Pessoas que convivem com enxaqueca costumam relatar que determinadas bebidas pioram as crises, deixando a dor de cabeça mais intensa e prolongada. Entre os fatores que podem agravar o quadro, a combinação de álcool com cafeína vem sendo apontada por especialistas como um dos principais gatilhos a serem observados no dia a dia, exigindo atenção também à rotina de sono, hidratação e alimentação equilibrada.
O que é enxaqueca e por que o cérebro é mais sensível
A enxaqueca é classificada como uma cefaleia primária, ou seja, não é consequência direta de outra doença, mas sim uma condição por si só com forte componente genético. Quem apresenta esse tipo de dor de cabeça possui um cérebro mais sensível, que reage a mudanças internas e externas com mais facilidade, o que explica crises mais frequentes em algumas pessoas.
As crises podem durar de algumas horas a até três dias, com dor unilateral, latejante e intensidade de moderada a forte, frequentemente agravada por luz, ruídos e cheiros intensos. Além da dor, surgem sintomas como náuseas, vómitos, sensibilidade ao movimento e, em parte dos casos, a aura, com alterações visuais e formigamentos em face e membros.

Como a combinação de álcool e cafeína pode piorar a enxaqueca
A expressão álcool e cafeína costuma remeter a bebidas como energéticos com destilados, café consumido junto com cerveja ou cocktails que reúnem ambos os componentes. Para quem tem predisposição à enxaqueca, essa mistura pode representar um gatilho relevante, pois o álcool tem efeito vasodilatador e favorece a dilatação dos vasos sanguíneos do cérebro, algo associado ao início ou intensificação da dor.
Além disso, tanto o álcool quanto a cafeína possuem ação diurética, contribuindo para perda de líquidos e desidratação, um conhecido fator de risco para crises de enxaqueca. Em algumas bebidas alcoólicas, como vinhos e certos licores, substâncias como sulfitos e tiramina também podem desencadear dor de cabeça, enquanto o consumo exagerado e diário de cafeína pode levar ao efeito de rebote, em que a ausência da substância provoca dor.
- Álcool dilata vasos sanguíneos e interfere na qualidade do sono;
- Cafeína em excesso altera o padrão de sono e pode causar dor de cabeça por abstinência;
- Associação das duas bebidas aumenta o risco de desidratação, ressaca forte e crises de enxaqueca;
- Substâncias adicionais como sulfitos e tiramina podem atuar como gatilhos adicionais.
Para aprofundarmos no tema, trouxemos o vídeo do Dr. Paulo Abner, especialista em enxaquecas:
@drpauloabnerenxaqueca Elimine ou diminua o consumo dessas bebidas🤯 Encaminha para os amigos que amam essas bebidas, isso pode ajudar muito essas pessoas🤌🏻 Me siga para aprender a controlar a enxaqueca e ter mais memória🧠#enxaqueca #fy #foryou #memoriafraca ♬ som original – Dr Paulo Abner Enxaqueca
Enxaqueca é o mesmo que dor de cabeça comum
Embora a enxaqueca seja um tipo de dor de cabeça, nem toda cefaleia corresponde a uma crise de enxaqueca, pois existem vários tipos de cefaleia. As cefaleias são divididas em primárias, quando constituem o problema principal, e secundárias, quando são consequência de outras condições, como infeções, traumatismos cranianos, alterações da pressão arterial ou variações importantes da glicemia.
Entre as cefaleias primárias, destacam-se a enxaqueca, a cefaleia tipo tensão e a cefaleia em salvas, cada uma com características próprias de dor e duração. Já as cefaleias secundárias podem estar ligadas a infecções, sinusite, alterações metabólicas ou efeitos de medicamentos, exigindo diagnóstico médico cuidadoso com história clínica, exame neurológico e, quando necessário, exames de imagem.
Como reduzir o impacto da enxaqueca no dia a dia
O manejo da enxaqueca costuma combinar medicação orientada por profissionais de saúde com mudanças de estilo de vida. Estratégias como regulação do sono, hidratação ao longo do dia e atenção aos alimentos e bebidas consumidos, incluindo o controlo do álcool e da cafeína, ajudam a diminuir a frequência e intensidade das crises.
- Manter horários regulares para dormir e acordar, evitando noites mal dormidas;
- Beber água com frequência para prevenir a desidratação;
- Observar quais alimentos e bebidas precedem as crises e anotar num diário;
- Evitar ou limitar a mistura de bebidas alcoólicas com cafeína no dia a dia;
- Consultar um profissional de saúde para avaliação e plano de tratamento individualizado.
Ao identificar a relação entre determinados hábitos, como a combinação de bebidas alcoólicas e cafeinadas, e o aparecimento de enxaquecas, torna-se possível adotar escolhas mais adequadas. Esse acompanhamento contínuo, aliado à orientação médica e, se necessário, a terapias preventivas, contribui para um controlo mais eficaz das crises e para uma rotina menos marcada por episódios de dor de cabeça intensa.









