Meio ambiente

Após acidentes com carrapatos, Ibram estuda remanejar capivaras

Estudo feito pelo Instituto Brasília Ambiental vai indicar quais pontos do Lago Paranoá e quantidade de capivaras poderão ser remanejadas sem provocar impacto ambiental

Jaqueline Fonseca
postado em 24/08/2020 17:41 / atualizado em 24/08/2020 18:57
 (foto: Rafaela Cortez)
(foto: Rafaela Cortez)

O Instituto Brasília Ambiental (Ibram) está realizando um estudo do ecossistema para verificar a possibilidade de manejar emergencialmente as capivaras que estão avançando para áreas residenciais dos bairros que circundam o Lago Paranoá. Por conta da presença nos dos animais próximo às casas, os moradores do Lago Norte têm relatado acidentes com carrapatos trazidos pelos animais.

Há mais de 15 dias, a produtora de audiovisual Natalia Dominici Jangola, 34 anos, que mora na QI 11 do Lago Norte, percebeu que foi picada por um carrapato. Ela arrancou o parasita sem nenhum instrumento, passou álcool e observou se haveria manifestação de febre, o que não aconteceu. No entanto, mais de duas semanas após o ocorrido o local ainda está marcado. “Ainda coça e não cicatrizou”, diz Natália, mostrando o pescoço vermelho.

O carrapato da capivara pode transmitir uma doença chamada febre maculosa, que pode até matar. O médico dermatologista Joaquim Xavier explica que a ocorrência da doença é rara e costuma ocorrer de dois a 14 dias após a picada.

No caso de Natália, que há mais de 15 dias está com coceira, ele explica pode ter havido uma reação de hipersensibilidade. “O que acontece na maioria dos casos é que, uma vez que tem a picada, há a penetração de substâncias estranhas e o organismo reage. Igual uma picada de inseto, o mosquito, por exemplo. Tem pacientes que podem ter uma sensibilidade maior e durar mais tempo o quadro inflamatório”, explicou o médico.

Na manhã desta segunda-feira (24/8), Natalia encontrou uma capivara morta no Parque das Garças. A carcaça do animal já estava seca. Por mais assustadora que a cena possa parecer, o biólogo Mateus de Sousa explica que este é o ciclo natural da vida. Pela imagem, ele acredita que o animal esteja morto há pelo menos 20 dias e deve ter alimentado outros animais, como urubus, mas não é possível precisar a razão da morte.

"É a ordem natural das coisas, algum animal morre, aparecem outros para se beneficiar disso. É o papel ecológico de alguns animais", explica. Ele destaca ainda que o fato só demanda maior atenção caso aconteça com frequência. “Os animais morrem mesmo, só que não conseguíamos ver isso tão bem quanto hoje em dia. Que o espaço entre humanos e animais está bem pequeno.”

Remanejamento emergencial é avaliado

O Ibram diz que não foi detectado o agente contaminante para a febre maculosa no DF e não existem casos confirmados da doença na capital federal este ano. Mas, para afastar as capivaras da área habitada pelos homens, o Instituto Brasília Ambiental (Ibram) estuda o remanejamento emergencial dos animais. A transferência só será feita após análise técnica ambiental, para precisar onde e quais indivíduos podem ser removidos sem provocar impacto ambiental.

“Trabalha-se com a possibilidade de realizar o manejo de habitats em pontos específicos do lago, envolvendo áreas de lazer, parques, unidades de conservação. É importante frisar que a margem do lago Paranoá não é apenas um local destinado ao lazer e moradia de muitos cidadãos, como também a Área de Preservação Permanente e Zona de Preservação da Vida Silvestre da APA do Lago Paranoá”, informa a nota enviada ao Correio.

O Ibram destaca ainda que o trânsito de animais silvestres em áreas verdes é comum e demanda uma convivência harmoniosa para evitar conflitos desnecessários.

 

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