PAULISTÃO

Alviverde 23 vezes imponente

Palmeiras deixa título escapar no tempo normal, mas vê menino Patrick de Paula e goleiro Wéverton decidirem a decisão nos pênaltis. Time encerra jejum de 12 anos e impede tetra do Corinthians

Correio Braziliense
postado em 08/08/2020 22:42 / atualizado em 08/08/2020 22:49
 (foto: Nelson Almeida/AFP)
(foto: Nelson Almeida/AFP)

Ser campeão, superar o maior rival no retrospecto histórico em decisões estaduais e ainda impedir o tetracampeonato histórico do adversário. O Palmeiras conquistou tudo isso neste sábado, ao bater o Corinthians nos pênaltis, no Allianz Parque, por 4 x 3 após um empate por 1 x 1 no tempo normal. Após sair na frente com Luiz Adriano e levar o empate com Jô no último lance, o clube volta a conquistar a taça estadual após 12 anos.

O sábado alegre do Palmeiras quase foi estragado por um pênalti cometido por Gómez aos 51 minutos do segundo tempo. Ainda assim, o time controlou o nervosismo e levou a melhor sobre o rival graças a Weverton, que defendeu as cobranças de Michel Macedo e Cantillo. O gol decisivo foi marcado pela principal revelação deste Estadual. Aos 20 anos, o volante Patrick de Paula deixou o dele.

Tricampeão nas últimas temporadas, o Corinthians sonhava com um tetra inédito na era profissional do futebol paulista. No entanto, viu o rival jogar melhor e ainda voltar a ficar na frente no retrospecto. Em sete finais estaduais com confronto direto entre os clubes em 103 anos, o Palmeiras, agora, tem vantagem: 4 x 3.

A conquista tem um peso especial para o técnico Vanderlei Luxemburgo. O treinador é o único a ter conduzido o Palmeiras a vencer o Estadual desde que Oswaldo Brandão foi campeão em 1976. O atual comandante conquistou em 1993, 1994, 1996 e em 2008. Naquele ano, a comemoração foi ainda no antigo Palestra Itália. Agora foi a vez de o Palmeiras poder festejar pela primeira vez um título paulista dentro da sua nova arena.

O Allianz Parque ganhou uma decoração especial para o jogo. A torcida espalhou bandeiras, mosaicos e imagens de antigos ídolos do clube, enquanto que no vestiário justamente a aparência causou um problema. O Corinthians não gostou de ter visto as paredes e armários com imagens de títulos do rival e improvisou uma reforma. Membros da comissão técnica colaram por cima papéis em branco e preto e bandeiras para mudar o visual do local.

Apesar da disposição dos times para atacar, o primeiro tempo da final não teve uma grande lista de melhores momentos. Os times rondavam a área sem ter alguém mais capacidade para encontrar uma assistência precisa e de qualidade. Embora os volantes ajudassem o ataque e os laterais dessem espaço, parecia existir um medo em ousar mais e dar espaço para algum contra-ataque.

Após a final passar um jogo inteiro e mais o primeiro tempo todo sem ter gols, finalmente o placar saiu do zero. O Palmeiras saiu na frente graças à visão do lateral Viña. O uruguaio cruzou com perfeição para Luiz Adriano subir e, de cabeça, tirar de Cássio. Foi o primeiro gol alviverde em cinco clássicos no ano. Mesmo com o estádio vazio, o sistema de som com os gritos da torcida aumentou de volume para vibrar com o time.

A vantagem deixou o Palmeiras mais confiante. O time dominou os minutos seguintes e obrigou Cássio a trabalhar duas vezes pouco depois. O gol finalmente deixou a decisão emocionante, pois obrigava o Corinthians a se arriscar no ataque. Quem ganhava o jogo, passou a administrar o placar e a ter espaços no contra-ataque.

O relógio corria e deixava o técnico corintiano, Tiago Nunes, cada vez mais agitado na área técnica. O time não respondia e ainda perdeu o lateral Fagner, machucado. Nas poucas vezes em que o Corinthians conseguia chegar à área adversária, chutava torto e sem perigo. Ansioso pela conquista, o Palmeiras recuou bastante nos minutos finais e só teve um grande susto. Gómez errou o tempo de bola e derrubou Jô na área. O atacante bateu, Weverton acertou o canto, mas a bola entrou.

O desânimo não tirou do Palmeiras a concentração. Nas penalidades, Raphael Veiga, Scarpa, Lucas Lima e Patrick de Paula converteram. Bruno Henrique perdeu sua finalização, parando na defesa de Cássio. Do lado do Corinthians, Danilo Avelar, Sidcley e Jô balançaram as redes. Mas, Michel Macedo e Cantillo perderam. Weverton defendeu.

 

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