Na língua portuguesa, algumas terminações parecem seguir uma lógica estável, enquanto outras variam de forma que chama a atenção. Um exemplo comum é a formação do plural de adjetivos como “feliz”, que passa para “felizes”, em contraste com “cru”, que se torna “crus”. À primeira vista, essa diferença pode gerar dúvida, principalmente para quem tenta relacionar a escrita apenas ao som das palavras, sem considerar a origem e a classe gramatical de cada termo.
Como funciona o plural de palavras terminadas em “z”, como “feliz”
A palavra “feliz” termina em z, consoante que, no singular, já aparece como última letra. Pelas regras da ABL (Academia Brasileira de Letras), substantivos e adjetivos terminados em -z formam o plural com o acréscimo de -es. Assim, “arroz” passa para “arrozes”, “juiz” para “juízes” e “feliz” para “felizes”, mantendo uma lógica regular de flexão.
Essa formação não é aleatória: ao acrescentar o sufixo -es, preserva-se o som da sílaba final. Em “feliz”, o som [zis] aparece com clareza em “felizes”, pois a vogal “e” funciona como apoio para a pronúncia do “z” final, evitando encontros consonantais difíceis. Dessa forma, a ortografia aproxima-se da pronúncia real, o que facilita a leitura, o ensino e a padronização entre diferentes falantes.
Para aprofundarmos no tema, trouxemos o vídeo do perfil @iaramesquita488:
@iaramesquita488 Você sabia que o adjetivo Feliz tem sua forma plural, Felizes? #feliz #linguaportuguesa #portugues #dicasdaiarinha #vaiprofy ♬ som original – iarinha
Por que “cru” vira “crus” e não “crues”
Em “cru”, a terminação é vogal (u tônico), e não consoante. Segundo a ABL, palavras terminadas em vogal tônica geralmente formam o plural de maneira simples, apenas com o acréscimo de -s. Assim, “chá” vai para “chás”, “café” torna-se “cafés” e “cru” passa a ser “crus”, sem necessidade de intercalar outra vogal.
Se surgisse a forma “crues”, haveria alteração no desenho sonoro da palavra, criando um ditongo diferente daquele que o falante está acostumado a usar. No uso real, pronuncia-se simplesmente [krus], com o “s” marcando o plural sem inserir uma nova sílaba. Assim, o som orienta a escrita até certo ponto, mas prevalece a regra morfológica geral dos vocábulos terminados em vogal tônica.
O som sempre guia a escrita no plural das palavras
O som tem papel importante na forma como a ortografia se consolidou, mas não é o único fator. As obras de referência da ABL registram que a formação do plural leva em conta padrões morfológicos (como o tipo de terminação) e a tradição de uso ao longo do tempo. Por isso, algumas terminações pedem o acréscimo de “-es” para manter o som, enquanto outras aceitam apenas “-s”.
Em termos gerais, é possível observar alguns grupos principais de terminações, em que som e escrita caminham juntos. Esses grupos ajudam o falante a prever o plural de muitas palavras novas, mesmo quando nunca as viu escritas, pois seguem uma mesma lógica de regularidade na flexão.
- Palavras terminadas em vogal (a, e, o, u tônicos): plural com -s simples, como “ruim” → “ruins”, “cru” → “crus”.
- Palavras terminadas em -r, -z, -n: plural com -es, como “feliz” → “felizes”, “juiz” → “juízes”.
- Palavras terminadas em -l: plural muitas vezes com mudança para -is, como “azul” → “azuis”.
- Palavras terminadas em -m: plural em -ns, como “bom” → “bons”.

Quais são as principais diferenças entre “feliz/felizes” e “cru/crus”
Para visualizar de forma mais clara as diferenças entre esses dois casos, é útil organizar as informações em uma tabela que destaque terminação, regra aplicada e impacto sonoro. A comparação mostra que as formas seguem padrões previsíveis, embora à primeira vista possam parecer arbitrárias para quem se guia apenas pela pronúncia.
Observe que “feliz/felizes” representa o comportamento típico dos vocábulos terminados em consoante, enquanto “cru/crus” ilustra o padrão das palavras terminadas em vogal tônica. Esse contraste evidencia como a classe fonética da última letra interfere diretamente na formação do plural.
| Forma no singular | Terminação | Regra de plural | Forma no plural | Relação com o som |
|---|---|---|---|---|
| feliz | consoante z | Acrescenta-se -es a palavras terminadas em -z | felizes | “e” apoia a pronúncia do “z” final, mantendo o som [zis] |
| juiz | consoante z | Acrescenta-se -es | juízes | Forma plural com nova sílaba, mas preserva o som do “z” |
| cru | vogal tônica u | Acrescenta-se apenas -s | crus | Plural pronunciado [krus], sem nova sílaba |
| chulé | vogal tônica e | Acrescenta-se -s | chulés | Plural mantém o timbre da vogal final |
Como memorizar melhor essas terminações no dia a dia
Para fixar melhor a diferença entre formas como “felizes” e “crus”, algumas estratégias simples podem ajudar no estudo e na escrita cotidiana. Em vez de decorar listas extensas de palavras, o ideal é observar a última letra do singular e associá-la ao tipo de plural mais frequente em cada grupo.
Também é útil consultar dicionários e gramáticas endossados pela ABL, reforçando a forma padronizada e relacionando a pronúncia à grafia. Com a prática, o uso de plurais como “felizes”, “crus” e outras variações torna-se mais automático, aproximando a escrita da norma recomendada e da comunicação cotidiana.
- Identificar se a palavra termina em vogal ou consoante antes de formar o plural.
- Lembrar que:
- terminações em -z preferem plural em -es (“feliz” → “felizes”);
- terminações em vogal tônica normalmente recebem só -s (“cru” → “crus”).
- Conferir exemplos em dicionários e gramáticas endossados pela ABL, reforçando a forma padronizada.
- Relacionar a pronúncia à grafia, percebendo quando é realmente preciso acrescentar uma vogal extra para facilitar o som.







