{"id":263590,"date":"2026-06-23T10:05:00","date_gmt":"2026-06-23T13:05:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.correiobraziliense.com.br\/cbradar\/?p=263590"},"modified":"2026-06-22T17:54:23","modified_gmt":"2026-06-22T20:54:23","slug":"o-som-que-rasgou-o-planeta-como-o-krakatoa-atingiu-310-db-e-deu-3-voltas-ao-mundo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.correiobraziliense.com.br\/cbradar\/o-som-que-rasgou-o-planeta-como-o-krakatoa-atingiu-310-db-e-deu-3-voltas-ao-mundo\/","title":{"rendered":"O som que rasgou o planeta: como o Krakatoa atingiu 310 dB e deu 3 voltas ao mundo"},"content":{"rendered":"\n<p>Imagine ouvir um estrondo t\u00e3o forte e t\u00e3o assustador que faz janelas tremerem, pessoas se jogarem no ch\u00e3o e instrumentos pelo mundo todo registrarem a mesma onda de choque. Foi isso que aconteceu em 1883, quando a erup\u00e7\u00e3o do vulc\u00e3o Krakatoa produziu o que muitos consideram o som mais alto j\u00e1 registrado na Terra, estimado em cerca de 310 decib\u00e9is e ouvido a aproximadamente 4.800 quil\u00f4metros de dist\u00e2ncia.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O que significa dizer que o Krakatoa atingiu 310 decib\u00e9is<\/h2>\n\n\n\n<p>A estimativa de que a erup\u00e7\u00e3o do vulc\u00e3o Krakatoa chegou a cerca de 310 dB vem de relatos de testemunhas, medi\u00e7\u00f5es indiretas de press\u00e3o atmosf\u00e9rica e an\u00e1lises posteriores de especialistas em <b>ac\u00fastica<\/b> e geof\u00edsica. Em 1883 n\u00e3o havia medidores de som modernos, ent\u00e3o o n\u00famero resulta de c\u00e1lculos que relacionam a energia liberada, o alcance do ru\u00eddo e os registros barom\u00e9tricos espalhados pelo globo.<\/p>\n\n\n\n<p>Os decib\u00e9is formam uma escala logar\u00edtmica, em que pequenos aumentos num\u00e9ricos representam grandes saltos de intensidade. Um som 20 dB mais alto \u00e9 100 vezes mais intenso em termos de energia, o que ajuda a entender por que um estrondo de 310 dB ultrapassa qualquer limite suport\u00e1vel ao ouvido humano e beira algo mais pr\u00f3ximo de uma onda de choque do que de um som comum no ar, sendo estudado hoje em \u00e1reas como a <b>psicoac\u00fastica<\/b> para entender seus efeitos extremos na percep\u00e7\u00e3o humana.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img decoding=\"async\" width=\"1280\" height=\"720\" src=\"https:\/\/www.correiobraziliense.com.br\/cbradar\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/vulcao.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-255783\" srcset=\"https:\/\/www.correiobraziliense.com.br\/cbradar\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/vulcao.jpg 1280w, https:\/\/www.correiobraziliense.com.br\/cbradar\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/vulcao-300x169.jpg 300w, https:\/\/www.correiobraziliense.com.br\/cbradar\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/vulcao-768x432.jpg 768w, https:\/\/www.correiobraziliense.com.br\/cbradar\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/vulcao-750x422.jpg 750w, https:\/\/www.correiobraziliense.com.br\/cbradar\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/vulcao-1140x641.jpg 1140w\" sizes=\"(max-width: 1280px) 100vw, 1280px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Esse ru\u00eddo assustador viajou milhares de quil\u00f4metros e p\u00f4de ser ouvido nitidamente por popula\u00e7\u00f5es localizadas no meio do Oceano \u00cdndico<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<p>Leia tamb\u00e9m:&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.correiobraziliense.com.br\/cbradar\/brasil-se-aproxima-de-canada-chile-e-estados-unidos-ao-apostar-em-paineis-sip-na-construcao-civil-o-que-muda-no-isolamento-desperdicio-e-prazo-da-obra\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Brasil se aproxima de Canad\u00e1, Chile e Estados Unidos ao apostar em pain\u00e9is SIP na constru\u00e7\u00e3o civil: o que muda no isolamento, desperd\u00edcio e prazo da obra<\/a><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Quais foram os impactos do estrondo do Krakatoa ao redor do mundo<\/h2>\n\n\n\n<p>Nos arredores do Krakatoa, relatos hist\u00f3ricos mencionam t\u00edmpanos rompidos, janelas estilha\u00e7adas e estruturas danificadas a dezenas de quil\u00f4metros da ilha. A cerca de 160 km de dist\u00e2ncia, estimativas apontam que o n\u00edvel sonoro ainda estava em torno de 172 dB, o suficiente para causar les\u00f5es auditivas severas em qualquer pessoa exposta ao estrondo por um curto per\u00edodo, algo que hoje seria classificado como cen\u00e1rio de risco m\u00e1ximo em normas de <b>seguran\u00e7a<\/b> ocupacional.<\/p>\n\n\n\n<p>Em pontos muito mais distantes, o ru\u00eddo foi percebido como um disparo de artilharia ou um trov\u00e3o prolongado, confundindo moradores e navegadores em diferentes regi\u00f5es do planeta. Em v\u00e1rios portos, marinheiros anotaram em di\u00e1rios o misterioso som que parecia vir de lugar nenhum, mostrando como esse evento marcou a mem\u00f3ria de quem viveu aquela \u00e9poca e se tornou refer\u00eancia cl\u00e1ssica em estudos de <b>historiografia<\/b> cient\u00edfica.<\/p>\n\n\n\n<p>Para mais sobre esse vulc\u00e3o, separamos um v\u00eddeo do canal <strong><a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/@cortesdostag\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Cortes do Stag<\/a><\/strong> com a hist\u00f3riado Krakatoa:<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<div class=\"jeg_video_container jeg_video_content\"><iframe loading=\"lazy\" title=\"KRAKATOA, A EXPLOS\u00c3O QUE FEZ O PLANETA OUVIR O SOM DO FIM DO MUNDO! | REACT CASOS REAIS\" width=\"500\" height=\"281\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/ryk3vdZCdO4?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/div>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Como o som do Krakatoa se compara a outros grandes estrondos hist\u00f3ricos<\/h2>\n\n\n\n<p>O chamado evento de Tunguska, em 1908, \u00e9 um dos principais candidatos a competir em intensidade sonora com o Krakatoa. A explos\u00e3o, provavelmente causada pela entrada de um corpo celeste na atmosfera sobre a Sib\u00e9ria central, devastou milhares de hectares de floresta e foi ouvida a centenas de quil\u00f4metros de dist\u00e2ncia, com relatos de clar\u00f5es e forte calor, servindo hoje como caso emblem\u00e1tico em modelos de <b>impactos<\/b> c\u00f3smicos.<\/p>\n\n\n\n<p>Estudos sugerem que Tunguska pode ter atingido algo em torno de 300 dB em seu ponto de origem, valor semelhante ao atribu\u00eddo ao Krakatoa. J\u00e1 entre eventos provocados pelo ser humano, a Tsar Bomba, testada pela Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica em 1961, alcan\u00e7ou cerca de 224 dB nas proximidades da explos\u00e3o, muito abaixo dos grandes fen\u00f4menos naturais, embora ainda seja um feito impressionante da tecnologia humana e um marco na discuss\u00e3o sobre limites de <b>armamentos<\/b> nucleares.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img decoding=\"async\" width=\"1280\" height=\"720\" src=\"https:\/\/www.correiobraziliense.com.br\/cbradar\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/vulcao-1.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-255784\" srcset=\"https:\/\/www.correiobraziliense.com.br\/cbradar\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/vulcao-1.jpg 1280w, https:\/\/www.correiobraziliense.com.br\/cbradar\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/vulcao-1-300x169.jpg 300w, https:\/\/www.correiobraziliense.com.br\/cbradar\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/vulcao-1-768x432.jpg 768w, https:\/\/www.correiobraziliense.com.br\/cbradar\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/vulcao-1-750x422.jpg 750w, https:\/\/www.correiobraziliense.com.br\/cbradar\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/vulcao-1-1140x641.jpg 1140w\" sizes=\"(max-width: 1280px) 100vw, 1280px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"> press\u00e3o gerada pela explos\u00e3o vulc\u00e2nica rompeu instantaneamente os t\u00edmpanos de marinheiros que navegavam a dezenas de quil\u00f4metros do local<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Quais s\u00e3o os efeitos de ru\u00eddos extremos em pessoas, estruturas e no ambiente<\/h2>\n\n\n\n<p>Ru\u00eddos de alt\u00edssima intensidade, como o som do Krakatoa, podem deixar marcas profundas em quem estava por perto e tamb\u00e9m nas cidades e paisagens. Para entender melhor essas consequ\u00eancias, vale olhar para alguns dos principais efeitos observados ou estimados em situa\u00e7\u00f5es de estrondos muito acima do n\u00edvel considerado seguro, o que ajuda a definir normas de <b>prote\u00e7\u00e3o<\/b> civil em \u00e1reas de risco.<\/p>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\">\n<li><b>Danos<\/b> auditivos: rompimento de t\u00edmpanos, perda s\u00fabita de audi\u00e7\u00e3o e zumbidos persistentes em pessoas expostas ao impacto.<\/li>\n\n\n\n<li>Impacto fisiol\u00f3gico: altera\u00e7\u00f5es na press\u00e3o interna do corpo, desconforto intenso, tonturas e sensa\u00e7\u00e3o de desorienta\u00e7\u00e3o imediata.<\/li>\n\n\n\n<li>Efeitos em edif\u00edcios: janelas quebradas, portas arrancadas e danos em paredes e telhados, mesmo a muitos quil\u00f4metros da origem.<\/li>\n\n\n\n<li>Influ\u00eancia ambiental: deslocamento de animais, ondas em corpos d\u2019\u00e1gua, queda de \u00e1rvores e mudan\u00e7as tempor\u00e1rias no comportamento da fauna.<\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Como uma onda de choque t\u00e3o intensa consegue dar a volta ao mundo<\/h2>\n\n\n\n<p>Quando um evento libera energia em escala colossal, como no Krakatoa, o que se espalha n\u00e3o \u00e9 apenas um som cotidiano, mas uma verdadeira onda de choque atmosf\u00e9rica. Essa perturba\u00e7\u00e3o viaja grandes dist\u00e2ncias e pode ser detectada por instrumentos sens\u00edveis, mesmo quando j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 mais aud\u00edvel, como mostraram os bar\u00f3grafos em 1883 e como demonstram hoje as redes globais de monitoramento de <b>infrasom<\/b>.<\/p>\n\n\n\n<p>A propaga\u00e7\u00e3o depende de fatores como temperatura, densidade do ar e altitude, que podem guiar e refletir essas ondas em determinadas camadas da atmosfera. No caso da erup\u00e7\u00e3o indon\u00e9sia, estudos indicam que a onda de choque completou ao menos tr\u00eas voltas ao redor da Terra antes de se dissipar, algo que hoje ainda intriga pesquisadores e entusiastas e inspira simula\u00e7\u00f5es computacionais em modelos de <b>climatologia<\/b> ac\u00fastica.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Imagine ouvir um estrondo t\u00e3o forte e t\u00e3o assustador que faz janelas tremerem, pessoas se jogarem no ch\u00e3o e instrumentos pelo mundo todo registrarem a mesma onda de choque. 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