Esquecer um nome na conversa, precisar de alguns segundos para lembrar um endereço ou ter dificuldade para localizar as chaves são situações frequentes, principalmente entre pessoas mais velhas. Em uma população que envelhece rapidamente, esses episódios costumam ser associados de imediato ao Alzheimer, mas os especialistas apontam que a realidade é mais ampla: nem todo esquecimento está ligado a uma doença neurodegenerativa, e entender essa diferença é essencial para evitar preocupações desnecessárias e, ao mesmo tempo, reconhecer sinais de alerta reais.
O que é perda de memória e quando ela se torna um problema de fato
A expressão perda de memória costuma ser usada de forma genérica para qualquer tipo de esquecimento, mas, em termos clínicos, é um conceito mais específico. Esquecimentos considerados normais tendem a ser esporádicos, recuperáveis e pouco interferem nas atividades habituais, sendo compatíveis com o envelhecimento saudável, como trouxe a pesquisa “The neuropathological diagnosis of Alzheimer’s disease”.
O quadro muda quando a alteração de memória passa a comprometer a funcionalidade e a segurança no dia a dia. Situações como perder-se em trajetos conhecidos, repetir a mesma pergunta diversas vezes ou não conseguir executar tarefas simples sugerem algo além do envelhecimento natural, exigindo avaliação profissional.
Para aprofundarmos no tema, trouxemos o vídeo da Dra Maria Isabel Berigo (@isabelaberigopsiquiatria):
@isabelaberigopsiquiatria Esquecimentos: sinal de declínio cognitivo ou apenas da idade? Todo mundo esquece algo de vez em quando — isso é normal. Mas quando a perda de memória começa a afetar a funcionalidade, a atenção precisa ser redobrada. A doença de Alzheimer é um transtorno neurocognitivo maior. É importante destacar que, quando os sintomas causam prejuízos significativos nas atividades da vida diária, provavelmente o quadro demencial já está instalado. Portanto, procure avaliação com um especialista diante de sintomas novos — que antes não ocorriam — assim que eles surgirem. Se você ou alguém próximo tem dúvidas, vale a pena assistir com atenção. #alzheimer #transtornosmentais #saudemental ♬ som original – Dra. Maria Isabela Berigo
Perda de memória sempre significa Alzheimer
Muitas pessoas associam qualquer falha de memória ao Alzheimer, mas os profissionais de saúde são claros: nem todo esquecimento é sinônimo de demência. O Alzheimer é a forma mais comum de demência, porém existem várias outras causas, muitas delas reversíveis, que podem provocar lapsos de memória, desatenção e dificuldade de concentração.
Entre as condições capazes de gerar problemas de memória estão fatores clínicos e de estilo de vida que precisam ser investigados com cuidado, pois podem ser tratados ou controlados com intervenções adequadas:
- Deficiências vitamínicas, especialmente de vitaminas do complexo B.
- Alterações da tireoide e outros distúrbios hormonais.
- Doenças metabólicas, como diabetes mal controlado.
- Uso de medicamentos que afetam o sistema nervoso central.
- Transtornos do sono, como insônia crônica e apneia do sono.
- Depressão, ansiedade ou estresse prolongado.
- Traumatismos cranianos e consumo excessivo de álcool.
Como é feita a avaliação da perda de memória
A análise da memória prejudicada segue etapas bem definidas, começando por uma conversa detalhada sobre o histórico da pessoa. São investigados início dos sintomas, frequência dos esquecimentos, impacto no trabalho, na vida social e nas atividades domésticas, além de relatos de familiares sobre mudanças de comportamento.
Depois dessa etapa inicial, o profissional pode solicitar testes cognitivos, exames de sangue e, quando necessário, exames de imagem. O objetivo é diferenciar o que é esquecimento compatível com a idade, o que pode ser corrigido com tratamento clínico e o que sugere uma demência em fase inicial, permitindo diagnóstico mais precoce.

Quais hábitos ajudam a proteger a memória ao longo da vida
A ciência indica que não é possível eliminar totalmente o risco de demências, mas um estilo de vida saudável reduz de forma significativa a probabilidade de perda de memória associada a doenças. Pesquisas apontam que a combinação de cuidados físicos, emocionais e intelectuais oferece proteção importante para o cérebro com o passar dos anos.
Entre as medidas mais estudadas estão a atividade física regular, alimentação equilibrada semelhante à dieta mediterrânea, sono de qualidade, controle do estresse e vida social ativa. Especialistas também destacam os chamados “gimnasios cerebrales”, como leitura, música, aprendizado de idiomas e jogos de estratégia, que ajudam a fortalecer conexões neuronais e a preservar a autonomia cognitiva.









