EDUCAÇÃO

UnB adapta-se às aulas virtuais

Correio Braziliense
postado em 17/08/2020 21:37
 (foto: Arquivo Pessoal)
(foto: Arquivo Pessoal)

Estudantes da Universidade de Brasília (UnB) voltaram às aulas ontem, em ambiente virtual. A comunidade acadêmica dará continuidade ao fluxo do primeiro semestre, interrompido desde a chegada do novo coronavírus ao Distrito Federal, em março. Até a segunda semana de setembro, alunos e professores passarão por fase de ambientação. Apesar do retorno, as atividades presenciais mantêm-se suspensas e não têm previsão para ocorrer neste ano. O último dia de aulas está marcado para 18 de dezembro.

A UnB selecionou algumas plataformas de ensino para uso dos professores e estudantes, como o Moodle e o Teams. Além delas, os docentes têm a liberdade de escolher outras ferramentas virtuais que possam auxiliar as aulas. Eles poderão optar pela disponibilização de atividades ao vivo, gravadas, enviadas por e-mail ou pela combinação de mais de um formato. Os alunos deverão ser informados sobre os novos critérios e metodologias. Ontem, o pico de usuários no sistema Aprender, do Moodle, ocorreu às 14h04, com, aproximadamente, 1,3 mil acessos simultâneos. Até as 15h30, cerca de 19 mil haviam logado no site.

A aluna do segundo semestre de estatística Carolyne Brito, 19 anos, aprovou a experiência do primeiro dia. Os professores entraram em contato com as turmas para comentar sobre as plataformas e dar detalhes do conteúdo. “Tive duas aulas que foram gravadas no YouTube. Na semana que vem, haverá um encontro (virtual) para tirarmos dúvidas”, contou. A jovem também aprovou a possibilidade de trancamento de matrícula ou do curso em qualquer etapa até o penúltimo dia letivo, sem prejuízo ao índice de rendimento acadêmico. “Achei (o anúncio) bom, porque é um momento difícil, em que não sabemos o que pode acontecer”, completou.

Outra iniciativa criada como forma de promover a inclusão social de estudantes envolveu a abertura de editais para financiamento, empréstimo ou doação de equipamentos eletrônicos. Mais de 3 mil alunos inscreverem-se no programa. Os auxílios concedidos devem ser aplicados para a compra de computadores e de serviços de internet. Estudantes de fora do DF receberão os computadores pelos Correios.

Atendimento
O primeiro dia da fase de adaptação não foi fácil para alguns estudantes. Aluna do sétimo semestre do curso de Língua Brasileira de Sinais (Libras) — português como segunda língua, Agnes Naomi Maeda, 24, não conseguiu acompanhar uma das lives. A apresentação, cujo foco era orientar sobre o uso de uma das plataformas, não contava com intérprete. “Não foi acessível para os surdos e houve várias reclamações. Quase no fim, consegui que duas amigas fizessem a tradução. Nós que ficamos prejudicados, pois não sabemos como usar a plataforma digital da UnB”, lamentou Agnes.

O decano de ensino de graduação, Sergio Freitas, destaca que as primeiras semanas serão para adaptação. Segundo ele, um núcleo da UnB destinado ao atendimento de pessoas com necessidades especiais elaborou um protocolo para atendimento das disciplinas que precisam de intérpretes. A equipe do setor contata os professores de estudantes com algum tipo de deficiência. “Para fazer uma live que precisa de intérprete, também é preciso dizer ao núcleo, para darem atendimento. Estas três semanas são para ambientação e devem ser usadas para isso. Estamos saindo do modelo completamente presencial para outro totalmente não presencial. É natural que surjam muitas dificuldades e que tenhamos processos diferentes”, pontua Sergio.

Ações da UnB para a comunidade

Ontem, o Comitê Gestor do Plano de Contingência em Saúde da Covid-19 (Coes) da UnB divulgou boletim com informações sobre as ações do grupo no âmbito da pandemia da doença. O documento destaca a situação dos casos no mundo, no Brasil e no DF, com menção aos recordes diários de mortes e às taxas de lotação de leitos na capital federal. Algumas das iniciativas promovidas pelo grupo incluem a reformulação do aplicativo Guardiões da Saúde, que promove vigilância participativa e monitoramento dos registros de infecção; a criação de grupos terapêuticos de apoio a familiares de vítimas da covid-19; bem como a manutenção das instalações sanitárias de 38 prédios do câmpus.

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