Polícia apreende mais duas cobras

Darcianne Diogo
postado em 28/08/2020 22:06
 (foto: PCDF/Divulgação)
(foto: PCDF/Divulgação)

A Polícia Civil investiga o local onde as duas cobras apreendidas, ontem, nos arredores da Rodoviária do Plano Piloto, eram mantidas em cativeiro. Agentes da Delegacia de Combate à Ocupação Irregular do Solo e aos Crimes Contra a Ordem Urbanística e o Meio Ambiente (Dema) deflagraram a Operação Chordata e capturaram as serpentes, ontem, — uma jiboia, da fauna silvestre nativa, e uma corn snake, dos Estados Unidos — oriundas de tráfico. Elas estavam anunciadas para venda nas redes sociais. A prática ilegal é lucrativa e movimenta cerca de US$ 20 bilhões em todo o mundo, como aponta estudo da Rede Nacional de Combate ao Tráfico de Animais Silvestres (Renctas) — o Brasil responde por 15% desse mercado clandestino.

À polícia, o acusado, um homem de 30 anos, afirmou que as duas cobras valeriam cerca de R$ 1,8 mil no mercado clandestino, pois, segundo ele, a jiboia teria um “padrão diferenciado de coloração” e que a corn snake é uma matriz, ou seja, reproduziu algumas vezes, gerando, a cada ninhada, cerca de 20 filhotes. No momento da apreensão, os animais estavam em caixas de papelão. Eles foram conduzidos à delegacia.

Agentes detiveram o vendedor em flagrante pelo crime previsto na Lei nº 9.605/98 — matar, perseguir, caçar, apanhar, utilizar espécimes da fauna silvestre, nativos ou em rota migratória, sem a devida permissão — e deverá responder, ainda, por tráfico de animais silvestres. Por enquanto, as cobras permanecerão aos cuidados da Dema, até a definição de outra destinação.

Atividade ilícita
Considerada a terceira atividade clandestina mais lucrativa do mundo, ficando atrás do tráfico de drogas e do de armas, de acordo com pesquisa do Renctas, o tráfico de animais silvestres no DF ganhou repercussão após o estudante de medicina veterinária Pedro Henrique Santos Krambeck, 22, ser picado por uma naja kaouthia, que ele mesmo criava, ilegalmente, no apartamento onde mora com a família, no Guará 2. O caso ocorreu em 7 de julho.

Investigações conduzidas pela 14ª Delegacia de Polícia (Gama) concluíram que o jovem era proprietário de 23 cobras, incluindo a naja, e que ele não era apenas um “mero colecionador de animais”, mas, um traficante, que atuava no mercado ilegal desde 2017.

Vídeos, fotos e documentos colhidos pela polícia comprovaram a atividade ilícita. Em conversa com o pai biológico, Pedro Henrique chegou a afirmar que comprou a naja por cerca de R$ 7 mil. De acordo com a apuração policial, o esquema de tráfico envolveu 11 pessoas, incluindo o estudante; a mãe dele, Rose Meire dos Santos; o padrasto, o tenente-coronel da Polícia Militar do DF Clóvis Eduardo Condi; e amigos da universidade onde ele estuda, no Gama.

Pedro Henrique foi indiciado 23 vezes por tráfico de animais silvestres, 23 vezes por maus-tratos, associação criminosa, além de exercício ilegal de profissão, uma vez que filmagens mostraram o jovem realizando uma cirurgia em uma cobra dentro de um estabelecimento comercial da família. A mãe e o padrasto responderão por crimes ambientais.

Grupo de animais

Chordata deriva do termo chorda, que, no latim, associa-se à corda. Chordata representa um grupo de animais, que pode ser composto por alguns invertebrados e todos vertebrados, como peixes, anfíbios, répteis, aves e mamíferos.

Ilegal

Apreensões de animais silvestres no DF:

PeríodoTotal
De janeiro a julho de 20201.408
De janeiro e julho de 20191.463

Fonte: Batalhão de Polícia Militar Ambiental (BPMA)

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