{"id":258082,"date":"2026-06-13T20:15:00","date_gmt":"2026-06-13T23:15:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.correiobraziliense.com.br\/cbradar\/?p=258082"},"modified":"2026-06-12T19:56:05","modified_gmt":"2026-06-12T22:56:05","slug":"o-animal-mais-temido-do-oceano-agora-ajuda-a-prever-o-tempo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.correiobraziliense.com.br\/cbradar\/o-animal-mais-temido-do-oceano-agora-ajuda-a-prever-o-tempo\/","title":{"rendered":"O animal mais temido do oceano agora ajuda a prever o tempo"},"content":{"rendered":"\n<p>Um estudo inovador publicado na prestigiada revista cient\u00edfica <strong>npj Climate and Atmospheric Science<\/strong> revelou que os predadores mais temidos dos oceanos podem ser aliados cruciais na meteorologia moderna. Atrav\u00e9s da utiliza\u00e7\u00e3o de sensores eletr\u00f3nicos acoplados a tubar\u00f5es, uma equipa de cientistas conseguiu recolher dados oceanogr\u00e1ficos vitais em regi\u00f5es de dif\u00edcil acesso, otimizando as <strong>previs\u00f5es clim\u00e1ticas sazonais<\/strong> e a nossa compreens\u00e3o sobre a din\u00e2mica dos oceanos.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">A sinergia entre a ecologia marinha e a ci\u00eancia atmosf\u00e9rica<\/h2>\n\n\n\n<p>O estudo, intitulado <em>&#8220;<a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41612-026-01394-9\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Improved seasonal climate forecasting using shark-borne sensor data in a dynamic ocean<\/a>&#8220;<\/em>, foi liderado pela investigadora <strong>Laura H. McDonnell<\/strong>, em colabora\u00e7\u00e3o com o ecologista marinho <strong>Neil Hammerschlag<\/strong> e o cientista atmosf\u00e9rico <strong>Ben Kirtman<\/strong>. A investiga\u00e7\u00e3o nasceu de uma abordagem interdisciplinar que percebeu o potencial ecol\u00f3gico dos tubar\u00f5es para l\u00e1 do estudo do seu pr\u00f3prio comportamento migrat\u00f3rio, transformando-os em aut\u00eanticos sensores m\u00f3veis que trabalham de forma cont\u00ednua no ecossistema.<\/p>\n\n\n\n<p>Os m\u00e9todos tradicionais de monitoriza\u00e7\u00e3o oce\u00e2nica, como as boias flutuantes do sistema Argo, s\u00e3o extremamente eficazes \u00e0 escala global, mas enfrentam limita\u00e7\u00f5es severas em \u00e1guas costeiras rasas e zonas de plataforma continental de forte din\u00e2mica hidrodin\u00e2mica. Os tubar\u00f5es, pelo contr\u00e1rio, movem-se livremente por estas \u00e1reas complexas, cruzando diferentes colunas de \u00e1gua ao longo do dia e preenchendo <strong>lacunas de dados<\/strong> que os sat\u00e9lites \u2014 que apenas analisam a superf\u00edcie (&#8220;a pele&#8221;) do oceano \u2014 n\u00e3o conseguem detetar.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img decoding=\"async\" width=\"1280\" height=\"720\" src=\"https:\/\/www.correiobraziliense.com.br\/cbradar\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/tubarao-_1781304896238.jpg\" alt=\"previs\u00f5es clim\u00e1ticas sazonais\" class=\"wp-image-258084\" srcset=\"https:\/\/www.correiobraziliense.com.br\/cbradar\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/tubarao-_1781304896238.jpg 1280w, https:\/\/www.correiobraziliense.com.br\/cbradar\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/tubarao-_1781304896238-300x169.jpg 300w, https:\/\/www.correiobraziliense.com.br\/cbradar\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/tubarao-_1781304896238-768x432.jpg 768w, https:\/\/www.correiobraziliense.com.br\/cbradar\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/tubarao-_1781304896238-750x422.jpg 750w, https:\/\/www.correiobraziliense.com.br\/cbradar\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/tubarao-_1781304896238-1140x641.jpg 1140w\" sizes=\"(max-width: 1280px) 100vw, 1280px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Um estudo inovador publicado na prestigiada revista cient\u00edfica npj Climate and Atmospheric Science revelou que os predadores mais temidos dos oceanos podem ser aliados cruciais na meteorologia moderna &#8211; Cr\u00e9ditos: depositphotos.com \/ ekrem@hotmail.es<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<p>Leia tamb\u00e9m: <a href=\"https:\/\/www.correiobraziliense.com.br\/cbradar\/voce-sabe-por-que-sente-ciumes-a-resposta-vai-surpreender\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Voc\u00ea sabe por que sente ci\u00fames? A resposta vai surpreender<\/a><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Os dados recolhidos pelos predadores no Noroeste Atl\u00e2ntico<\/h2>\n\n\n\n<p>Durante as campanhas de campo realizadas ao largo de Cape Cod, a equipa de investigadores monitorizou com sucesso um grupo selecionado de animais marinhos de grande porte. Os dispositivos de sat\u00e9lite avan\u00e7ados registaram dados cont\u00ednuos de press\u00e3o, profundidade e temperatura atrav\u00e9s das rotas migrat\u00f3rias naturais destes esp\u00e9cimes. O esfor\u00e7o amostral gerou m\u00e9tricas volumosas fundamentais para calibrar as simula\u00e7\u00f5es em computadores de alta performance:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>Foram monitorizados exatamente <strong>18 tubar\u00f5es-azuis<\/strong> (<em>Prionace glauca<\/em>) e <strong>1 tubar\u00e3o-mako<\/strong> (<em>Isurus oxyrinchus<\/em>).<\/li>\n\n\n\n<li>Os animais transmitiram mais de <strong>8.200 perfis de temperatura e profundidade<\/strong> em tempo quase real sempre que vinham \u00e0 superf\u00edcie.<\/li>\n\n\n\n<li>As medi\u00e7\u00f5es verticais alcan\u00e7aram profundidades extremas que chegaram a quase <strong>2.000 metros<\/strong> abaixo da superf\u00edcie.<\/li>\n\n\n\n<li>Na \u00e1rea de estudo estipulada, os tubar\u00f5es recolheram cerca de <strong>90% mais perfis verticais<\/strong> do que as boias Argo convencionais no mesmo per\u00edodo.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Resultados pr\u00e1ticos e a precis\u00e3o dos modelos clim\u00e1ticos<\/h2>\n\n\n\n<p>Os dados <em>in-situ<\/em> gerados pelos tubar\u00f5es foram integrados no <strong>Community Climate System Model version 4 (CCSM4)<\/strong>, um modelo clim\u00e1tico avan\u00e7ado mantido pelo University Corporation for Atmospheric Research. Os cientistas correram dois conjuntos distintos de previs\u00f5es sazonais para avaliar o impacto real das novas informa\u00e7\u00f5es: um grupo de controlo baseado apenas nos dados de sensores convencionais e outro enriquecido com as leituras dos predadores marinhos.<\/p>\n\n\n\n<p>A compara\u00e7\u00e3o com as observa\u00e7\u00f5es de sat\u00e9lite reais demonstrou uma evolu\u00e7\u00e3o extraordin\u00e1ria. A incorpora\u00e7\u00e3o dos dados biol\u00f3gicos reduziu drasticamente os desvios estat\u00edsticos do modelo. Em regi\u00f5es oce\u00e2nicas din\u00e2micas e zonas costeiras cruciais para a pesca e ecossistemas marinhos, os <strong>erros de previs\u00e3o da temperatura da superf\u00edcie diminu\u00edram at\u00e9 40%<\/strong>. Esta margem de melhoria representa um avan\u00e7o cr\u00edtico para prever fen\u00f3menos meteorol\u00f3gicos severos e gerir frotas mar\u00edtimas com maior seguran\u00e7a.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img decoding=\"async\" width=\"1280\" height=\"720\" src=\"https:\/\/www.correiobraziliense.com.br\/cbradar\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/tubarao-_1781304930249.jpg\" alt=\"previs\u00f5es clim\u00e1ticas sazonais\" class=\"wp-image-258085\" srcset=\"https:\/\/www.correiobraziliense.com.br\/cbradar\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/tubarao-_1781304930249.jpg 1280w, https:\/\/www.correiobraziliense.com.br\/cbradar\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/tubarao-_1781304930249-300x169.jpg 300w, https:\/\/www.correiobraziliense.com.br\/cbradar\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/tubarao-_1781304930249-768x432.jpg 768w, https:\/\/www.correiobraziliense.com.br\/cbradar\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/tubarao-_1781304930249-750x422.jpg 750w, https:\/\/www.correiobraziliense.com.br\/cbradar\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/tubarao-_1781304930249-1140x641.jpg 1140w\" sizes=\"(max-width: 1280px) 100vw, 1280px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">A compara\u00e7\u00e3o com as observa\u00e7\u00f5es de sat\u00e9lite reais demonstrou uma evolu\u00e7\u00e3o extraordin\u00e1ria &#8211; Cr\u00e9ditos: depositphotos.com \/ bearacreative<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O futuro dos sensores biol\u00f3gicos na oceanografia<\/h2>\n\n\n\n<p>Os autores do estudo enfatizam que estes sensores acoplados a animais n\u00e3o visam substituir os sistemas de observa\u00e7\u00e3o convencionais, mas sim atuar como uma <strong>ferramenta complementar de alta efici\u00eancia<\/strong>. Aproveitar o comportamento natural dos predadores permite expandir a rede de monitoriza\u00e7\u00e3o global sem os custos astron\u00f3micos associados \u00e0 manuten\u00e7\u00e3o de frotas rob\u00f3ticas adicionais nessas \u00e1reas complexas.<\/p>\n\n\n\n<p>O sucesso deste projeto-piloto abre portas para que novos grupos de animais marinhos sejam integrados em redes internacionais de vigil\u00e2ncia ambiental. O avan\u00e7o desta tecnologia promete refinar n\u00e3o apenas os modelos sazonais de temperatura, mas tamb\u00e9m os sistemas de alerta precoce para tempestades e furac\u00f5es que retiram a sua for\u00e7a do calor armazenado nas camadas profundas do oceano. Acompanhar estas inova\u00e7\u00f5es demonstra como a coopera\u00e7\u00e3o entre a biologia e a meteorologia pode desvendar os maiores segredos da nossa atmosfera.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um estudo inovador publicado na prestigiada revista cient\u00edfica npj Climate and Atmospheric Science revelou que os predadores mais temidos dos oceanos podem ser aliados cruciais na meteorologia moderna. 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