Violência

Ofensor de delegado fica preso

Morador do Lago Sul chama policial civil de "macaco", em fila de lanchonete. Agressor tentou escapar, mas foi detido pela Polícia Militar momentos depois. Vítima diz que decidiu divulgar o caso para combater o racismo

Sarah Peres
postado em 08/08/2020 23:20
 (foto:              Bruno Peres/CB/D.A Press                       )
(foto: Bruno Peres/CB/D.A Press )

Um morador do Lago Sul, de 34 anos, segue preso no Departamento de Controle e Custódia de Presos (DCCP), no Complexo da Polícia Civil, após xingar de “macaco” o delegado Ricardo Viana, chefe da 3ª Delegacia de Polícia (Cruzeiro). O caso ocorreu na noite de sexta-feira, em lanchonete da QI 23, no Lago Sul e foi registrado na 1ª DP (Asa Sul).

Ricardo Viana estava no estabelecimento acompanhado da filha, de 15 anos, quando sofreu a ofensa do ex-estudante de Engenharia Elétrica da Universidade de Brasília (UnB). “Perguntei à minha filha o número da nossa senha, momento em que o indivíduo passou a me chamar de ‘macaco’. Minha filha ficou muito consternada e eu queria sair dali, até para poupá-la desse incidente. Pedi aos funcionários para apressarem o meu pedido, o que foi feito”, contou.

Clientes da rede de fast food intervieram e tentaram conter o morador do Lago Sul. Com o pedido em mãos, o delegado caminhava para fora do local, quando o homem prosseguiu com as manifestações racistas. “Fui novamente chamado de ‘macaco’, de ‘veado’, e o indivíduo disse que eu não passasse mais por ele novamente, pois iria me ‘pegar’. Refleti muito sobre meus atos, pois estava agindo não como policial, mas como cidadão. Virei-me para ele, e dei ordem de prisão, identificando-me como delegado”, disse.

O ex-estudante resistiu à ação e conseguiu fugir da lanchonete, mas foi preso momentos depois por uma equipe da Polícia Militar, que o encaminhou à 1ª DP. No veículo do acusado havia dois cigarros de maconha, segundo registro policial. Ele responderá por injúria racial, ameaça, vias de fato, injúria e porte de drogas. O homem tinha passagem por um episódio de racismo anterior, além de lesão corporal.

Em nota oficial, a franquia do McDonald’s lamentou o ocorrido. “A empresa repudia toda e qualquer forma de discriminação e está à disposição das autoridades para colaborar nas investigações.”

Exemplo

O delegado disse ter hesitado em relatar o caso à mídia, mas tomou a decisão de expor a situação como exemplo. “Como negro, afrodescendente, filho de afrodescendentes nordestinos, sendo nascido e criado aqui no Distrito Federal, decidi informar sobre o caso. Estou muito consternado com a situação e não poderia me calar nesse momento, pelas minhas filhas, meus pais, meus irmãos e todos os que acompanham minha trajetória”, afirmou.

O policial destacou que sofreu preconceito antes: “Vivemos um racismo estrutural, que está inserido em todas as classes sociais. Não falo como delegado, profissão que consegui com muito esforço e trabalho. Desde menino, convivo com essa realidade, tendo recebido diversos apelidos por causa da minha cor. E cada vez que alcançamos algum espaço na nossa sociedade, essa ferida é tocada”.

“Estou aqui lutando pelo meu direito pela igualdade, previsto na Constituição. Eu exijo respeito. Não só a mim, mas aos meus familiares e a todos os negros que ajudaram a construir a história dessa nação”, acrescentou o delegado Ricardo Viana.

Bruno Peres/CB/D.A Press
Ricardo Viana: “Refleti muito sobre meus atos, pois estava agindo não como policial, mas como cidadão”

 

Motorista embriagada atinge e mata jovem

Uma colisão entre um carro e uma moto causou a morte de um jovem de 24 anos, na manhã de ontem, na Estrada Parque Núcleo Bandeirante (EPNB), na DF 075. Após sofrer múltiplas fraturas, Lucas Ribeiro dos Reis não resistiu e morreu no local. Foi constatado que a condutora estava sob efeito de álcool. Ela foi presa em flagrante.

O acidente aconteceu em um cruzamento, em frente a um semáforo, próximo ao Bar Paraíba Carne de Sol. A mulher de 55 anos, conduzia um Renault Duster de cor preta quando atingiu a motocicleta Yamaha XTZ 150cc de cor azul, de Lucas. Ela realizou teste de bafômetro e apresentou resultado positivo. A condutora tinha escoriações no corpo e estilhaços de vidro nos olhos e foi transportada pelo Corpo de Bombeiros ao Hospital de Base do Distrito Federal (HBDF). Em seguida, ela foi encaminhada para 21ª Delegacia de Polícia (Taguatinga Sul), onde está detida.

Semana trágica

Nesta semana, foram registradas mais três mortes causadas por motoristas embriagados. Na segunda-feira, Felipe Alves da Silva, 24 anos, morreu após ser atingido por veículo enquanto estava com o carro parado no acostamento da DF-230, próximo ao Morro da Capelinha, em Planaltina. No momento, ele trocava o pneu de um veículo. O condutor que provocou o acidente estava bêbado, com taxa de alcoolemia de 0.66, o que é considerado crime.

Na quarta-feira, dois garis morreram após serem atropelados por um Ford Ka conduzido por Josué Alexandro Reis. O motorista estava alcoolizado. A colisão aconteceu por volta das 23h30, na BR-020, entre Sobradinho e Planaltina. lda Barbosa de Sousa, 52 anos, e Anisio Anísio de Souza Lopes, 48, não resistiram e faleceram no local. Dois dias depois, o responsável pelas mortes, foi solto por determinação do Tribunal de Justiça do DF e Territórios. O homem de 40 anos foi liberado sem fiança, com a condição de que ele compareça a todos os atos do processo.

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