{"id":275932,"date":"2026-07-16T19:00:00","date_gmt":"2026-07-16T22:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.correiobraziliense.com.br\/cbradar\/?p=275932"},"modified":"2026-07-15T20:40:48","modified_gmt":"2026-07-15T23:40:48","slug":"a-musica-que-esperou-quase-20-anos-por-uma-letra-como-carinhoso-quase-morreu-engavetada-antes-de-virar-patrimonio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.correiobraziliense.com.br\/cbradar\/a-musica-que-esperou-quase-20-anos-por-uma-letra-como-carinhoso-quase-morreu-engavetada-antes-de-virar-patrimonio\/","title":{"rendered":"A m\u00fasica que esperou quase 20 anos por uma letra: como &#8220;Carinhoso&#8221; quase morreu engavetada antes de virar patrim\u00f4nio"},"content":{"rendered":"\n<div id=\"cb-carinhoso-teaser\" style=\"font-family: Arial, sans-serif; background-color: #f0f4f8; padding: 20px; border-radius: 8px; border-left: 5px solid #004b8d; box-sizing: border-box; max-width: 600px; margin: 20px 0;\">\n  <div style=\"margin-bottom: 15px;\">\n    <svg width=\"180\" height=\"30\" viewBox=\"0 0 180 30\" xmlns=\"http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg\">\n      <rect width=\"180\" height=\"30\" fill=\"#004b8d\" rx=\"4\"\/>\n      <text x=\"10\" y=\"20\" fill=\"#ffffff\" font-family=\"Arial, sans-serif\" font-weight=\"bold\" font-size=\"11\" letter-spacing=\"0.5\">CORREIO BRAZILIENSE<\/text>\n    <\/svg>\n    <div style=\"background: #008be2; color: #ffffff; display: inline-block; padding: 4px 10px; font-size: 12px; font-weight: bold; margin-top: 10px; border-radius: 4px; text-transform: uppercase;\">O QUE VOC\u00ca VAI VER<\/div>\n  <\/div>\n  \n  <ul style=\"list-style: none; padding: 0; margin: 0;\">\n    <li style=\"margin-bottom: 10px; padding-left: 20px; position: relative; line-height: 1.4; color: #1a1a1a;\">\n      <span style=\"position: absolute; left: 0; color: #004b8d; font-weight: bold;\">\u2022<\/span>\n      Por que o padr\u00e3o t\u00e9cnico da \u00e9poca obrigou Pixinguinha a esconder sua obra-prima.\n    <\/li>\n    <li style=\"margin-bottom: 10px; padding-left: 20px; position: relative; line-height: 1.4; color: #1a1a1a;\">\n      <span style=\"position: absolute; left: 0; color: #004b8d; font-weight: bold;\">\u2022<\/span>\n      A tentativa frustrada de um letrista esquecido antes da letra definitiva de Braguinha.\n    <\/li>\n    <li style=\"margin-bottom: 10px; padding-left: 20px; position: relative; line-height: 1.4; color: #1a1a1a;\">\n      <span style=\"position: absolute; left: 0; color: #004b8d; font-weight: bold;\">\u2022<\/span>\n      O inusitado &#8220;pagamento&#8221; recebido pelo autor da letra que consagrou a can\u00e7\u00e3o.\n    <\/li>\n    <li style=\"padding-left: 20px; position: relative; line-height: 1.4; color: #1a1a1a;\">\n      <span style=\"position: absolute; left: 0; color: #004b8d; font-weight: bold;\">\u2022<\/span>\n      As cr\u00edticas musicais da \u00e9poca que acusaram o choro de soar como m\u00fasica estrangeira.\n    <\/li>\n  <\/ul>\n  <style>\n    #cb-carinhoso-teaser * { box-sizing: border-box; }\n    @media (max-width: 480px) { #cb-carinhoso-teaser { padding: 15px; } }\n  <\/style>\n<\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Pixinguinha comp\u00f4s &#8220;Carinhoso&#8221; por volta de 1917 e fez algo dif\u00edcil de imaginar hoje: guardou a m\u00fasica na gaveta. N\u00e3o por mod\u00e9stia nem por acaso, mas porque tinha certeza de que ningu\u00e9m aceitaria aquilo. A pe\u00e7a que hoje \u00e9 chamada de segundo hino nacional brasileiro passou quase duas d\u00e9cadas esperando a letra que a tornaria cant\u00e1vel, e o primeiro letrista que tentou fracassou completamente. Aqui est\u00e1 a hist\u00f3ria de como uma m\u00fasica rejeitada virou patrim\u00f4nio.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Por que Pixinguinha engavetou a pr\u00f3pria m\u00fasica?<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A raz\u00e3o \u00e9 t\u00e9cnica, e ele mesmo explicou d\u00e9cadas depois, sem rodeios.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em depoimento ao Museu da Imagem e do Som do Rio de Janeiro, em 1968, <a href=\"https:\/\/enciclopedia.itaucultural.org.br\/obras\/121915-carinhoso\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Pixinguinha contou que fez &#8220;Carinhoso&#8221; em 1917 e o encostou, porque o meio musical da \u00e9poca n\u00e3o admitia choro de duas partes: choro tinha que ter tr\u00eas<\/a>. Nas suas palavras, tocar aquilo naquele ambiente era impens\u00e1vel, porque ningu\u00e9m iria aceitar.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img decoding=\"async\" width=\"1280\" height=\"720\" src=\"https:\/\/www.correiobraziliense.com.br\/cbradar\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Pixinguinha-1.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-276133\" srcset=\"https:\/\/www.correiobraziliense.com.br\/cbradar\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Pixinguinha-1.jpg 1280w, https:\/\/www.correiobraziliense.com.br\/cbradar\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Pixinguinha-1-300x169.jpg 300w, https:\/\/www.correiobraziliense.com.br\/cbradar\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Pixinguinha-1-768x432.jpg 768w, https:\/\/www.correiobraziliense.com.br\/cbradar\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Pixinguinha-1-750x422.jpg 750w, https:\/\/www.correiobraziliense.com.br\/cbradar\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Pixinguinha-1-1140x641.jpg 1140w\" sizes=\"(max-width: 1280px) 100vw, 1280px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Nada, e esse \u00e9 justamente o ponto. O problema era o tamanho da r\u00e9gua da \u00e9poca.<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O que havia de errado com ela?<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nada, e esse \u00e9 justamente o ponto. O problema era o tamanho da r\u00e9gua da \u00e9poca.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A m\u00fasica tinha duas partes em vez de tr\u00eas, o que a colocava fora do padr\u00e3o. Pixinguinha, ent\u00e3o com cerca de 20 anos, n\u00e3o se atrevia a contrariar o esquema adotado nos choros do per\u00edodo. A pe\u00e7a foi primeiro classificada como polca lenta, ou polca vagarosa, e s\u00f3 mais tarde passou a ser tratada como chorinho. Ela n\u00e3o cabia em nenhuma gaveta, ent\u00e3o ficou na gaveta.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Ela era moderna demais?<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Era, e a cr\u00edtica da \u00e9poca registrou isso com desconfian\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quando &#8220;Carinhoso&#8221; finalmente apareceu em grava\u00e7\u00e3o instrumental, nos anos 1920, o efeito foi de estranhamento. O cr\u00edtico de discos Cruz Cordeiro, da revista Phonoarte, observou que a introdu\u00e7\u00e3o parecia um verdadeiro fox-trot e que a pe\u00e7a apresentava combina\u00e7\u00f5es de m\u00fasica popular americana. Era o que se chamava de &#8220;jazzifica\u00e7\u00e3o&#8221; de Pixinguinha. A m\u00fasica que hoje soa como a ess\u00eancia do Brasil foi acusada de soar americana demais.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Quem tentou escrever a letra primeiro?<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Aqui est\u00e1 o cap\u00edtulo que a vers\u00e3o oficial costuma esquecer.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Segundo o bi\u00f3grafo de Pixinguinha, S\u00e9rgio Cabral, o primeiro compositor a escrever uma letra para &#8220;Carinhoso&#8221; foi Benoit Certain, que chegou a cant\u00e1-la num programa de r\u00e1dio. N\u00e3o funcionou. A tentativa passou em branco e a m\u00fasica seguiu sem dono verbal. O nome que a hist\u00f3ria guardou veio depois, e por acidente.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Como a letra definitiva surgiu?<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Foi encomenda de \u00faltima hora, feita \u00e0s pressas, e o motivo \u00e9 quase banal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os fatos, conforme o relato do pr\u00f3prio Braguinha:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>Em outubro de <strong>1936<\/strong>, o Teatro Municipal do Rio encenava o espet\u00e1culo &#8220;Parada das Maravilhas&#8221;.<\/li>\n\n\n\n<li>O evento era beneficente, promovido pela primeira-dama <strong>Darcy Vargas<\/strong>.<\/li>\n\n\n\n<li>A cantora <strong>Helo\u00edsa Helena<\/strong> pediu ao amigo Braguinha uma can\u00e7\u00e3o nova para marcar sua presen\u00e7a no palco.<\/li>\n\n\n\n<li>Ele n\u00e3o tinha nenhuma pronta e aceitou a sugest\u00e3o dela: p\u00f4r versos no choro &#8220;Carinhoso&#8221;.<\/li>\n\n\n\n<li>Braguinha procurou Pixinguinha, que lhe mostrou a melodia no <strong>dancing Eldorado<\/strong>, onde estava tocando.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Quanto tempo levou para escrever?<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma noite. E o pagamento foi ainda mais modesto que o prazo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No dia seguinte, Braguinha entregou a letra a Helo\u00edsa Helena, que, segundo ele, ficou muito satisfeita e o presenteou com uma gravata italiana. Foi esse o pre\u00e7o da letra de uma das can\u00e7\u00f5es mais importantes da m\u00fasica brasileira. Ela nasceu escrita \u00e0s pressas e sem maiores pretens\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<div id=\"cb-carinhoso-guia\" style=\"font-family: Arial, sans-serif; border: 1px solid #e1e1e1; padding: 20px; border-radius: 8px; box-sizing: border-box; max-width: 600px; margin: 20px 0;\">\n  <h3 style=\"color: #004b8d; margin-top: 0; font-size: 18px;\">A Longa Espera: Cronologia de &#8220;Carinhoso&#8221;<\/h3>\n  <span style=\"display:block; margin-bottom: 15px; color: #1a1a1a; line-height: 1.4;\">Clique nas d\u00e9cadas para entender a trajet\u00f3ria deste patrim\u00f4nio brasileiro:<\/span>\n  \n  <div style=\"display: flex; flex-direction: column; gap: 10px; margin-bottom: 20px;\">\n    <button class=\"btn-era\" data-info=\"1917: Pixinguinha comp\u00f5e o choro, mas o mant\u00e9m engavetado por n\u00e3o seguir a estrutura padr\u00e3o de tr\u00eas partes exigida na \u00e9poca.\" style=\"cursor: pointer; padding: 10px; background: #fff; border: 1px solid #008be2; border-radius: 4px; text-align: left;\">\ud83d\udcc5 1917: O Nascimento<\/button>\n    <button class=\"btn-era\" data-info=\"1936: Braguinha escreve a letra em uma noite para atender a um pedido urgente da cantora Helo\u00edsa Helena.\" style=\"cursor: pointer; padding: 10px; background: #fff; border: 1px solid #008be2; border-radius: 4px; text-align: left;\">\u270d\ufe0f 1936: A Letra Final<\/button>\n    <button class=\"btn-era\" data-info=\"1937: Orlando Silva, o Cantor das Multid\u00f5es, grava a m\u00fasica, tornando-a o maior sucesso comercial do ano no Brasil.\" style=\"cursor: pointer; padding: 10px; background: #fff; border: 1px solid #008be2; border-radius: 4px; text-align: left;\">\ud83c\udf99\ufe0f 1937: O Estouro<\/button>\n  <\/div>\n\n  <div id=\"resultado-era\" style=\"padding: 15px; background: #f0f4f8; border-radius: 4px; display: none; color: #004b8d; font-weight: bold; border-left: 4px solid #004b8d; font-style: italic;\"><\/div>\n\n  <style>\n    #cb-carinhoso-guia * { box-sizing: border-box; }\n    .btn-era:hover { background-color: #e6f3ff !important; }\n    @media (max-width: 480px) { #cb-carinhoso-guia { padding: 15px; } }\n  <\/style>\n\n  <script>\n    (function() {\n      const btns = document.querySelectorAll('.btn-era');\n      const res = document.getElementById('resultado-era');\n      \n      btns.forEach(btn => {\n        btn.addEventListener('click', function() {\n          res.textContent = this.getAttribute('data-info');\n          res.style.display = 'block';\n        });\n      });\n    })();\n  <\/script>\n<\/div>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">A letra \u00e9 boa?<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A resposta honesta \u00e9: nem \u00e9 a melhor do autor, e mesmo assim mudou tudo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Analistas costumam apontar que a letra de &#8220;Carinhoso&#8221; \u00e9 simples e n\u00e3o alcan\u00e7a o melhor n\u00edvel de Jo\u00e3o de Barro, autor de mais de 420 t\u00edtulos. Mas foi fator primordial para a populariza\u00e7\u00e3o da composi\u00e7\u00e3o. A m\u00fasica moderna demais para 1917 finalmente encontrou o que faltava: algu\u00e9m para cant\u00e1-la. Sem a letra, a pe\u00e7a provavelmente n\u00e3o teria alcan\u00e7ado tamanha popularidade.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Quando ela finalmente estourou?<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A grava\u00e7\u00e3o tem data, selo e um int\u00e9rprete no auge.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em 28 de maio de 1937, Orlando Silva, o Cantor das Multid\u00f5es, gravou &#8220;Carinhoso&#8221; em disco Victor. Foi a m\u00fasica mais tocada no ano do lan\u00e7amento. Vinte anos depois de composta, a pe\u00e7a engavetada virou fen\u00f4meno. Em 1950 ganhou at\u00e9 vers\u00e3o em ingl\u00eas, &#8220;Love Is Like This&#8221;, de Ray Gilbert, para o filme Romance Carioca.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Qual \u00e9 o tamanho do legado?<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os n\u00fameros e os nomes falam sozinhos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Carinhoso&#8221; recebeu mais de duzentas grava\u00e7\u00f5es, passando por Dalva de Oliveira, Elizeth Cardoso, Elis Regina, Baden Powell, Paulinho da Viola e Marisa Monte. \u00c9 chamada de segundo hino nacional e figura entre as can\u00e7\u00f5es mais lembradas pelos brasileiros. Vale notar a ironia: o que quase a matou, ser diferente do padr\u00e3o, \u00e9 exatamente o que a fez durar. Esse tipo de persist\u00eancia silenciosa \u00e9 o que descreve o <a href=\"https:\/\/www.correiobraziliense.com.br\/cbradar\/o-proverbio-japones-que-melhor-define-paciencia-e-a-agua-nao-corta-a-pedra-por\/\">prov\u00e9rbio japon\u00eas sobre paci\u00eancia<\/a>: a \u00e1gua n\u00e3o corta a pedra pela for\u00e7a, mas por insistir.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img decoding=\"async\" width=\"1280\" height=\"720\" src=\"https:\/\/www.correiobraziliense.com.br\/cbradar\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Pixinguinha-2.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-276134\" srcset=\"https:\/\/www.correiobraziliense.com.br\/cbradar\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Pixinguinha-2.jpg 1280w, https:\/\/www.correiobraziliense.com.br\/cbradar\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Pixinguinha-2-300x169.jpg 300w, https:\/\/www.correiobraziliense.com.br\/cbradar\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Pixinguinha-2-768x432.jpg 768w, https:\/\/www.correiobraziliense.com.br\/cbradar\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Pixinguinha-2-750x422.jpg 750w, https:\/\/www.correiobraziliense.com.br\/cbradar\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Pixinguinha-2-1140x641.jpg 1140w\" sizes=\"(max-width: 1280px) 100vw, 1280px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">A grava\u00e7\u00e3o tem data, selo e um int\u00e9rprete no auge.<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Afinal, ela \u00e9 mesmo de 1917?<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Conv\u00e9m uma ressalva honesta, porque a data mais repetida n\u00e3o \u00e9 certeza.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O pesquisador Jos\u00e9 Silas Xavier, em programa do <a href=\"https:\/\/radiobatuta.ims.com.br\/programas\/pixinguinha-na-pauta\/a-historia-de-carinhoso\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Instituto Moreira Salles dedicado \u00e0 obra de Pixinguinha<\/a>, explica as dificuldades de apontar o ano exato da composi\u00e7\u00e3o, e admite que 1917, a data mais falada, pode n\u00e3o ser a verdadeira. H\u00e1 at\u00e9 debate sobre quem assinou o arranjo da vers\u00e3o de Orlando Silva: Pixinguinha, Radam\u00e9s Gnattali ou os dois. A m\u00fasica mais conhecida do pa\u00eds guarda mist\u00e9rios b\u00e1sicos.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O que essa hist\u00f3ria ensina?<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Que reconhecimento e qualidade raramente andam no mesmo hor\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Pixinguinha n\u00e3o guardou &#8220;Carinhoso&#8221; por ach\u00e1-la ruim. Guardou porque sabia que o mundo \u00e0 volta n\u00e3o estava pronto. Levou vinte anos, uma cantora com pressa, um letrista sem can\u00e7\u00e3o na gaveta e uma gravata italiana para que a pe\u00e7a encontrasse seu lugar. Quem constr\u00f3i sozinho chega antes, mas quem espera o parceiro certo chega mais longe, algo que o <a href=\"https:\/\/www.correiobraziliense.com.br\/cbradar\/proverbio-arabe-quem-constroi-sozinho-termina-mais-cedo-mas-quem-constroi-com\/\">prov\u00e9rbio \u00e1rabe sobre construir com outros<\/a> resume bem.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O que conv\u00e9m lembrar sobre &#8220;Carinhoso&#8221;<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Pixinguinha comp\u00f4s a m\u00fasica por volta de 1917 e a engavetou porque tinha duas partes, e o choro da \u00e9poca exigia tr\u00eas. Ela circulou instrumental nos anos 1920 e foi criticada por soar americana demais. Benoit Certain tentou escrever a primeira letra e fracassou. S\u00f3 em 1936, a pedido de Helo\u00edsa Helena, Braguinha escreveu em uma noite os versos que a consagraram, e recebeu uma gravata italiana pelo trabalho. Orlando Silva gravou em 1937 e a can\u00e7\u00e3o virou a mais tocada do ano.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Este conte\u00fado tem finalidade informativa e re\u00fane informa\u00e7\u00f5es p\u00fablicas sobre a obra. <strong>Os versos da can\u00e7\u00e3o s\u00e3o protegidos por direitos autorais<\/strong> e n\u00e3o s\u00e3o reproduzidos aqui.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>CORREIO BRAZILIENSE O QUE VOC\u00ca VAI VER \u2022 Por que o padr\u00e3o t\u00e9cnico da \u00e9poca obrigou Pixinguinha a esconder sua obra-prima. \u2022 A tentativa frustrada de um letrista esquecido antes da letra definitiva de Braguinha. \u2022 O inusitado &#8220;pagamento&#8221; recebido pelo autor da letra que consagrou a can\u00e7\u00e3o. \u2022 As cr\u00edticas musicais da \u00e9poca que [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":9,"featured_media":276132,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jnews-multi-image_gallery":[],"jnews_single_post":{"format":"standard"},"jnews_primary_category":[],"jnews_social_meta":[],"jnews_override_counter":[],"footnotes":""},"categories":[112],"tags":[23790,23791,20661,23789],"class_list":["post-275932","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-curiosidades","tag-carinhoso","tag-joao-de-barro-2","tag-musica-brasileira","tag-pixinguinha"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v28.0 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>A m\u00fasica que esperou quase 20 anos por uma letra: como &quot;Carinhoso&quot; 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