{"id":263935,"date":"2026-06-23T06:45:00","date_gmt":"2026-06-23T09:45:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.correiobraziliense.com.br\/cbradar\/?p=263935"},"modified":"2026-06-22T17:53:27","modified_gmt":"2026-06-22T20:53:27","slug":"a-questao-de-o-que-veio-primeiro-o-ovo-ou-a-galinha-tem-sua-versao-cosmica-apresentada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.correiobraziliense.com.br\/cbradar\/a-questao-de-o-que-veio-primeiro-o-ovo-ou-a-galinha-tem-sua-versao-cosmica-apresentada\/","title":{"rendered":"A quest\u00e3o de &#8220;o que veio primeiro, o ovo ou a galinha&#8221; tem sua vers\u00e3o c\u00f3smica apresentada"},"content":{"rendered":"\n<p>Imagine olhar para o c\u00e9u e enxergar n\u00e3o apenas estrelas, mas um passado distante, quando o universo ainda estava \u201cse organizando\u201d. Foi assim em 2026, quando astr\u00f4nomos observaram o Abell2744-QSO1, um quasar extremamente distante visto com o <b>Telesc\u00f3pio<\/b> Espacial James Webb. O que mais chama aten\u00e7\u00e3o \u00e9 um buraco negro supermassivo surgindo em um universo ainda jovem, levantando uma d\u00favida intrigante: em alguns lugares, o buraco negro pode ter se formado antes da pr\u00f3pria gal\u00e1xia?<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O que torna o buraco negro de Abell2744-QSO1 especial<\/h2>\n\n\n\n<p>Abell2744-QSO1 \u00e9 visto como era cerca de 700 milh\u00f5es de anos ap\u00f3s o Big Bang, um intervalo muito curto na escala do cosmos. Nessa fase, os cientistas esperavam encontrar apenas gal\u00e1xias \u201cem crescimento\u201d e buracos negros pequenos, mas os dados mostram algo bem diferente: um buraco negro supermassivo com cerca de 50 milh\u00f5es de massas solares, um verdadeiro <b>recordista<\/b> em crescimento precoce.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse grande descompasso entre o tamanho do buraco negro e o porte do sistema em volta \u00e9 um dos pontos mais comentados. Em gal\u00e1xias mais pr\u00f3ximas, o buraco negro costuma ser s\u00f3 uma pequena fra\u00e7\u00e3o da massa total, mas em QSO1 ele representa uma parte enorme do que existe ali, sugerindo que cresceu r\u00e1pido demais em compara\u00e7\u00e3o com o restante da estrutura, desafiando os modelos de <b>forma\u00e7\u00e3o<\/b> tradicionais.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img decoding=\"async\" width=\"1280\" height=\"714\" src=\"https:\/\/www.correiobraziliense.com.br\/cbradar\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Abstract_diagram_black_hole_gas_202606181755-1280x714.jpeg\" alt=\"estrelas com buracos negros\" class=\"wp-image-261720\" srcset=\"https:\/\/www.correiobraziliense.com.br\/cbradar\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Abstract_diagram_black_hole_gas_202606181755-1280x714.jpeg 1280w, https:\/\/www.correiobraziliense.com.br\/cbradar\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Abstract_diagram_black_hole_gas_202606181755-300x167.jpeg 300w, https:\/\/www.correiobraziliense.com.br\/cbradar\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Abstract_diagram_black_hole_gas_202606181755-768x429.jpeg 768w, https:\/\/www.correiobraziliense.com.br\/cbradar\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Abstract_diagram_black_hole_gas_202606181755-750x419.jpeg 750w, https:\/\/www.correiobraziliense.com.br\/cbradar\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Abstract_diagram_black_hole_gas_202606181755-1140x636.jpeg 1140w, https:\/\/www.correiobraziliense.com.br\/cbradar\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Abstract_diagram_black_hole_gas_202606181755.jpeg 1376w\" sizes=\"(max-width: 1280px) 100vw, 1280px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">A capacidade tecnol\u00f3gica de observar a inf\u00e2ncia do cosmos exige espelhos de ber\u00edlio super-resfriados capazes de captar a luz esticada pela expans\u00e3o do universo.<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<p>Leia tamb\u00e9m:&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.correiobraziliense.com.br\/cbradar\/james-webb-descobriu-uma-galaxia-antiga-mas-que-parece-ter-pulado-bilhoes-de-anos-de-evolucao\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">James Webb descobriu uma gal\u00e1xia antiga mas que parece ter pulado bilh\u00f5es de anos de evolu\u00e7\u00e3o<\/a><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Como o Telesc\u00f3pio James Webb revelou esse buraco negro distante<\/h2>\n\n\n\n<p>Para enxergar QSO1, o James Webb contou com uma ajudinha da pr\u00f3pria natureza: o objeto est\u00e1 atr\u00e1s de um aglomerado de gal\u00e1xias que funciona como uma lente gravitacional. A gravidade desse aglomerado desvia e amplia a luz que vem de tr\u00e1s, como uma lupa c\u00f3smica, deixando o quasar mais vis\u00edvel e permitindo medi\u00e7\u00f5es bem detalhadas desse <b>sinal<\/b> extremamente fraco.<\/p>\n\n\n\n<p>Com essa luz amplificada, os pesquisadores usaram um espectr\u00f3grafo para separar a luz em cores e estudar o movimento do g\u00e1s ao redor do centro de QSO1. Ao medir se o g\u00e1s se aproxima ou se afasta, e a que velocidade, \u00e9 poss\u00edvel estimar a massa do objeto que domina a regi\u00e3o \u2014 e os n\u00fameros apontam para um buraco negro realmente gigantesco, cujo <b>campo<\/b> gravitacional molda todo o ambiente pr\u00f3ximo.<\/p>\n\n\n\n<p>No v\u00eddeo abaixo do canal <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/@NASAGoddard\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA Goddard<\/a>, \u00e9 mostrado a galaxia em discuss\u00e3o:<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<div class=\"jeg_video_container jeg_video_content\"><iframe loading=\"lazy\" title=\"Hubble\u2019s Inside The Image: Abell 2744\" width=\"500\" height=\"281\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/ADE5nPLRIxE?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/div>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O buraco negro de Abell2744-QSO1 surgiu antes da gal\u00e1xia<\/h2>\n\n\n\n<p>Um dos aspectos mais curiosos em QSO1 \u00e9 a composi\u00e7\u00e3o do g\u00e1s ao redor do buraco negro. Os dados mostram um ambiente dominado por hidrog\u00eanio e h\u00e9lio, elementos que surgiram pouco depois do Big Bang, enquanto elementos mais pesados, produzidos no interior das estrelas, aparecem em quantidade bem menor do que se esperaria em uma gal\u00e1xia mais <b>evolu\u00edda<\/b>.<\/p>\n\n\n\n<p>Isso indica que a regi\u00e3o \u00e9 \u201cjovem\u201d do ponto de vista qu\u00edmico, mas j\u00e1 abriga um buraco negro desenvolvido, o que contrasta com os modelos cl\u00e1ssicos. Em vez de muitas estrelas massivas vivendo e morrendo antes da forma\u00e7\u00e3o de um grande n\u00facleo, parece que uma parte importante da massa do sistema caiu de forma mais direta em um \u00fanico buraco negro, num processo de <b>acr\u00e9scimo<\/b> muito mais eficiente do que o visto em \u00e9pocas posteriores.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" width=\"1280\" height=\"714\" src=\"https:\/\/www.correiobraziliense.com.br\/cbradar\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Galaxies_distorting_light_arc_202606221751-1280x714.jpeg\" alt=\"buraco negro \" class=\"wp-image-263948\" srcset=\"https:\/\/www.correiobraziliense.com.br\/cbradar\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Galaxies_distorting_light_arc_202606221751-1280x714.jpeg 1280w, https:\/\/www.correiobraziliense.com.br\/cbradar\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Galaxies_distorting_light_arc_202606221751-300x167.jpeg 300w, https:\/\/www.correiobraziliense.com.br\/cbradar\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Galaxies_distorting_light_arc_202606221751-768x429.jpeg 768w, https:\/\/www.correiobraziliense.com.br\/cbradar\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Galaxies_distorting_light_arc_202606221751-750x419.jpeg 750w, https:\/\/www.correiobraziliense.com.br\/cbradar\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Galaxies_distorting_light_arc_202606221751-1140x636.jpeg 1140w, https:\/\/www.correiobraziliense.com.br\/cbradar\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Galaxies_distorting_light_arc_202606221751.jpeg 1376w\" sizes=\"(max-width: 1280px) 100vw, 1280px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Isso indica que a regi\u00e3o \u00e9 \u201cjovem\u201d do ponto de vista qu\u00edmico, mas j\u00e1 abriga um buraco negro desenvolvido, o que contrasta com os modelos cl\u00e1ssicos. <\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Principais hip\u00f3teses para explicar um buraco negro t\u00e3o grande t\u00e3o cedo<\/h2>\n\n\n\n<p>Para tentar explicar esse crescimento t\u00e3o r\u00e1pido, os cientistas trabalham com alguns cen\u00e1rios que fogem um pouco da ideia de evolu\u00e7\u00e3o lenta e gradual. Essas hip\u00f3teses ajudam a imaginar caminhos diferentes para a forma\u00e7\u00e3o de buracos negros gigantes no universo jovem, sugerindo que existiram v\u00e1rias rotas de <b>origem<\/b> para esses objetos extremos.<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><b>Colapso<\/b> direto: nuvens enormes de g\u00e1s poderiam perder estabilidade e desmoronar quase de uma vez, formando um buraco negro j\u00e1 muito massivo, sem passar por v\u00e1rias gera\u00e7\u00f5es de estrelas.<\/li>\n\n\n\n<li>Buracos negros primordiais: objetos hipot\u00e9ticos criados por flutua\u00e7\u00f5es extremas de densidade nos instantes iniciais do universo, que poderiam servir como \u201csementes\u201d j\u00e1 bem grandes para o crescimento r\u00e1pido, influenciando desde cedo a forma\u00e7\u00e3o de estruturas em grande <b>escala<\/b>.<\/li>\n\n\n\n<li>Alimenta\u00e7\u00e3o intensa: per\u00edodos em que o buraco negro engole grandes quantidades de g\u00e1s em pouco tempo, acelerando seu crescimento em rela\u00e7\u00e3o ao restante da gal\u00e1xia, talvez ultrapassando at\u00e9 o chamado limite de Eddington em fases mais <b>turbulentas<\/b>.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O que Abell2744-QSO1 muda no entendimento da forma\u00e7\u00e3o de gal\u00e1xias<\/h2>\n\n\n\n<p>A presen\u00e7a de um buraco negro t\u00e3o massivo em um universo ainda em forma\u00e7\u00e3o sugere que gal\u00e1xias e seus n\u00facleos podem seguir mais de um caminho de evolu\u00e7\u00e3o. Em muitos casos, a gal\u00e1xia cresce primeiro e o centro acompanha, mas QSO1 indica que, \u00e0s vezes, o buraco negro pode surgir cedo e influenciar tudo ao redor, regulando ventos, jatos e a pr\u00f3pria taxa de forma\u00e7\u00e3o de <b>estrelas<\/b>.<\/p>\n\n\n\n<p>O James Webb j\u00e1 encontrou outros objetos pequenos e avermelhados em regi\u00f5es muito distantes, que podem esconder hist\u00f3rias parecidas. \u00c0 medida que novas observa\u00e7\u00f5es forem estudadas, ser\u00e1 poss\u00edvel saber se Abell2744-QSO1 \u00e9 um caso raro ou se faz parte de uma popula\u00e7\u00e3o maior \u2014 o que obrigaria os modelos de evolu\u00e7\u00e3o c\u00f3smica a incluir cen\u00e1rios em que, em certos cantos do universo primordial, o buraco negro veio antes da gal\u00e1xia completa, alterando nossa vis\u00e3o da cronologia do <b>cosmos<\/b>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Imagine olhar para o c\u00e9u e enxergar n\u00e3o apenas estrelas, mas um passado distante, quando o universo ainda estava \u201cse organizando\u201d. 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