Em momentos de grande carga emocional ou excesso de demandas, muitas pessoas relatam a sensação de querer “sumir” por um tempo, especialmente quando as responsabilidades se acumulam, o cansaço se torna constante e o cérebro passa a interpretar a rotina como uma fonte contínua de ameaça ou pressão, funcionando como um sinal de que algo está fora do equilíbrio interno e de que são necessárias pausas, autocuidado e, em alguns casos, apoio profissional.
Por que a sobrecarga emocional faz surgir a vontade de sumir
A palavra-chave central nesse processo é a sobrecarga emocional. Quando há excesso de tarefas, preocupações e estímulos, o sistema nervoso fica em estado de alerta prolongado, alimentado por prazos apertados, conflitos, cobranças internas rígidas e falta de descanso adequado, como trouxe a pesquisa “Escape from Self: Alcoholism, Spirituality, Masochism, and Other Manifestations of the Escape from Self”.
Aos poucos, a mente passa a perceber o cotidiano como algo ameaçador, mesmo sem perigo real evidente. Com o tempo, o cérebro entende que não é mais possível “lutar” ou “controlar” tudo, surgindo a resposta de fuga: o desejo de ir embora, se desligar e evitar interações para tentar preservar energia psíquica.
- Cansaço constante, mesmo após algumas horas de sono;
- Dificuldade de concentração em atividades simples;
- Irritação fácil com situações do dia a dia;
- Sensação de estar “no limite” ou “no automático”;
- Vontade intensa de ficar sozinho por longos períodos.
Esse acúmulo de sinais indica que a mente está tentando reduzir estímulos para se preservar. A fuga, nesse caso, é menos sobre rejeitar a vida e mais sobre afastar-se de fontes de pressão que parecem insuportáveis naquele momento, podendo ser um alerta para estresse crônico ou até burnout.

Como funciona o mecanismo psicológico de fuga no cérebro
O mecanismo de fuga está ligado ao sistema de luta, fuga ou congelamento, um conjunto de respostas automáticas diante de situações percebidas como ameaçadoras. Quando a ameaça é contínua e a pessoa sente que não consegue resolver os problemas, o impulso de fugir se intensifica como uma tentativa de proteção.
Do ponto de vista psicológico, alguns fatores alimentam esse mecanismo e tornam a vontade de sumir mais frequente, especialmente quando não há espaço para descanso, limites saudáveis e expressão emocional segura.
- Perfeccionismo e autocrítica intensa
Quando a pessoa se cobra demais, qualquer erro ou atraso é vivido como fracasso, aumentando o peso mental e o desejo de escapar das responsabilidades. - Falta de limites claros
Dizer “sim” para tudo e aceitar demandas além do possível cria um cenário ideal para o esgotamento e a exaustão emocional. - Acúmulo de papéis
Conciliar trabalho, estudos, casa, família e relacionamentos sem apoio suficiente amplia a sensação de sufocamento. - Exposição constante a estímulos digitais
Notificações, mensagens e excesso de conteúdo mantêm o cérebro em alerta, dificultando o descanso mental.
Quando esses fatores se somam, o cérebro envia sinais cada vez mais claros de que precisa desacelerar. A vontade de se isolar, deixar tudo em suspenso ou “fugir” funciona como um pedido de reorganização interna e de mudança na forma de lidar com as demandas.
Por que a necessidade de desconexão é tão forte hoje
Na rotina atual, o ritmo acelerado e a hiperconexão ampliam a sensação de estar sempre devendo algo. Muitos se sentem observados, cobrados por desempenho e pressionados a responder rapidamente a qualquer mensagem, o que aumenta a sensação de vigilância constante.
Nesse contexto, a necessidade de desconexão surge como forma de recuperar privacidade mental e espaço para respirar. Desconectar não significa abandonar tudo, mas reduzir temporariamente os estímulos que alimentam o sufoco e reorganizar as prioridades.
- Estabelecer horários específicos para checar mensagens e redes sociais;
- Reservar pequenos intervalos ao longo do dia para pausas silenciosas;
- Praticar atividades sem telas, como leitura, caminhada ou hobbies manuais;
- Organizar tarefas por prioridade, evitando tentar resolver tudo ao mesmo tempo;
- Buscar apoio profissional quando a vontade de sumir se torna frequente ou intensa.
A desconexão planejada funciona como um descanso programado para o cérebro. Em vez de “sumir” impulsivamente, a pessoa passa a construir momentos de pausa que reduzem a sobrecarga antes que ela atinja níveis extremos.
Para aprofundarmos nesse tema, trouxemos o vídeo do Dr. Gabriel Paiva:
@drpaivagabriel Quer mudar a sua saúde mental e inteligência emocional para sempre? Então confere o link da minha Bio 💡 Neste vídeo, falamos sobre os pensamentos de querer desaparecer, ir embora e não voltar, ou dormir e não acordar, que podem ser sinais de cansaço e desesperança, sentimentos centrais da depressão. Explico que esses pensamentos embrionários podem levar a ideias mais graves sobre acabar com a própria vida, e que é importante identificá-los, entendê-los e administrá-los com inteligência emocional. #felicidade #ansiedade #saúdemental #psicologia #inteligenciaemocional #inteligênciaemocional #autoestima #desenvolvimentopessoal #autoconhecimento #depressao #depressão ♬ som original – Dr. Gabriel Paiva
Como reconhecer quando a mente está pedindo uma pausa
Identificar o ponto em que a sobrecarga começa a se transformar em esgotamento é essencial para evitar que a vontade de desaparecer se torne dominante. Alguns sinais indicam que a mente pede descanso e que é hora de rever hábitos, expectativas e formas de autocuidado.
Nesses momentos, observar as próprias emoções e o corpo, praticar autocompaixão e considerar a procura por um psicólogo ou psiquiatra pode ser decisivo para restaurar o equilíbrio e prevenir quadros mais graves.
- Perda de interesse em atividades que antes eram agradáveis;
- Sensação frequente de estar “no automático” ou “desligado”;
- Dificuldade em tomar decisões simples, como escolher o que comer;
- Alterações de sono, como insônia ou vontade de dormir o tempo todo;
- Pensamentos recorrentes de querer abandonar tudo por um período.
Quando esses sinais aparecem, o desejo de sumir deixa de ser apenas um pensamento passageiro e se torna um pedido claro de reorganização interna. Pequenas mudanças na rotina, ajustes nas expectativas e o apoio emocional adequado podem reduzir a sensação de fuga iminente e abrir espaço para uma relação mais equilibrada com as próprias demandas.









