Durante o choro, muitas pessoas percebem que o nariz começa a escorrer quase ao mesmo tempo em que as lágrimas aparecem. Esse fenômeno costuma ser associado a um resfriado ou alergia, mas na maioria das vezes está diretamente ligado ao funcionamento do sistema lacrimal e à sua conexão anatômica com o nariz, por meio de pequenos canais internos que permitem a drenagem constante das lágrimas.
Como funciona o sistema lacrimal humano
O sistema lacrimal é formado principalmente pela glândula lacrimal, pelos canais lacrimais e pelo saco nasolacrimal. A glândula lacrimal, localizada na parte superior externa de cada olho, produz as lágrimas que lubrificam a superfície ocular e formam uma fina película protetora sobre a córnea, como explica a pesquisa “Diagnostic imaging of the nasolacrimal drainage system. Part I. Radiological anatomy of lacrimal pathways. Physiology of tear secretion and tear outflow”.
Depois de espalhadas pelas pálpebras durante o piscar, as lágrimas não desaparecem simplesmente. Elas se acumulam no canto interno dos olhos, próximo ao nariz, onde existem pequenas aberturas chamadas pontos lacrimais. Por esses orifícios, o líquido entra em canalículos muito finos que o conduzem até o saco nasolacrimal, de onde segue em direção às fossas nasais para completar o processo de drenagem.
Para aprofundarmos no tema, trouxemos o vídeo da otorrinolaringologista Pauline Michelin:
@paulineotorrino Respondendo a @Heloisa Teodoro Quando vocé chora o seu nariz também escorre – vou te explicar porque isso acontece!!! #lagrimas #nariz #aprendanotiktok #coriza #narizescorrendo #sacolacrimal #olhos #glandulalacrimal #nariztrancado #narizentupido #choro #chorar ♬ som original – Pauline Michelin | Otorrino
Qual é a ligação entre o canal lacrimal e o nariz
A conexão entre os olhos e o nariz acontece por meio do ducto nasolacrimal, também conhecido como canal lacrimal. Esse canal funciona como um “tubo de drenagem” que transporta as lágrimas do saco nasolacrimal até a cavidade nasal, explicando a comunicação direta entre a superfície ocular e as fossas nasais.
Ao chegar ao interior do nariz, as lágrimas se misturam ao muco nasal, geralmente em pequena quantidade, passando despercebidas no dia a dia. Porém, quando a produção de lágrimas aumenta, esse fluxo se torna mais intenso, gerando um corrimento claro e fluido, que muitas vezes é confundido com secreção de um resfriado leve. Além disso, a presença de lágrimas nas fossas nasais pode irritar levemente a mucosa, estimulando uma resposta de produção adicional de muco. Dessa forma, o que começou apenas como drenagem lacrimal acaba gerando ainda mais secreção nasal, criando a sensação de nariz “molhado” ou congestionado durante períodos de maior lacrimejamento.

Por que o nariz escorre mais quando choramos
Durante o choro emocional, a glândula lacrimal entra em atividade intensa e produz um volume de lágrimas muito superior ao necessário para lubrificar os olhos. Uma parte desse excesso escorre pelas pálpebras e pelo rosto, mas outra parte é desviada para o sistema de drenagem, exigindo mais do canal lacrimal e do ducto nasolacrimal.
Para entender de forma prática esse processo, é útil resumir as etapas que tornam o nariz escorrendo um efeito direto do aumento de lágrimas. Abaixo estão os principais pontos que descrevem o que acontece com o sistema lacrimal quando choramos intensamente:
- Choro intenso aumenta muito a produção de lágrimas.
- O excesso de lágrimas é drenado para o nariz pelo ducto nasolacrimal.
- As lágrimas se misturam ao muco já presente nas fossas nasais.
- O volume somado faz o nariz escorrer de forma mais evidente e contínua.
Quando a conexão entre olhos e nariz fica mais evidente
A ligação entre canal lacrimal e fossas nasais não aparece apenas no choro. Durante um resfriado, uma rinite ou uma sinusite, a mucosa nasal pode ficar inflamada e inchada, dificultando a passagem das lágrimas pelo ducto nasolacrimal e causando olhos lacrimejantes, vermelhidão ou sensação de peso ao redor dos olhos.
Já em procedimentos oftalmológicos ou uso de colírios, parte do medicamento também pode escorrer para a cavidade nasal pelo mesmo caminho das lágrimas. Por isso, algumas pessoas sentem o gosto do colírio na garganta pouco tempo depois de pingar as gotas nos olhos, já que o trajeto segue do olho para o canal lacrimal, passa pelo nariz e alcança a região da nasofaringe, próxima à boca.
Para visualizar melhor esse caminho interno, é útil acompanhar o percurso da lágrima desde sua produção até sua chegada ao nariz. A sequência a seguir mostra, de maneira simplificada, como funciona o trajeto do filme lacrimal no dia a dia:
- As lágrimas são produzidas na glândula lacrimal.
- O líquido é espalhado pelo piscar das pálpebras.
- O excesso entra pelos pontos lacrimais.
- Segue pelos canalículos até o saco nasolacrimal.
- Passa pelo ducto nasolacrimal e chega às fossas nasais.
Assim, o nariz escorrendo durante o choro é resultado direto de uma estrutura anatômica compartilhada entre olhos e cavidade nasal. A comunicação pelo canal lacrimal garante a drenagem constante das lágrimas, mantendo os olhos protegidos e, ao mesmo tempo, influenciando o comportamento do nariz em diferentes situações do dia a dia, como emoções intensas, alergias e infecções respiratórias.









