COVID-19

Veja como evitar o estresse em tempos de pandemia e isolamento social

Em tempos de isolamento social, sentimentos ficam à flor da pele. Dessa forma, problemas como depressão e ansiedade tendem a se intensificar. A arteterapia pode ser um bom remédio. Cuide-se

Jonathan Luiz*
postado em 29/08/2020 06:00
 (foto: Minervino J?nior/CB/D.A Press)
(foto: Minervino J?nior/CB/D.A Press)

Está difícil para todo mundo nesses quase seis meses de pandemia. Tristeza, desânimo, sentimento de vazio, mudança repentina de humor são comuns. Com o isolamento social imposto pela pandemia da covid-19, emoções podem aflorar ainda mais, e o desafio de combater os problemas é maior. Respeitando o espaço de cada um, atividades artísticas, físicas e até o uso de tecnologia pode ajudar, e muito, a desestressar a mente, inclusive da meninada.

A psicóloga especialista em atendimento de crianças e adolescentes Milene Bernardes alerta a importância dos pais ou responsáveis na percepção de mudanças de comportamento dos filhos. “É bom prestar atenção em como a criança é no convívio familiar. Qualquer mudança no comportamento é sinal básico para se aproximar e questionar se está tudo bem”, frisa. Alterações na alimentação, roer as unhas ou insônia podem ser sinais de problemas.

Quando se nota essas mudanças, a especialista recomenda que o primeiro passo é a boa conversa franca. “Se os pais percebem alguma coisa, a tentativa inicial é de que eles próprios façam uma checagem. Se perceber que o filho está mais calado, abatido e choroso, é preciso ter um momento sem pressão para poder conversar e oferecer ajuda. É importante que os responsáveis escutem, mas sem rebater, tentar ouvir sem precisar achar necessário dar uma resposta na hora. Muitas vezes, a pessoa só quer desabafar, em vez de algo lógico e conceitos”, salienta. Feito isso, se os problemas continuarem, então, é o momento de procurar um profissional de saúde mental.

Milene destaca a importância de atividades no auxílio dos tratamentos, e lembra que cada pessoa tem a própria forma de encarar um problema. “Os exercícios físicos para desestressar devem ser construídos com empatia. Por exemplo, se uma pessoa faz natação, não significa que outro paciente vai se adaptar. Na verdade, pode acabar se tornando um transtorno, que deixará todo mundo mais irritado. É preciso fazer uma leitura global, não adianta só oferecer mil atividades”, diz.

A escolha de uma atividade vai depender de cada pessoa. No caso da estudante Ketlyn Lorranni Marques, 18 anos, moradora de Taguatinga, a arte é usada como um suporte para o seu tratamento. “No início deste ano comecei a desenhar como hobby. Gostei muito e comecei a focar nisso para esquecer da nota do Enem que demoraria a sair. Mudei de psicóloga e psiquiatra. Hoje, tomo pouco remédio e faço terapia há três meses”, conta. A jovem ressalta a importância da arte para ela. “A pintura é um forma de direcionar minha ansiedade, energia em excesso e focar no trabalho, sem deixar que nenhum pensamento ansioso ou depressivo tome conta do meu corpo”, expressa.

Alternativa

Ketlyn conta que sempre sofreu com a ansiedade, mas, em 2018, o problema se agravou. A pressão com os estudos para os vestibulares contribuiu para aumentar o problema. Mas foi dessa situação que ela descobriu a paixão pela pintura. “Estudei Impressionismo na escola e me apaixonei pela técnica. Minha inspiração é Claude Monet”, revela.

Esse tipo de tratamento pode ser uma alternativa para quem não se sentir confortável em conversar, como explica a psicóloga clínica especializada em arteterapia Mariana Kirschner. “Nesse método, a arte é o elemento central para a transformação da saúde do paciente. Em vez de falar das coisas que está sentindo, a pessoa vai criar, explorar a criatividade”, explica. A terapia pode abordar pinturas, desenhos, músicas, escrita, danças e fotografias.

“Eu tenho pacientes que não gostam de desenhar, então, eles trabalham com fotografia, por exemplo, ou com a escrita. O importante é o potencial criativo, a pessoa se expressa, se conhece por meio da arte que está produzindo”, ressalta. Ela complementa: “Um dos pilares da arteterapia é o processo criativo, não o resultado”.

Apesar de psicólogos serem especialistas em tratamentos mentais, eles também precisam se cuidar. Guilherme Campello, 30, mora em Brasília e é psicólogo. Ele conta que enfrenta a depressão desde a infância. “Na minha juventude, tinha a leitura de que a minha personalidade era mais para baixo. Mas, comecei a me identificar com uma pessoa que já tinha passado por crises depressivas. A princípio, entendia todos os sintomas da doença como característica da minha personalidade, porém, ao longo da vida, tive diversas formas de perceber a doença, mas abri mão e fui contornando essas questões”, aponta.

Ele começou a fazer tratamentos na adolescência, e usa a música como uma terapia. “Quando era mais novo, curtia muita música, prestava atenção nas letras, ouvia as canções e me identificava com os artistas. Tinha um interesse maior no rock internacional, cujas as bandas cantavam músicas com temática existencial e também abordavam questões como saúde mental e depressão. Coisas mais marginalizadas, mas, na música, encontrava o espaço de diálogo. A música tem um papel fundamental na minha vida”, afirma.

Mudanças de humor

Da alegria contagiante para a tristeza profunda em poucos minutos. Situações acionadas por pequenos gatilhos que, para muitos, podem ser insignificantes como, por exemplo, um simples desentendimento. As emoções saem do controle e se transformam em berros, palavrões e até agressões.

Após a explosão, vem o sentimento de culpa e o medo do abandono, faz com que a pessoa possa buscar refúgio no álcool e em outras drogas. As emoções afloram de tal forma, que chegam ao ponto de levar a pessoa a se automutilar. Esse é o problema de quem sofre de transtorno de personalidade borderline (TPB).
A atendente Jhéssica Kéthullen dos Santos, 26, moradora de Ceilândia, conta que descobriu que é borderline há quase dois anos. “Meu ex-marido falava que eu precisava ir ao psicólogo, pois, quando ficava com raiva, quebrava a casa toda, e depois me arrependia e me derramava em choro.” Para enfrentar o problema, Jhéssica investiu na atividade de maquiagem estética como escape e terapia. “Antes, fazia as maquiagens, tirava e pronto. Até que um dia resolvi gravar e postar no Instagram. Gostei, me senti melhor”, salienta.

*Estagiária sob supervisão de José Carlos Vieira

Saiba mais

Como identificar sintomas de ansiedade, depressão e borderline?

 (foto: Arquivo Pessoal)
crédito: Arquivo Pessoal

Depressão


Humor depressivo: sensação de tristeza, autodesvalorização e sentimento de culpa. Acreditam que perderam, de forma irreversível, a capacidade de sentir prazer ou alegria. Tudo parece vazio, o mundo é visto sem cores, sem matizes de alegria
Muitos se mostram mais apáticos do que tristes, relatando falta de sentimento”. Fazem avaliação negativa acerca de si mesmo, do mundo e do futuro
Retardo motor, falta de energia, preguiça ou cansaço excessivo, lentificação do pensamento, falta de concentração, queixas de falta de memória, de vontade e de iniciativa;


Insônia ou sonolência


Apetite: geralmente diminuído, podendo ocorrer, em algumas formas de depressão, aumento do apetite, com maior interesse por carboidratos e doces
Redução do interesse sexual
Dores e sintomas físicos como mal-estar, cansaço, queixas digestivas, dor no peito, taquicardia, sudorese.

Borderline


Esforços desesperados para evitar a sensação de abandono ou rejeição
Padrão de relacionamentos instáveis e intensos, caracterizados pela alternância entre extremos de idealização e desvalorização que caem constantemente em sentimentos de frustração
Recorrência de comportamentos, gestos ou comportamento automutilante
Raiva intensa, inapropriada e incontrolável que dá origem a reações desproporcionais ao estímulo, geralmente seguidas de sentimento profundo de culpa.

Ansiedade


Sintomas psicológicos da ansiedade: constante tensão ou nervosismo; sensação de que algo ruim vai acontecer; problemas de concentração; medo constante; problemas para dormir; irritabilidade
Sintomas físicos da ansiedade; dor ou aperto no peito e aumento das batidas do coração; respiração ofegante ou falta de ar; tremores nas mãos ou outras partes do corpo; sensação de fraqueza ou fadiga; náusea; tensão muscular.

Onde obter ajuda

 (foto: Milene Bernardes/Divulgação)
crédito: Milene Bernardes/Divulgação

Grupo de ajuda mútua
Cras de Taguatinga: QNG 27 A/E 4

Terapia Comunitária
CAPS (Centro de Atenção Psicossocial) III Riacho Fundo 1
Antigo Instituto de Saúde Mental segundas, às 10h

CAPS III Samambaia
Quadra 302, Conjunto 5, Lote 1
sextas, às 8h

CAPS AD II Sobradinho 2
Área Rural 17, Chácara 14, antigo Centro de Saúde 3
aberto ao público

CAPS II Taguatinga
QNF Área Especial 24
terças, às 9h

CAPS III Riacho Fundo 1
antigo Instituto de Saúde Mental segundas, às 10h

UBS 2 (Unidade Básica de Saúde)
Asa Norte
EQN 114/115
terças, às 8h30

UBS 2 Brazlândia
Quadra 45, Área Especial 1
sextas, às 7h30

UBS 8 Ceilândia
EQNP 13/17 Área Especial A/B/C/D
quintas, às 8h30

UBS 10 Ceilândia
QNN 12 Área Especial 1
quintas, às 8h

UBS 12 Ceilândia
QNQ 3/4; quintas, às 8h30

UBS 1 Cruzeiro
SHCES Quadra 601, Lote 1, Cruzeiro Novo; terças, às 17h; e quintas, às 15h

UBS 6 Gama
EQ 12/16, Setor Oeste
terças, às 15h

UBS 1 Guará
QE 6, Lote C, Guará 1
terças, às 10h

UBS 2 Guará
QE 23 Lote C, Guará 2
terças e quintas, às 8h

UBS 1 Núcleo Bandeirante
Terceira Avenida, AE 3
quintas, às 9h30

UBS 1 Paranoá
Quadra 21, Área Especial, Conjunto 15
terças, às 8h; e quintas, às 15h

UBS 3 Paranoá
Quadra 2 Conjunto A, Área Especial
quartas, às 14h30

UBS 4 Planaltina
Estância Nova Planaltina
Quadra 2 Rua A, Área Especial
quartas (quinzenal), às 15h; e sextas (uma vez por mês)

UBS 17 Planaltina
Condomínio Morumbi, Vale do Sol ; Quadra N, Lote 15 BR-020
quartas, às 14h

UBS 3 Recanto Das Emas
Quadra 104/105 Área Especial
quartas, às 14h

UBS 1 Riacho Fundo 1
QN 9, Área Especial 11
sextas, às 16h

UBS 2 Riacho Fundo 1
QN 1, Área Especial 1, Conjunto 32
segundas, às 9h

UBS 3 Samambaia
QN 429, Conjunto F Lote 1 Expansão
sextas, às 8h30

UBS 5 Samambaia
QN 523, Área Especial 1
segundas, às 14h

UBS 7 Samambaia
QD 302, Conjunto 5, Lote 1
sextas, às 14h

UBS 9 Samambaia
CAPS AD III, QS 107 Conjunto 8,
Lotes 3, 4 E 5
quintas, às 19h30

UBS 5 São Sebatião
DF-140, KM 7,5, ao lado da Emater
quintas, às 15h30

UBS 2 Sobradinho
Quadra 3, Área Especial, entre os conjuntos D/E
terças, às 9h; e sextas, às 14h

UBS 5 Sobradinho 2
QNS 16, Rua 14, Casa 1
quintas, às 10h

UBS 8 Taguatinga
QNL 24, Área Especial,
Taguatinga Norte, Nova QNL
segundas, às 9h

UBS 1 Vicente Pires
Rua 4C Chácara 12, Colônia Agrícola Samambaia
segundas, às 14h

UBS 3 Vila Planalto
Rua Piauí, Área Especial, quartas, às 14h

Horários sujeitos a alterações

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