Areia branca, água azul-turquesa e nenhum litoral por perto. Santarém, no coração do Pará, guarda um dos cenários mais improváveis do Brasil: praias fluviais que rivalizam com o Caribe, emolduradas pela maior floresta tropical do planeta, sendo apelidado de “Caribe de água doce”.
Por que Alter do Chão foi eleita a praia mais bonita do Brasil?
Em 2009, o jornal britânico The Guardian colocou Alter do Chão no topo da lista de praias brasileiras. O distrito fica a 37 km de Santarém por estrada asfaltada e funciona como porta de entrada para as praias fluviais do Tapajós. Na época da vazante, entre agosto e dezembro, bancos de areia branca emergem do rio e formam a famosa Ilha do Amor.
A travessia até a ilha é feita de catraia, pequeno barco a remo que leva dois minutos e custa poucos reais. Do outro lado, o visitante escolhe entre a faixa voltada para o Lago Verde e a que beira o Tapajós. A vila preserva raízes indígenas Borari e foi reconhecida como patrimônio cultural do Pará pela Lei Estadual 9.543/2022.

O que visitar além das praias da Pérola do Tapajós?
Santarém oferece atrações que vão da floresta densa ao centro histórico colonial. Algumas exigem barco, outras ficam a minutos de carro.
- Encontro das Águas: visível da orla ou de passeio de barco que sai do Terminal Fluvial Turístico. O contraste entre Tapajós e Amazonas é o cartão-postal da cidade.
- Floresta Nacional do Tapajós: mais de 527 mil hectares administrados pelo ICMBio, com trilhas, banho em igarapés e visita a comunidades ribeirinhas. A sumaúma centenária de Maguari precisa de quase 30 pessoas para abraçar seu tronco.
- Ponta do Cururu: faixa de areia deserta onde botos aparecem ao entardecer. Sem infraestrutura, ideal para quem busca silêncio absoluto.
- Ponta de Pedras: a 35 km do centro, formações rochosas emergem na areia durante a vazante. Restaurantes servem tambaqui assado à beira do rio.
- Centro Cultural João Fona: instalado no terceiro prédio mais antigo de Santarém, exibe cerâmicas tapajônicas e peças que contam a história indígena da região.
- Praça Mirante dos Tapajós: antiga fortaleza com canhões preservados e vista panorâmica do encontro das águas.
Prepare-se para descobrir o “Caribe Amazônico” com um guia prático e completo. O vídeo é do canal Rolê Família, que conta com 158 mil inscritos, e detalha dicas de hospedagem, melhores épocas para visitar, preços de passeios e a culinária regional de Alter do Chão:
A Floresta Encantada que só existe na cheia
Entre janeiro e julho, quando o Tapajós sobe, a água invade a mata e cria os igapós. Canoas conduzidas por guias locais navegam entre troncos submersos, em silêncio total. O passeio pela Floresta Encantada parte de Alter do Chão e dura cerca de duas horas. Motores são proibidos no trecho, o que preserva a trilha sonora de pássaros e macacos.
Já na seca, o cenário muda por completo. Os mesmos pontos que estavam debaixo d’água viram trilhas de terra firme. Essa alternância entre cheia e vazante faz de Santarém um destino que se reinventa duas vezes por ano.
Sabores amazônicos que não existem em nenhum outro lugar
A gastronomia de Santarém é inseparável dos rios. Ingredientes frescos chegam direto das águas e da floresta para a mesa.
- Tambaqui assado na brasa: peixe inteiro grelhado com ervas regionais, prato obrigatório nos restaurantes de praia.
- Pato no tucupi: receita paraense clássica, servida com jambu que faz a boca formigar.
- Açaí com peixe frito: combinação que estranha quem vem de fora, mas define o paladar local.
- Mercadão 2000: frutas como cupuaçu, bacuri e murici, farinha d’água e ervas medicinais da região.

Quando ir para aproveitar cada cenário?
Santarém tem clima equatorial, quente o ano inteiro. A grande diferença está no volume de chuva, que define o nível dos rios e o tipo de passeio disponível.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.

Como chegar à confluência do Tapajós com o Amazonas?
O Aeroporto Maestro Wilson Fonseca recebe voos diretos de Belém, Manaus e Brasília. De Alter do Chão, são 37 km por estrada asfaltada, cerca de 40 minutos de carro ou ônibus urbano. A via fluvial também é opção: barcos regulares conectam Santarém a Belém (880 km, cerca de dois dias) e a Manaus (756 km).
Vá antes que todo mundo saiba o caminho
Santarém reúne floresta, rio e praia em um único destino amazônico, com uma autenticidade que grandes capitais turísticas já perderam. O encontro das águas na orla, as sumaúmas da Flona do Tapajós e a areia branca de Alter do Chão compõem uma experiência rara.
Você precisa pisar na areia da Ilha do Amor, sentir a água morna do Tapajós e entender por que chamam esse pedaço da Amazônia de Caribe.









