Entre as muitas dúvidas de ortografia em português, o uso da crase em expressões de direção chama atenção pela frequência com que aparece no dia a dia. Sinalizações de trânsito, orientações em aplicativos de mapas e até instruções em provas costumam expor a mesma pergunta: afinal, é correto escrever “Vire a esquerda” ou “Vire à esquerda”? A questão envolve uma regra específica do acento indicativo de crase e está diretamente ligada à ideia de lugar e direção.
Qual é a forma correta vire a esquerda ou vire à esquerda
A forma considerada correta pela norma culta é “Vire à esquerda”, com acento indicativo de crase. Nessa construção, o verbo “virar” exige a preposição “a” para indicar movimento em direção a algo, e “esquerda” é um substantivo feminino acompanhado de artigo definido.
Como temos “a” preposição + “a” artigo, ocorre a fusão que resulta em “à esquerda”. O mesmo acontece com outras orientações de direção, como “Siga à direita” ou “Chegue e sente-se à frente”, em que o artigo reforça que se trata de uma direção específica, não genérica.

Como funcionam as regras da crase em expressões de lugar e direção
As chamadas locuções adverbiais femininas que indicam circunstâncias de lugar, tempo, modo ou direção tendem a aparecer com crase quando iniciadas pela palavra “a”. Em orientações espaciais e de trânsito, isso é especialmente visível e recomendado em textos formais.
Nesses casos, o verbo pede preposição e o substantivo feminino admite artigo, formando combinações clássicas com crase. Algumas das mais recorrentes na língua portuguesa aparecem em instruções, sinalizações e provas:
- andar à esquerda da via;
- manter-se à direita na escada rolante;
- ficar à frente do prédio;
- sair à margem da rodovia;
- ir à esquina seguinte.
Em que situações a crase em à esquerda pode não aparecer
Embora a forma “à esquerda” seja a mais indicada em orientações de trânsito e descrições de posição, há situações em que o emprego da crase pode ser dispensado. Em linguagens mais técnicas, telegráficas ou em comandos muito enxutos, alguns redatores optam por omitir o artigo feminino.
Além disso, a ausência de crase pode ocorrer quando “esquerda” não vem precedida de artigo, em construções específicas ou expressões fixas de uso mais genérico. Nesses casos, é essencial observar a regência do verbo e o sentido: se não houver artigo, não haverá fusão com a preposição, logo não se deve usar o acento grave.
Para não errar mais, toruxemos o livro da professora Débora Dias, publicado em seu perfil @portuguesparaavida que conta com mais de 160 mil seguidores:
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Como identificar se é preciso usar crase em indicações de direção
Uma estratégia simples ajuda a testar o uso da crase em expressões como “à esquerda” ou “à direita”. A orientação pode ser entendida como um passo a passo prático para revisar rapidamente o conteúdo e evitar erros em redações, provas e comunicações do dia a dia.
- Verificar o verbo: confirmar se ele pede a preposição “a” para indicar direção ou destino, como “ir a”, “voltar a”, “chegar a”, “virar a”.
- Identificar o substantivo: observar se a palavra seguinte é um substantivo feminino (esquerda, direita, frente, margem, esquina etc.).
- Testar o artigo: substituir o substantivo feminino por uma forma masculina equivalente. Se a frase aceitar “ao” (preposição “a” + artigo “o”), é sinal de que, no feminino, haverá “à”.
Aplicando esse teste em “Vire à esquerda”, pode-se imaginar a frase “Vire ao lado direito”. Como “ao” aparece naturalmente, indica que, no feminino, o uso de “à” é coerente. Com esse tipo de verificação, a dúvida tende a diminuir não apenas com “à esquerda”, mas também com outras expressões que indicam localização e direção no português atual.










