Entre as muitas expressões herdadas da Antiguidade, poucas despertam tanta curiosidade quanto memento mori. A frase, em latim, significa literalmente “lembre-se de que vai morrer” e, apesar do tom duro, acabou ganhando novo espaço no século XXI como um convite para repensar prioridades, encarar a própria finitude, reduzir o piloto automático e reorganizar a rotina com mais intenção e presença.
O que significa memento mori e qual é a origem dessa expressão
Memento mori é considerado um lema filosófico que atravessou séculos. A origem costuma ser associada à Roma Antiga, em um contexto de vitórias militares e celebrações públicas, quando um escravo caminharia atrás do general vitorioso repetindo discretamente a frase para lembrar que, apesar da glória, ele continuava sendo um ser humano mortal.
Nesse cenário, a expressão funcionava como contrapeso ao orgulho. Em meio a aplausos, honrarias e prestígio, o lembrete da morte servia como freio à vaidade excessiva e às ilusões de grandeza, reforçando que nenhum poder, riqueza ou fama altera o destino comum a todas as pessoas e que a condição humana é, inevitavelmente, limitada.
Para aprofundarmos no tema, trouxemos o vídeo do psicanalista Alexandre Godinho, publicado em seu perfil @alexandregodinhopsi para mais de 7 mil seguidores:
@alexandregodinhopsi Lembrar que vai morrer é o único jeito de parar de viver dormindo. Memento Mori. #reflexao #medo #terapia #creatorsearchinsights @Alexandre Godinho psicanálise ♬ som original – Alexandre Godinho psicanálise
Como o conceito de memento mori evoluiu na história
Com o passar do tempo, memento mori extrapolou o ambiente militar e passou a inspirar pensadores, líderes religiosos e artistas em diferentes épocas. Na Idade Média e no Renascimento, surgiram pinturas, esculturas e objetos decorativos com caveiras, ampulhetas e flores murchas, todos associados ao lembrete de que a vida é passageira.
Esses símbolos, conhecidos justamente como “memento mori”, não tinham apenas função estética: eram usados como incentivo à reflexão sobre como cada um escolhe viver o tempo que tem. Em muitas tradições cristãs, por exemplo, esse recurso visual estimulava a prática da humildade, da caridade e da preparação espiritual para a morte.
Como memento mori se tornou uma ferramenta de reflexão na vida moderna
No século XXI, a expressão memento mori passou por uma espécie de ressignificação. Longe de ser tratada apenas como frase fúnebre, tornou-se um recurso para organizar prioridades e equilibrar produtividade com bem-estar emocional, lembrando que a existência é limitada e que o tempo não volta.
Essa perspectiva se aproxima de correntes filosóficas como o estoicismo, que defendem a aceitação do que não pode ser controlado e o foco no que está ao alcance imediato. O lembrete da mortalidade não serve para estimular medo, mas para reforçar a importância de escolhas conscientes, especialmente em uma rotina marcada por pressa, metas e excesso de estímulos digitais.
Como aplicar memento mori na rotina sem cair no pessimismo
A expressão memento mori pode ser integrada ao dia a dia de forma prática e equilibrada, funcionando como um ajuste de foco e não como fonte de angústia. Em geral, quem adota esse lema usa a lembrança da finitude para decidir melhor onde investir energia, atenção e afeto, evitando viver apenas no automático.
Algumas atitudes frequentemente associadas a esse princípio ajudam a trazer a ideia para o plano concreto e a transformar reflexão em ação cotidiana:
- registrar prioridades em um caderno ou aplicativo, anotando o que realmente importa em cada fase da vida;
- rever periodicamente a agenda para reduzir compromissos sem sentido claro ou puramente por obrigação social;
- destinar tempo de qualidade à família, amigos e atividades que gerem bem-estar e sensação de propósito;
- limitar distrações digitais, como rolagem infinita em redes sociais e notificações constantes;
- relativizar conflitos e preocupações, reconhecendo que muitos problemas são menores quando vistos sob a lente da finitude.

Quais objetos e símbolos representam memento mori hoje
Para algumas pessoas, a frase aparece em objetos pessoais de uso diário, que funcionam como lembretes visuais de que o tempo está passando. Isso facilita manter a consciência da finitude em meio à correria, sem precisar pensar nisso o tempo todo de forma pesada ou angustiante.
- Tatuagens com letras discretas ou acompanhadas de símbolos como caveiras, relógios, ampulhetas ou flores secas;
- Quadros e pôsteres em escritórios, ambientes de estudo ou espaços de meditação, com a frase em destaque;
- Acessórios pessoais, como anéis, pulseiras e colares com inscrições em latim ou pequenos ícones relacionados ao tempo;
Esses elementos visuais atuam como gatilhos de atenção: a cada olhar, reforçam a lembrança de que cada decisão contribui para a forma como a vida é construída. Assim, memento mori deixa de ser apenas uma antiga advertência romana e se transforma em uma ferramenta contemporânea de autoconsciência, clareza e propósito.








