{"id":264134,"date":"2026-06-24T14:25:00","date_gmt":"2026-06-24T17:25:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.correiobraziliense.com.br\/cbradar\/?p=264134"},"modified":"2026-06-23T20:58:51","modified_gmt":"2026-06-23T23:58:51","slug":"o-queijo-mais-antigo-do-mundo-foi-descoberto-em-mumias-na-china","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.correiobraziliense.com.br\/cbradar\/o-queijo-mais-antigo-do-mundo-foi-descoberto-em-mumias-na-china\/","title":{"rendered":"O queijo mais antigo do mundo foi descoberto em m\u00famias na China"},"content":{"rendered":"\n<p>Imagine abrir uma tumba de milhares de anos e, em vez de s\u00f3 encontrar ossos e tecidos, dar de cara com um tipo de <b>queijo<\/b> antigo ainda vis\u00edvel ao lado das m\u00famias. Foi exatamente isso que aconteceu na regi\u00e3o da Bacia do Tarim, na China, onde arque\u00f3logos descobriram uma subst\u00e2ncia esbranqui\u00e7ada preservada junto aos corpos. An\u00e1lises mostraram que se tratava de um derivado de leite fermentado, muito parecido com o que hoje conhecemos como kefir, ligando pr\u00e1ticas alimentares milenares a h\u00e1bitos ainda presentes na nossa mesa.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O que torna esse queijo das m\u00famias t\u00e3o especial<\/h2>\n\n\n\n<p>Esses achados chamaram a aten\u00e7\u00e3o de cientistas porque re\u00fanem, em um mesmo cen\u00e1rio, alimenta\u00e7\u00e3o cotidiana, rituais de morte e pistas sobre a hist\u00f3ria dos <b>microrganismos<\/b> usados at\u00e9 hoje na fermenta\u00e7\u00e3o do leite. O clima extremamente seco e salino do cemit\u00e9rio de Xiaohe ajudou a conservar tanto as m\u00famias quanto o alimento, como se fosse uma c\u00e1psula do tempo protegendo cheiros, sabores e pr\u00e1ticas de outra era.<\/p>\n\n\n\n<p>Gra\u00e7as a essas condi\u00e7\u00f5es, pesquisadores puderam analisar com detalhe como esse queijo foi feito e por que ele estava disposto ao redor da cabe\u00e7a e do pesco\u00e7o dos corpos. Esse posicionamento indica uma fun\u00e7\u00e3o <b>simb\u00f3lica<\/b>, possivelmente como oferenda para a vida ap\u00f3s a morte, mostrando que comida tamb\u00e9m carregava afeto, cren\u00e7as e esperan\u00e7as de um futuro al\u00e9m desta vida.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img decoding=\"async\" width=\"1280\" height=\"714\" src=\"https:\/\/www.correiobraziliense.com.br\/cbradar\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Mysterious_tomb_with_ancient_ves\u2026_202606230232-1280x714.jpeg\" alt=\"queijo mais antigo\" class=\"wp-image-264164\" srcset=\"https:\/\/www.correiobraziliense.com.br\/cbradar\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Mysterious_tomb_with_ancient_ves\u2026_202606230232-1280x714.jpeg 1280w, https:\/\/www.correiobraziliense.com.br\/cbradar\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Mysterious_tomb_with_ancient_ves\u2026_202606230232-300x167.jpeg 300w, https:\/\/www.correiobraziliense.com.br\/cbradar\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Mysterious_tomb_with_ancient_ves\u2026_202606230232-768x429.jpeg 768w, https:\/\/www.correiobraziliense.com.br\/cbradar\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Mysterious_tomb_with_ancient_ves\u2026_202606230232-750x419.jpeg 750w, https:\/\/www.correiobraziliense.com.br\/cbradar\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Mysterious_tomb_with_ancient_ves\u2026_202606230232-1140x636.jpeg 1140w, https:\/\/www.correiobraziliense.com.br\/cbradar\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Mysterious_tomb_with_ancient_ves\u2026_202606230232.jpeg 1376w\" sizes=\"(max-width: 1280px) 100vw, 1280px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Esses achados chamaram a aten\u00e7\u00e3o de cientistas porque re\u00fanem, em um mesmo cen\u00e1rio, alimenta\u00e7\u00e3o cotidiana, rituais de morte e pistas sobre a hist\u00f3ria dos microrganismos usados at\u00e9 hoje na fermenta\u00e7\u00e3o do leite<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<p>Leia tamb\u00e9m:&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.correiobraziliense.com.br\/cbradar\/quantas-vezes-por-semana-e-seguro-comer-queijo-sem-atrapalhar-o-colesterol\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Quantas vezes por semana \u00e9 seguro comer queijo sem atrapalhar o colesterol<\/a><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Como era o queijo mais antigo do mundo encontrado na China<\/h2>\n\n\n\n<p>O termo \u201cqueijo mais antigo do mundo\u201d passou a ser usado para falar dessa subst\u00e2ncia da Bacia do Tarim, datada entre 3.300 e 3.600 anos. Isso a coloca entre as evid\u00eancias mais antigas de <b>derivados<\/b> de leite j\u00e1 encontrados de forma direta, ampliando nossa vis\u00e3o sobre o uso de latic\u00ednios em sociedades da Idade do Bronze, muito antes da ind\u00fastria moderna de queijos.<\/p>\n\n\n\n<p>Os estudos indicam que era um queijo fresco, com baixo teor de umidade e produzido de maneira bem simples, provavelmente por fermenta\u00e7\u00e3o natural, sem t\u00e9cnicas complexas de matura\u00e7\u00e3o. Essa <b>simplicidade<\/b> ajuda a entender por que alimentos parecidos surgiram de forma independente em diferentes povos, sempre como solu\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica para conservar o leite em ambientes dif\u00edceis de se viver.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Como os cientistas descobriram que era queijo fermentado<\/h2>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.smithsonianmag.com\/smart-news\/the-worlds-oldest-cheese-was-buried-in-a-chinese-tomb-3600-years-ago-now-scientists-have-sequenced-its-dna-180985152\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Para confirmar que o material <\/a>era mesmo um derivado de leite fermentado, as equipes recorreram a an\u00e1lises de laborat\u00f3rio que permitem estudar o DNA preservado nas amostras. Esses fragmentos, retirados com extremo cuidado, revelaram pistas sobre a origem do alimento e de quais animais vinham os leites usados na <b>produ\u00e7\u00e3o<\/b> desse queijo t\u00e3o antigo.<\/p>\n\n\n\n<p>Os resultados mostraram material gen\u00e9tico de vacas e cabras, sugerindo que o queijo poderia ter sido feito com leites de esp\u00e9cies diferentes, ainda que em lotes separados. A partir da\u00ed, os pesquisadores passaram a olhar tamb\u00e9m para os <b>microrganismos<\/b> usados na fermenta\u00e7\u00e3o, aproximando esse queijo ancestral de produtos que ainda hoje fazem parte da nossa rotina alimentar.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img decoding=\"async\" width=\"1280\" height=\"714\" src=\"https:\/\/www.correiobraziliense.com.br\/cbradar\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/DNA_and_bacteria_from_bowl_202606230232-1280x714.jpeg\" alt=\"queijo mais antigo\" class=\"wp-image-264163\" srcset=\"https:\/\/www.correiobraziliense.com.br\/cbradar\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/DNA_and_bacteria_from_bowl_202606230232-1280x714.jpeg 1280w, https:\/\/www.correiobraziliense.com.br\/cbradar\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/DNA_and_bacteria_from_bowl_202606230232-300x167.jpeg 300w, https:\/\/www.correiobraziliense.com.br\/cbradar\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/DNA_and_bacteria_from_bowl_202606230232-768x429.jpeg 768w, https:\/\/www.correiobraziliense.com.br\/cbradar\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/DNA_and_bacteria_from_bowl_202606230232-750x419.jpeg 750w, https:\/\/www.correiobraziliense.com.br\/cbradar\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/DNA_and_bacteria_from_bowl_202606230232-1140x636.jpeg 1140w, https:\/\/www.correiobraziliense.com.br\/cbradar\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/DNA_and_bacteria_from_bowl_202606230232.jpeg 1376w\" sizes=\"(max-width: 1280px) 100vw, 1280px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">O termo \u201cqueijo mais antigo do mundo\u201d passou a ser usado para falar dessa subst\u00e2ncia da Bacia do Tarim, datada entre 3.300 e 3.600 anos. <\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Que rela\u00e7\u00e3o esse queijo tem com o kefir de hoje<\/h2>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m da origem animal, os estudos identificaram bact\u00e9rias e leveduras muito parecidas com as presentes nos gr\u00e3os de kefir atuais. Entre elas, aparecem bact\u00e9rias do g\u00eanero Lactobacillus e leveduras como Pichia kudriavzevii, geralmente associadas \u00e0 fermenta\u00e7\u00e3o de leite em bebidas e queijos consumidos em diversos cantos do <b>mundo<\/b>.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao comparar o DNA desses microrganismos antigos com linhagens modernas de Lactobacillus kefiranofaciens, pesquisadores perceberam maior proximidade com o grupo encontrado no planalto tibetano. Isso sugere que a <b>hist\u00f3ria<\/b> do kefir n\u00e3o se limita \u00e0s montanhas do C\u00e1ucaso, envolvendo rotas de circula\u00e7\u00e3o de pessoas, animais e t\u00e9cnicas culin\u00e1rias por diferentes regi\u00f5es da \u00c1sia.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O que esse queijo antigo revela sobre bact\u00e9rias e seres humanos<\/h2>\n\n\n\n<p>Esse queijo ancestral tamb\u00e9m ajuda a entender como certas bact\u00e9rias se adaptaram ao conv\u00edvio com os humanos ao longo de milhares de anos. Estudos comparando vers\u00f5es antigas e modernas dessas bact\u00e9rias sugerem que elas foram se tornando menos agressivas ao nosso organismo, desencadeando respostas menos intensas do sistema <b>imune<\/b>.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa mudan\u00e7a parece estar ligada \u00e0 troca de genes entre diferentes microrganismos, algo comum em ambientes de fermenta\u00e7\u00e3o, onde v\u00e1rias esp\u00e9cies convivem em proximidade. Assim, enquanto n\u00f3s aprend\u00edamos a fermentar leite para conserv\u00e1-lo, as bact\u00e9rias aprendiam a viver melhor dentro e ao redor do corpo humano, num processo de <b>adapta\u00e7\u00e3o<\/b> m\u00fatua que ainda continua nos nossos dias de hoje.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Imagine abrir uma tumba de milhares de anos e, em vez de s\u00f3 encontrar ossos e tecidos, dar de cara com um tipo de queijo antigo ainda vis\u00edvel ao lado das m\u00famias. 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