Corona vírus

Mais 1.871 casos e 17 mortes no DF

A covid-19 continua a avançar na capital. Ontem, o total de diagnósticos chegou a 148.998; e o de mortes, a 2.278. Apesar da doença, brasilienses desrespeitaram as medidas de proteção e promoveram uma festa de dois dias

Walder Galvão
postado em 23/08/2020 23:31 / atualizado em 23/08/2020 23:35
 (foto: Reprodução/rede sociais)
(foto: Reprodução/rede sociais)

No quinto mês da pandemia da covid-19, que começou em março no Distrito Federal, o número de casos confirmados chegou a 148.998; e o de mortes pela doença, a 2.278. Apenas ontem, 1.871 pessoas testaram positivo e a Secretaria de Saúde contabilizou 17 óbitos. Apesar da disseminação da enfermidade, brasilienses promoveram uma festa clandestina no fim de semana.
Do total de mortes computadas, 2.082 são de moradores do Distrito Federal e 192 de pessoas que viviam em outras unidades da Federação, mas faleceram em hospitais locais. Além disso, dos novos óbitos, apenas um ocorreu ontem. Segundo informações da pasta, a vítima era um morador do Guará com mais de 80 anos e que tinha comorbidades — outras doenças que agravam os sintomas da covid-19.
Com 18.516 diagnosticados, Ceilândia continua na liderança do ranking das regiões administrativas de maior incidência da doença. Em seguida, está o Plano Piloto, que soma 12.159 notificações, e Taguatinga, com 11.574 infectados. Apesar da quantidade expressiva de contaminados no DF, há 130.369 recuperados do novo coronavírus, portanto, são 18.628 casos ativos.

Atendimento

Apesar do avanço contínuo da doença, a ocupação dos leitos exclusivos de unidade de terapia intensiva (UTI) para pacientes com o novo coronavírus começa a ficar menos sobrecarregada nas unidades de saúde da capital. O esgotamento do atendimento era um dos maiores receios de especialistas e da Secretaria de Saúde, desde o início da pandemia.
Na rede pública de saúde, 65,13% das vagas em UTI estão comprometidas. Segundo balanço mais recente da pasta, divulgado ontem, há 739 vagas e 465 internações. Na rede privada, entretanto, a sobrecarga é maior. Ao todo, a taxa de ocupação está em 91,48%; são 248 pacientes e 278 leitos.
Apesar da disponibilidade de leitos, há 14 pessoas com suspeita ou confirmação do novo coronavírus à espera de uma vaga de UTI. Sete delas encontram-se internadas e esperam a transferência para receber tratamento especializado e o restante sequer está em hospitais.

Festa de dois dias gera aglomeração

Embora haja o registro diário de casos e de mortes provocadas pelo novo coronavírus no Distrito Federal, no fim de semana, uma festa de grande proporção gerou aglomeração. O evento durou dois dias e reuniu centenas de pessoas em um chácara, na BR-060, em Samambaia. Os órgãos de fiscalização da capital, entretanto, não receberam denúncias referentes à celebração.
A orientação dos órgãos de saúde e de especialistas é de que o distanciamento social ainda é a principal maneira de frear a disseminação da covid-19. Atualmente, o DF passa pelo pico da pandemia, período em que grande quantidade de casos é registrada diariamente. Portanto, a possibilidade de se infectar é ainda maior.
Entretanto, imagens obtidas pelo Correio revelam a formação de aglomerações no evento. Promovida clandestinamente, a festa tinha grande estrutura. O evento começou no sábado e terminou por volta das 17h de ontem. Havia presença de DJs, animadores, palco e um grande público. Além disso, nas imagens, poucos estavam de máscara de proteção facial — outro fator importante para evitar contágio — de uso obrigatório na capital desde 30 de abril.
Fiscalização

A reportagem entrou em contato com as polícias Civil e Militar e questionou se o ocorrido seria apurado. Segundo a PM, a corporação não recebeu denúncias referentes ao evento. Os investigadores não responderam à reportagem até o fechamento desta edição.
Por meio de nota oficial, a Secretaria de Estado de Proteção da Ordem Urbanística do Distrito Federal (DF Legal) informou que duas equipes da Vigilância Sanitária atenderam a 56 denúncias de bares e restaurantes e a uma denúncia de condomínio na noite de sábado. Entretanto, a pasta não comentou sobre o evento.
O proprietário da chácara, que preferiu não se identificar, informou não saber da dimensão do evento. “Estive lá pessoalmente e comprovei que tudo estava fora do combinado. Lá é um ambiente familiar e o que vi foi um total desrespeito a tudo que se possa imaginar”. Ele ressaltou que reuniu material para denunciar os responsáveis pela festa, caso necessário. A reportagem não conseguiu contato com os organizadores do evento.

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