Quem chega a Poços de Caldas, no sul de Minas Gerais, percebe um vale cercado de serras por todos os lados. O que parece apenas uma paisagem de montanha é, na verdade, a marca de um dos maiores complexos de rochas vulcânicas alcalinas do planeta, formado há dezenas de milhões de anos. Essa geologia rara explica o relevo da cidade, suas águas termais e até um mineral que recebeu o nome do lugar onde foi encontrado, em uma das paisagens mais curiosas do Sul de Minas.
Que estrutura existe por baixo de Poços de Caldas?
Um enorme maciço de rochas alcalinas. Segundo um inventário de patrimônio geológico da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), o Maciço Alcalino de Poços de Caldas tem forma circular, com cerca de 33 km de diâmetro e 800 km² de área, e é conhecido como o maior complexo alcalino da América Latina e um dos maiores do mundo.
Rochas alcalinas são aquelas formadas a partir de um tipo de magma rico em sódio e potássio. Um estudo clássico publicado no Boletim de Geologia da Universidade de São Paulo (USP) registra que o complexo de Poços de Caldas é um dos maiores do mundo, superado apenas pelos maciços da Península de Kola, na Rússia, e que os primeiros pesquisadores da região reconheceram sua natureza vulcânica.

Quando essa estrutura se formou?
No fim da era dos dinossauros. Um estudo publicado na Revista Brasileira de Geomorfologia indica que a intrusão alcalina que deu origem ao planalto de Poços de Caldas se formou há cerca de 80 milhões de anos, e que esse evento moldou a paisagem e a rede de rios da região.
Com o tempo, a erosão desgastou o terreno e deixou à mostra a forma circular do maciço. O resultado é um planalto cercado por um anel de serras, onde a cidade cresceu. A atividade vulcânica terminou há milhões de anos, e o que se vê hoje é a marca deixada por esse passado geológico na paisagem.
Que mineral recebeu o nome da cidade?
A caldasita. A rica geologia do maciço guarda minerais pouco comuns, e um deles, formado por compostos de zircônio, ganhou o nome da região. Um estudo do Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen) trata do aproveitamento desse mineral complexo, chamado de caldasito, encontrado no planalto de Poços de Caldas.
O interesse científico atravessou fronteiras. O Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) publicou estudo sobre os depósitos de zircônio do planalto de Poços de Caldas, um sinal de como a geologia da região chamou a atenção de pesquisadores de outros países ao longo do século XX.
O que ver em Poços de Caldas ligado à geologia?
A paisagem conta a história do maciço. Estes são alguns pontos para perceber essa herança.
Como a geologia virou atração turística?
Pelo potencial de geoturismo. O inventário da Unicamp selecionou 12 pontos com valor geoturístico, científico e educativo no maciço, formando um mapa do patrimônio geológico da região. A ideia é mostrar ao visitante que montanhas, rochas e águas fazem parte de uma mesma história.
Para quem visita, a experiência muda de sentido. Subir a um mirante e observar o vale cercado de serras passa a ser uma forma de enxergar a borda de uma estrutura com 80 milhões de anos. As águas termais, os minerais e o próprio relevo ganham uma explicação que torna o passeio ainda mais interessante.

Como é o clima de Poços de Caldas ao longo do ano?
O verão é muito chuvoso, e o inverno, seco e frio. Janeiro concentra 341 mm de chuva em média, enquanto julho registra 28 mm, com mínima de 11°C.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Uma cidade que mora dentro da própria geologia
Poços de Caldas está assentada sobre um dos maiores complexos alcalinos do mundo, formado há cerca de 80 milhões de anos e desgastado pela erosão até ganhar o desenho de um vale cercado de serras. Essa herança explica as águas termais, os minerais raros e até o nome de um deles. Para quem visita, cada mirante revela um pedaço da história da Terra.
Você precisa subir a Serra de São Domingos, olhar o anel de montanhas que cerca a cidade e imaginar o magma que moldou esse vale para entender por que Poços de Caldas é tão especial para a geologia.




