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Cerca de 900 lojas fecharam no Plano Piloto durante a pandemia de covid-19

Segundo Sebastião Abritta, vice-presidente do Sindivarejista, há carência no comércio do Plano Piloto, e retomada do trabalho presencial em órgãos públicos poderia ajudar no movimento

Ana Maria da Silva*
postado em 18/08/2020 16:31 / atualizado em 19/08/2020 09:58
Sebastião Abritta, vice-presidente do Sindivarejista, foi o entrevistado do CB Poder -  (foto: Credito: Ana Rayssa/CB/D.A. Press.)
Sebastião Abritta, vice-presidente do Sindivarejista, foi o entrevistado do CB Poder - (foto: Credito: Ana Rayssa/CB/D.A. Press.)

Não é novidade que a situação econômica do país tem afetado o bolso de muitos brasileiros. Seja consumidor, seja empresário, seja lojista, o fato é que o governo tomou medidas dentro dos últimos meses para reduzir o impacto no país. Na capital não foi diferente. O auxílio emergencial, atualmente em R$ 600, foi uma das medidas adotadas durante a pandemia da covid-19 e contribui para a retomada da economia. Mesmo assim, comércios em áreas como o Plano Piloto ainda encontram dificuldade em se recuperar. Nas asas Sul e Norte cerca de 900 fecharam.

Em entrevista ao CB. Poder — uma parceria do Correio Braziliense e da TV Brasília —, nesta terça-feira (18/8), o vice-presidente do Sindivarejista do Distrito Federal (DF), Sebastião Abritta, explicou os impactos que o benefício trouxe para o comércio da capital. “Esses R$ 600 fizeram toda a diferença no varejo do DF. Não só no Distrito Federal, mas em todo o Brasil. Isso é que está salvando o comércio nesse momento. Tanto é que mudou o hábito de consumo, hoje nós temos uma carência no Plano Piloto, e em contrapartida nós temos um aumento no faturamento no entorno, porque o consumidor está consumindo na sua região”, diz.

Segundo Abritta, a carência na região central da cidade ocorre devido à falta de deslocamento dos cidadãos, que têm priorizado o consumo próximo às suas residências. Apesar de favorecer o comércio local, ele explica que a diminuição de fluxo no Plano Piloto pode trazer grandes consequências. “Lá há cerca de 250 a 300 mil habitantes. Normalmente, quando dá 10h da manhã, o fluxo passava de um milhão de pessoas. Algo que hoje não acontece”, pondera.

Apesar do consumo de supermercados, farmácias, vestuários e calçados ajudar na diminuição do fluxo de fechamento de lojas e demissões de trabalhadores, o vice-presidente ressalta que o trabalho presencial ainda faz falta para a economia. “Hoje, quando descemos a Esplanada dos Ministérios, dá até tristeza. Não vemos um carro estacionado, uma alma viva. E se a pessoa não se movimenta, não consome. E é esse público que consome no Plano Piloto”, afirma.

 

Retomada do trabalho presencial

Abritta comentou ainda sobre a importância do movimento trazido por atividades administrativas à capital federal e acredita que a retomada do trabalho presencial pode ajudar. "O Brasil inteiro elege e manda senadores e deputados para Brasília. E essas pessoas estão ficando onde residem. Normalmente, de terça a sexta, eles traziam movimento para o DF, mas estamos sentindo falta disso. Nem que comece em 50% para ver como que vai acontecer o desenvolver da situação, mas é importante que essa demanda volte aos poucos para melhorar o movimento no varejo, na economia, e gerar emprego e renda", afirma.

"Hoje, nós estamos com mais ou menos 540 lojas fechadas em toda a Asa Sul, algo perto de 360 na Asa Norte. Então, precisamos alavancar esse consumo. Como a capital federal é muito administrativa, precisamos desse pessoal trabalhando, além da retomada da construção civil e privado. O GDF já está iniciando algumas obras e isso está sendo fundamental", pontua.

Assista à íntegra da entrevista: 





Ouça a entrevista em podcast:

 

* Estagiária sob supervisão de Mariana Niederauer

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