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Início Curiosidades

Sempre há espaço para sobremesas, e a ciência pode explicar o porquê

Por Larissa Carvalho
17/01/2026
Em Curiosidades
Sempre há espaço para sobremesas, e a ciência pode explicar o porquê

Hormônios da saciedade podem responder de forma diferente a alimentos doces

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Entre o fim do prato principal e a chegada da sobremesa, muita gente relata a mesma sensação: o corpo parece satisfeito, mas ainda surge disposição para “um docinho”. Esse fenômeno, popularmente descrito como ter “um estômago à parte” para a sobremesa, conhecido em japonês como betsubara, não envolve um segundo órgão real, mas sim a interação entre funcionamento digestivo, cérebro, hormônios da saciedade e costumes sociais.

O que é o “estômago para sobremesa” e como ele se manifesta

O chamado “estômago para sobremesa” é, na prática, uma combinação de sensação física e resposta do sistema nervoso. Durante a refeição, o estômago passa por um processo conhecido como acomodação gástrica, em que se estende para receber alimentos sem grande aumento de pressão interna, como trouxe a pesquisa “The social facilitation of eating: why does the mere presence of others cause an increase in energy intake?”.

Pratos mais pesados, ricos em gorduras e proteínas, tendem a gerar maior distensão, enquanto doces mais leves, como mousse ou sorvete, exigem menos esforço mecânico de digestão. Assim, o corpo parece “tolerar” uma porção doce após o prato principal, o que cria a impressão de existir um espaço específico reservado à sobremesa.

Para aprofundarmos no tema, trouxemos o vídeo da especialista @jessikamartinsalt:

@jessikamartinsalt Você sente vontade de doce o tempo todo? 👉 Isso não é “falta de força de vontade”, é sinal de que o seu corpo está pedindo gordura de verdade. Quando você vive à base de pão, arroz, biscoito e açúcar, o corpo entra em montanha-russa de insulina: come → tem pico de glicemia → cai rápido → vem compulsão de novo. Esse ciclo não é natural, é resultado de uma alimentação pobre em nutrientes. Agora, quando você coloca gordura saturada de qualidade (carne com gordura, ovos, manteiga, óleo de coco), o corpo fica nutrido e saciado de verdade: ✔ Energia estável ✔ Clareza mental ✔ Fome controlada ✔ Zero compulsão por doce 🍫 Ou seja: aquele desejo incontrolável de chocolate e açúcar nada mais é do que deficiência de gordura boa na sua dieta. 📌 Comece a testar: aumente as gorduras naturais no seu prato e observe como a compulsão some. E depois me conta aqui nos comentários se você já sentiu diferença! #DietaDaSelva #AnimalBased #FomeDeDoce #SaúdeDeVerdade #SelvaReset ♬ som original – jessikamartinsalt

Como o estômago e o cérebro regulam a sensação de saciedade

A ideia de que o estômago funciona como um saco de tamanho fixo não corresponde ao que a ciência descreve. A musculatura do órgão é flexível e se adapta ao conteúdo recebido, enquanto o cérebro interpreta sinais hormonais e sensoriais que vão modulando a sensação de saciedade ao longo da refeição.

A forma como o organismo percebe estar satisfeito não depende apenas do volume de comida, mas também da composição do que foi ingerido, da velocidade de digestão e da interação entre hormônios intestinais e áreas cerebrais ligadas ao controle do apetite e ao prazer.

Como funciona na prática o “estômago para sobremesa”

Durante a refeição, a acomodação gástrica permite que o estômago se expanda sem causar desconforto imediato, especialmente diante de pratos volumosos. Nesse contexto, doces menos fibrosos e cremosos, como pudins e sorvetes, ocupam espaço de forma diferente, demandando menos trituração e trabalho mecânico intenso.

Além disso, sobremesas açucaradas costumam esvaziar mais rapidamente do estômago em comparação a refeições completas, ricas em fibras, gorduras e proteínas. Essa diferença no comportamento digestivo faz com que o corpo “aceite” um doce após uma refeição farta, reforçando a ilusão de um compartimento extra para sobremesas.

O que é fome hedônica e por que ela aumenta o desejo por sobremesa

A fome hedônica ajuda a explicar a vontade de sobremesa mesmo sem necessidade energética. Enquanto a fome fisiológica está ligada ao fornecimento de energia para o organismo, a fome hedônica está associada ao prazer, ao conforto emocional e ao hábito de comer em determinadas situações.

Alimentos doces ativam áreas cerebrais ligadas à recompensa, como o sistema mesolímbico de dopamina, aumentando a motivação para continuar comendo. Após uma refeição salgada, a saciedade física pode estar presente, mas o cérebro continua receptivo a estímulos prazerosos, como a expectativa de um bolo, um pudim ou um chocolate.

Quais são os tipos de fome e como eles influenciam a sobremesa

Para entender por que a sobremesa parece ter um espaço próprio, é útil diferenciar os principais tipos de fome que atuam ao mesmo tempo. Essa distinção mostra como o desejo por doce vai além da necessidade de energia e envolve emoção, recompensa e variedade de sabores.

  • Fome fisiológica: necessidade de energia e nutrientes para manter o organismo funcionando.
  • Fome hedônica: impulso de comer ligado ao prazer, à recompensa e ao contexto emocional.
  • Saciedade específica: queda do interesse por um sabor repetido, com renovação diante de um gosto diferente, como o doce após o salgado.
Sempre há espaço para sobremesas, e a ciência pode explicar o porquê
Betubara ajuda entender impulsos alimentares, útil para controle de dieta e saciedade diária.

Como o corpo processa sobremesas e por que o tempo influencia

O funcionamento do “estômago para sobremesa” também depende dos sinais enviados pelo intestino ao cérebro. Hormônios como GLP-1, peptídeo YY e colecistocinina aumentam gradualmente após o início da refeição, construindo a sensação de estar satisfeito em um intervalo médio de 20 a 40 minutos.

Como muitas decisões sobre aceitar ou não uma sobremesa são tomadas antes de a saciedade atingir o pico, o sistema de recompensa pode se sobrepor à plenitude física. E como doces simples são digeridos rapidamente, a impressão é de que “um pequeno doce não pesa tanto”, embora a carga calórica total da refeição aumente de forma significativa.

Quais são as etapas da refeição até a sensação de plenitude

Ao longo de uma refeição, o corpo passa por fases distintas de percepção de fome e saciedade. Essas etapas combinam sinais mecânicos, como a distensão do estômago, com sinais químicos e hormonais, que chegam ao cérebro com algum atraso em relação ao ato de comer.

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  1. Início da refeição: o estômago se acomoda e os hormônios da saciedade ainda estão baixos.
  2. Metade do prato principal: sinais de satisfação começam a surgir, mas não atingiram o pico.
  3. Serviço da sobremesa: o sistema de recompensa do cérebro é ativado pelo doce e pode se sobrepor aos sinais de plenitude.
  4. Minutos depois: hormônios atingem níveis mais altos e a sensação de estar “repleto” se torna mais clara.

Como o costume e a celebração moldam o papel da sobremesa

O contexto cultural reforça de forma importante a ideia de “estômago para sobremesa”. Em muitas famílias, doces estão presentes em datas festivas, almoços de domingo, aniversários e encontros especiais, sendo associados a recompensa, carinho e encerramento da refeição desde a infância.

Pesquisas em comportamento alimentar indicam que as pessoas tendem a comer mais em situações sociais, especialmente na presença de amigos e familiares. Nesse cenário, a sobremesa funciona como símbolo de partilha e celebração, tornando comum que convidados aceitem “só mais um pedacinho” mesmo após um almoço robusto.

O “estômago para sobremesa” é mito ou tem base científica

Do ponto de vista anatômico, não existe um compartimento adicional no corpo reservado para doces. Porém, a combinação de acomodação do estômago, fome hedônica, diferenças na digestão de alimentos açucarados, atraso dos sinais hormonais de saciedade e influência cultural cria uma experiência muito concreta para quem observa o próprio comportamento à mesa.

Assim, quando alguém afirma estar cheio, mas ainda aceita um pedaço de pudim ou um sorvete, não há contradição. O que se vê é a interação entre corpo, cérebro e ambiente, que faz a sobremesa se encaixar no final das refeições como se houvesse, de fato, um “estômago à parte” para o doce.

Tags: corpo humanoCuriosidadesestômagosaudeSobremesa
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