Entenda as diferenças das vacinas que estão sendo testadas no Brasil

Vacina da farmácia Sinovac Biotech, Coronavac, está sendo testada no Distrito Federal por equipes da UnB, enquanto vacina de Oxford está sendo testada em outras três unidades da federação, ambas na fase 3

Correio Braziliense
postado em 06/08/2020 17:02 / atualizado em 06/08/2020 23:38
 (foto: AFP)
(foto: AFP)

O Brasil está sendo palco de testes de diferentes vacinas contra a covid-19, com milhares de pesquisadores, médicos e voluntários participando dos ensaios. Na capital do país, a Coronavac, da farmácia chinesa Sinovac Biotech, começou a ser testada nesta semana, no Hospital Universitário de Brasília (HUB). Enquanto isso, outras três unidades da federação realizam teste com a vacina da Universidade de Oxford, no Reino Unido, em parceria com a farmacêutica AstraZeneca.

Ambas estão na mesma etapa de ensaios, a fase 3. Nela, o produto já é aplicado em humanos, em larga escala, para determinar conceitos de segurança e eficácia. Pesquisadores dizem que é prematuro indicar quando qualquer uma delas pode ser disponibilizada para a população em geral, mas explicam as diferenças entre os métodos.

Fernando Araújo, chefe do setor de pesquisa e inovação do HUB, diz que a principal diferença é a tecnologia utilizada em cada uma. "A tecnologia da vacina que estamos testando aqui é mais tradicional. Nessa, a gente pega o vírus, inativa ele e produz a vacina que será aplicada. As proteínas desse vírus vão induzir a imunidade, induzir o organismo a produzir mecanismo de defesa contra ele", explica.

Ou seja, na Coronavac, produzida pelo Instituto Butantan, esse mecanismo produz os anticorpos neutralizantes. "São eles que impedem o desenvolvimento, o agravamento, de uma possível infecção por covid-19, que ou não acontece, ou é assintomática ou é muito leve", detalha. Esse projeto chegou ao segundo dia de testes nesta quinta-feira (6/8). Nesses dois dias, dez voluntários do Distrito Federal devem ser imunizados, sendo que metade dos participantes vai receber placebo, para melhor visualização dos resultados.

Fernando também compara esse método com o modelo da vacina de Oxford. "É uma tecnologia diferente, em que se pega o material genético do vírus, coloca em um vírus que não é patogênico, ele produz umas proteínas e, assim, imuniza o paciente através da vacina composta desse vírus que não causa problema. Pode trazer a resposta imunológica necessária para proteger o paciente", diz.

Esse material está sendo testado em São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia, com apoio da Fundação Oswaldo Cruz. O pesquisador conclui que as duas têm a mesma finalidade. A Coronavac deve ser testada em 850 pessoas no DF. Os teste pausa amanhã o trabalho com voluntários e retorna na semana que vem. A meta dos médicos é receber entre 20 a 40 pessoas por dia durante as próximas semanas.

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