Receber um elogio pode ser uma experiência desconfortável para indivíduos que lidam com a baixa autoestima ou ansiedade social crônica. Esse desconforto surge quando a validação externa entra em conflito direto com a percepção interna negativa que a pessoa possui de si mesma. Identificar as razões psicológicas desse fenômeno auxilia no desenvolvimento de uma autoaceitação muito mais equilibrada.
O conflito interno gerado pela dissonância cognitiva
Para o psicólogo Leon Festinger, a dissonância cognitiva ocorre quando recebemos informações que contradizem nossas crenças fundamentais. Se alguém possui uma autoimagem desvalorizada, um elogio soa como algo falso ou enganoso, gerando uma tensão mental imediata. O indivíduo sente a necessidade de rejeitar a afirmação positiva para manter a consistência interna da sua visão pessoal negativa.
Essa resistência funciona como um escudo protetor contra o que a mente interpreta como uma ameaça à própria identidade. Aceitar o elogio exigiria que a pessoa mudasse a forma como se vê, o que pode ser um processo assustador e doloroso. Por isso, invalidar a opinião alheia torna-se uma estratégia inconsciente para evitar o desconforto psicológico causado pela contradição.

Por que a validação externa aumenta a ansiedade social?
Indivíduos com altos níveis de ansiedade social costumam interpretar elogios como uma forma de pressão adicional. A admiração alheia cria a expectativa de que o padrão de excelência deve ser mantido em todas as interações futuras. Essa percepção gera o medo constante de decepcionar as pessoas, transformando um momento de reconhecimento em uma fonte de preocupação excessiva e estresse.
Estudos detalhados pela Mayo Clinic indicam que essa reação está ligada ao receio de ser o centro das atenções indesejadas. Acesse as informações sobre transtorno de ansiedade social para verificar como o medo do julgamento afeta o comportamento. Integrar essas evidências ajuda a compreender que o ódio ao elogio é, na verdade, uma resposta defensiva do sistema nervoso.
Comportamentos típicos de quem evita o reconhecimento
Pessoas que se sentem desconfortáveis com elogios desenvolvem táticas sutis para desviar a atenção do seu próprio mérito ou sucesso. Elas costumam minimizar suas conquistas ou atribuir o resultado exclusivamente à sorte ou ao esforço de terceiros. Identificar esses padrões comportamentais é o ponto de partida para transformar a relação com a própria competência e aceitar o valor pessoal:
- Devolver o elogio imediatamente para outra pessoa.
- Fazer piadas depreciativas sobre o próprio desempenho.
- Mudar de assunto rapidamente durante a conversa.
- Explicar exaustivamente as falhas cometidas no processo.
A influência do estilo de apego na recepção de afeto
A teoria do apego sugere que nossas primeiras relações moldam a maneira como lidamos com a validação na vida adulta. Indivíduos que desenvolveram um apego esquivo podem sentir que elogios são tentativas de manipulação ou invasão de sua autonomia pessoal. Para eles, a proximidade emocional sugerida por uma palavra gentil parece perigosa, ativando mecanismos de defesa que afastam o interlocutor.
Psicólogos como John Bowlby fundamentaram como a negligência emocional precoce dificulta a aceitação de carinho ou admiração genuína posteriormente. Se a criança não foi ensinada a valorizar suas próprias qualidades, o adulto terá dificuldade em acreditar que os outros realmente as vejam. Assim, o ódio ao elogio reflete uma ferida antiga que ainda precisa de atenção e cuidado especializado.

Estratégias para aprender a aceitar elogios com naturalidade
Praticar a aceitação de elogios requer um esforço consciente para silenciar o crítico interno que reside em nossa mente. Começar com um simples agradecimento, sem tentar justificar ou diminuir a conquista, é um exercício poderoso de validação pessoal. Com o tempo, essa pequena mudança de atitude fortalece a autoestima e permite que o indivíduo se sinta merecedor do reconhecimento que recebe.
Outra técnica eficaz envolve a reestruturação cognitiva das crenças negativas que sustentam a rejeição ao afeto dos outros. Ao desafiar os pensamentos automáticos de desvalorização, a pessoa abre espaço para novas experiências de conexão e gratidão mútua. Cultivar a autocompaixão é essencial para entender que ser apreciado é um direito fundamental de todo ser humano que busca crescimento e felicidade.









