábito também pode se relacionar com impaciência, perfeccionismo ou dificuldade em lidar com o ócio. Pessoas que se irritam com pequenas falhas nas unhas ou que não conseguem ficar “paradas” tendem a levar mais os dedos à boca, principalmente em momentos de espera ou monotonia.
Quais são as consequências de roer unhas frequentemente
Fisicamente, roer unhas de forma repetida pode deixar as unhas fracas, deformadas, com a pele ao redor machucada e as cutículas sempre inflamadas. Pequenos ferimentos servem de porta de entrada para bactérias e fungos, aumentando o risco de infecções e, em casos mais intensos, até de machucar dentes e gengivas. Separamos esse vídeo do Drauzio Varella falando com mais detalhes sobre esse tema:
No lado emocional e social, muita gente relata vergonha de mostrar as mãos, evita tirar fotos, usar anéis ou até cumprimentar com aperto de mão. Esses detalhes podem parecer pequenos, mas atrapalham a confiança em situações profissionais, encontros, entrevistas de emprego e qualquer momento em que as mãos ficam em evidência.
Como identificar quando o hábito está passando dos limites
Alguns sinais ajudam a entender melhor esse limite e podem sinalizar a hora de buscar orientação profissional, caso o comportamento esteja gerando sofrimento ou pareça impossível de controlar sozinho:
- Danos constantes nas unhas, cutículas ou pele ao redor dos dedos;
- Dor, sangramentos frequentes ou infecções recorrentes nas mãos;
- Dificuldade em conter o impulso, mesmo em locais públicos ou formais;
- Sensação de alívio ao roer as unhas, seguida de culpa ou arrependimento;
- Interferência em atividades como digitar, escrever ou segurar objetos.
Um jeito simples de perceber se o hábito está saindo do controle é observar se ele está causando dor, vergonha ou atrapalhando tarefas do dia a dia. Quando a pessoa tenta parar e não consegue, ou sente um alívio imediato ao roer as unhas seguido de culpa, isso já indica que a onicofagia está mais intensa.









