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Por que sentimos raiva quando estamos com fome, segundo a psicologia

Por Larissa Carvalho
10/01/2026
Em Curiosidades
Por que sentimos raiva quando estamos com fome, segundo a psicologia

O cérebro reage à falta de energia aumentando a irritabilidade

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Sentir raiva quando a fome aperta é uma experiência comum e, muitas vezes, desconcertante. Em situações de estômago vazio, algumas pessoas relatam irritação, impaciência e respostas mais duras em conversas simples. Esse comportamento, frequentemente chamado de hangry, tem relação direta com alterações na glicose do sangue, com como o cérebro lida com a falta de energia disponível e, em alguns casos, com padrões de alimentação emocional já estabelecidos.

Por que a raiva aparece quando a fome aumenta

A raiva associada à fome está ligada, principalmente, à queda de glicose no sangue, um quadro conhecido como hipoglicemia. A glicose é o principal combustível do cérebro; quando ela cai demais, o organismo interpreta a situação como um alerta, ativando hormônios relacionados ao estresse, como adrenalina e cortisol, o que torna o humor mais instável, como mostrou a pesquisa “Hangry in the field: An experience sampling study on the impact of hunger on anger, irritability, and affect”.

Nesse cenário, o sistema nervoso entra em estado de vigilância e a pessoa pode se tornar mais sensível a estímulos externos. Pequenas frustrações passam a ser percebidas como mais intensas, e podem surgir sintomas físicos como tremores, fraqueza, dor de cabeça, dificuldade de concentração e sensação de ansiedade, criando terreno fértil para respostas raivosas e comentários impulsivos.

Para aprofundarmos o tema, trouxemos o vídeo dos, especialistas Dr. Saulo Nardy e Dra. Maria Fernanda, neurologista e psiquiatra respectivamente, que aborda o tema:

Como o cérebro reage à hipoglicemia e afeta o controle emocional

Outro ponto importante é o funcionamento das áreas do cérebro relacionadas ao controle emocional. Quando a glicose está em queda, regiões como o córtex pré-frontal, responsável pelo planejamento e pelo controle de impulsos, podem ficar menos eficientes, dificultando decisões calmas e ponderadas no dia a dia.

Ao mesmo tempo, estruturas ligadas a respostas mais automáticas, como a amígdala, tendem a reagir de forma mais intensa, favorecendo explosões emocionais diante de situações corriqueiras. Esse desequilíbrio momentâneo entre razão e impulso ajuda a explicar por que a fome pode amplificar conflitos simples em casa, no trânsito ou no trabalho.

Como a hipoglicemia influencia emoções impulsivas no cotidiano

A hipoglicemia leve, que não chega a causar desmaios, mas gera desconforto, é uma das principais explicações para emoções impulsivas na fome. Quando a taxa de glicose cai, o corpo envia sinais urgentes para que a pessoa busque comida rapidamente, e se essa necessidade não é atendida, a sensação de urgência pode se transformar em impaciência e reações desproporcionais.

Em ambientes de trabalho, familiares ou escolares, esse quadro pode favorecer discussões, mal-entendidos e falhas de comunicação, pois pequenas decisões passam a parecer mais difíceis. Em alguns casos, a pessoa percebe que está “sem paciência para nada”, mas não relaciona isso à falta de alimentação adequada, atribuindo o mau-humor apenas ao estresse externo e não ao jejum prolongado.

Quais fatores pessoais modulam a raiva causada pela fome

Nem todas as pessoas reagem da mesma forma à hipoglicemia. Fatores como qualidade do sono, nível de estresse, consumo de cafeína, histórico de ansiedade ou depressão e a rotina de exercícios físicos podem intensificar ou atenuar essas respostas emocionais, tornando algumas pessoas mais vulneráveis ao “hangry”.

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Ainda assim, a relação entre fome, queda de glicose e raiva aparece de forma consistente em muitos relatos e pesquisas observacionais. Em 2025, o interesse por alimentação e saúde mental cresceu, e estudos passaram a observar mais de perto como essas variáveis se combinam para influenciar humor, impulsividade e até a qualidade das relações sociais.

Por que sentimos raiva quando estamos com fome, segundo a psicologia
Baixa glicose eleva cortisol e adrenalina; hipotálamo ativa neurônios AgRP, ligando fome a impulsividade agressiva.

Como a alimentação emocional se relaciona com a raiva da fome

A chamada alimentação emocional ocorre quando a pessoa usa a comida para lidar com sentimentos, e não apenas para saciar necessidades físicas. A raiva gerada pela fome pode se misturar com frustração, ansiedade e cansaço, levando a episódios de comer de forma rápida e descontrolada, principalmente alimentos muito doces ou ricos em gordura, buscando alívio imediato.

Em médio prazo, esse padrão pode criar um ciclo: a pessoa passa longos períodos sem comer, entra em hipoglicemia, sente irritação, come de forma impulsiva e, depois, sente culpa ou arrependimento. Esse comportamento tende a desorganizar a relação com a comida e com o próprio corpo, exigindo estratégias de gestão da alimentação emocional e de organização de horários de refeição para reduzir episódios de raiva ligada à fome.

Quais estratégias ajudam a lidar com a raiva provocada pela fome

Organizar a rotina alimentar e aprender a reconhecer sinais de hipoglicemia são passos importantes para diminuir reações impulsivas. Em muitos casos, pequenas mudanças no dia a dia já trazem efeitos perceptíveis na estabilidade emocional, melhorando o humor e a capacidade de diálogo em momentos de estresse.

Algumas orientações gerais relacionadas à alimentação emocional e ao controle da fome podem servir como guia prático para manter a glicose mais estável e prevenir o “hangry” em situações comuns do cotidiano:

  • Estabelecer horários regulares de refeição: Fazer pequenas refeições ou lanches a cada 3 ou 4 horas ajuda a manter a glicose mais estável.
  • Priorizar alimentos ricos em fibras: Frutas, legumes, verduras e grãos integrais prolongam a saciedade e evitam quedas bruscas de açúcar.
  • Incluir fontes de proteína em cada refeição: Ovos, queijos magros, carnes, leguminosas e iogurtes ajudam a equilibrar o apetite.
  • Reduzir longos períodos em jejum: Pular refeições com frequência aumenta o risco de hipoglicemia leve e de explosões emocionais.
  • Observar o próprio corpo: Sinais como tremores, irritação súbita e dificuldade de foco podem indicar que é hora de se alimentar.
  • Planejar lanches práticos: Carregar frutas, oleaginosas ou barrinhas com boa composição evita decisões impulsivas na rua.
  • Diferenciar fome física de fome emocional: Perguntar-se se o desconforto é realmente fome ou se está ligado a estresse, tédio ou frustração auxilia em escolhas mais conscientes.

Além dessas medidas, algumas pessoas buscam apoio profissional com nutricionistas e psicólogos para entender melhor seus padrões de alimentação emocional. Essa combinação permite observar não apenas o que é colocado no prato, mas também o que está por trás da raiva, da ansiedade e das reações impulsivas ligadas à fome, favorecendo uma relação mais equilibrada com a comida e com as próprias emoções.

Tags: CuriosidadesFomepsicologiaraivaSentimentos
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