COMÉRCIO

Semana Brasil: Lojas dão descontos que chegam a 40% a partir de quinta-feira

Consumidores poderão aproveitar a Semana Brasil para comprarem produtos com preços mais atraentes a partir da próxima quinta-feira. Só no DF serão mais de duas mil empresas do varejo participantes da promoção

Samara Schwingel
postado em 01/09/2020 06:00
 (foto: Arquivo Pessoal)
(foto: Arquivo Pessoal)

Nesta quinta-feira (3/9), começa uma nova edição da Semana Brasil, campanha nacional em que redes varejistas oferecem descontos de até 40% em produtos e serviços. A ação, criada pelo governo federal para estimular a economia, deve ter um impacto positivo no comércio do Distrito Federal, onde mais de duas mil empresas participarão do evento. Em comparação com o ano passado, o setor viu os lucros caírem cerca de 22% nos meses após o início da crise sanitária no Brasil, mesmo após a reabertura do comércio. Por isso, a categoria está otimista com a possibilidade de reaquecer as vendas e deve apostar tanto em promoções on-line quanto nas lojas físicas. Os clientes, por sua vez, estão dispostos a aproveitar os preços mais baixos da campanha.

Esta nova edição da Semana Brasil acontecerá entre 3 e 13 de setembro, como uma prévia da Black Friday, que será promovida em 27 de novembro. Para Solange Santos, 49 anos, será uma oportunidade para adquirir itens necessários. “Têm algumas coisas que preciso comprar, mas como a quinta-feira está próxima, vou esperar para comprar com desconto”, conta. A servidora pública acredita que, assim, fará o dinheiro render mais. “Com os descontos, é possível comprar até mais daquilo que é necessário”, diz. Ela conta que, provavelmente, fará as compras nas lojas físicas. “É melhor, porque já consigo sair com o produto e, caso precise trocar ou devolver, acredito ser mais fácil”, relata. Apesar disso, ela ressalta que não vai passear pelas lojas. “Vou pesquisar antes se as lojas que quero ir estão participando da campanha e pegar pelo drive-thru delas. Nada de ficar andando em shoppings”, declara.

Victor Gandra, 18, aguarda pelos descontos e afirma que procurará pelas lojas que gosta. “Tenho algumas economias que fiz durante a pandemia e pretendo usar parte delas nestes 10 dias de promoção”, diz. O estudante de designer gráfico considera que a medida irá movimentar mais o comércio do DF. “Eu mesmo não saí para visitar lojas até agora, mas, devido aos descontos, acredito que irei a algumas”, completa. Apesar de várias lojas disponibilizarem as promoções no formato presencial e pela internet, o jovem acredita que comprar em lojas físicas ainda é a melhor alternativa. “Além da possibilidade de experimentar e ver o produto melhor, posso sair da loja com ele, não preciso esperar chegar pelos Correios nem pagar frete”, confirma. Morador do Jardim Botânico, ele afirma estar ansioso para saber quais lojas irão aderir ao evento.

Segundo o Sindicato do Comércio Varejista do Distrito Federal (Sindivarejista), na capital federal, há 600 empresas a mais na campanha deste ano do que em 2019 — quando apenas 1.400 participaram da ação. Marciana de Brito, 43, é gerente de uma das empresas que participará da campanha nacional. No cargo em uma filial de uma rede de chocolates no DF há mais de um ano, ela espera que a Semana Brasil seja um estímulo para as vendas. “Em 2019, foi um sucesso, vendemos bem”, diz. Para alcançar bons números, ela diz que disponibilizará promoções tanto no formato quanto na loja presencial. “Com o início da pandemia, investimos em serviços de delivery e devemos estender as ofertas relativas à campanha para este formato também”, diz.

 

Retomada de ritmo

Marciana acredita que o período pode ajudar o setor de comércios a retomar o ritmo de vendas. “Mesmo depois da reabertura, senti que os clientes ainda estão com receio de gastarem com coisas consideradas não-essenciais”, relata. Ela explica que as lojas estão seguindo os protocolos de segurança e continuarão seguindo durante este período em que esperam maior movimentação. “O fato de ser uma data em que esperamos mais movimento não altera a postura em relação ao coronavírus, temos de continuar nos prevenindo”, esclarece. Além disso, ela acredita que a campanha pode ser um aquecimento para datas futuras. “Nos próximos meses, teremos o Dia das Crianças e o próprio Natal como datas fortes para o comércio. Espero que estes 10 dias sirvam como um pontapé inicial para boas vendas nesses períodos que estão por vir”, afirma.

Botommy Braga, 42, é gerente de uma loja de departamentos com filiais na Asa Sul, em alguns shoppings do DF. Ele também está se preparando para a Semana Brasil. A loja que administra espera um crescimento nas vendas em relação ao ano passado. “A campanha de 2019 foi muito boa para nós. Mesmo perante o cenário adverso que enfrentamos este ano, espero uma alta de cerca de 10% nas vendas”, diz. Ele explica que a localização do comércio deve ajudar no reaquecimento. “As lojas de rua estão sendo mais visitadas que as de shoppings”, ressalta.

Botommy conta que está apostando em ações de propaganda chamativas para atrair o público. “Fizemos diversas reuniões e pensamos na melhor forma de impactar aquelas pessoas que ainda estão com medo de sair de casa”, esclarece. Ele conta que delivery e preços menores são os principais atrativos. “Aderimos ao serviço de entregas em domicílio por causa da pandemia e ele se tornou um diferencial indispensável no setor de comércio. Além disso, as promoções sempre acabam seduzindo os clientes”, explica.

Vendas on-line

Em 2019, segundo uma pesquisa da Ebit/Nielsen, as vendas on-line durante a Semana Brasil cresceram 41% e atingiram um faturamento de R$ 1,86 bilhão, em comparação com o mesmo período de 2018. Neste ano, a expectativa é que as vendas pela internet cresçam ainda mais. De acordo com o vice-presidente do Sindivarejista, Sebastião Abritta, a crise sanitária foi um estímulo para que o modelo on-line se estabelecesse no mercado e o formato pode ser um caminho para que o comércio recupere o faturamento. “As vendas no formato já eram uma realidade e estavam crescendo bastante. Com a pandemia, isso só se intensificou e os descontos devem estimular ainda mais este modelo”, diz.

Apesar de acreditar no maior sucesso das vendas pela internet, Abritta acredita que o varejo do DF está preparado para o evento também no âmbito presencial. “São várias lojas e redes que estarão com os descontos por 10 dias em diversos produtos e serviços. Com certeza será um atrativo para os clientes saírem de casa”, considera. Otimista, ele afirma que espera que o setor atinja números semelhantes aos do ano passado. “Até dezembro, queremos ter chegado aos mesmos índices de vendas registrados em 2019. Sendo bem confiante, talvez seja possível até registramos um crescimento de 1% ou 2%”, declara.

Andrea Vasques, 45, é proprietária, com o marido, de duas redes de lojas de roupas íntimas na capital federal. Ela está esperançosa em relação à Semana Brasil. “A campanha, ano passado, foi um sucesso. Por isso, espero que este ano não seja diferente”, diz. Afirma que, além dos serviços em lojas físicas, estenderá as promoções para os serviços por delivery, sempre seguindo as medidas de segurança sanitária. “Estamos nos preparando da melhor forma para atendermos os clientes dentro dos protocolos de segurança e higienização para evitarmos a proliferação da covid-19 entre os consumidores e funcionários das lojas”, afirma.

Economista e coordenador do curso de economia no Centro Universitário Iesb, Riezo Silva acredita que a medida pode movimentar o comércio, mas com ressalvas. “Toda tentativa de gerar demanda é válida neste momento e pode ajudar as lojas a venderem mais. Além disso, setembro não conta com nenhuma data comemorativa expressiva para o setor e, em momentos de crise, isso faz falta”, explica. “Porém, é preciso colocar os pés no chão e entender que, atingir os mesmos números do ano passado não é uma realidade próxima”, continua.

Cuidado com as dívidas

Riezo Silva, economista e coordenador do curso de economia no Centro Universitário Iesb

 (foto: Samara Schwingel/CB/D.A Press)
crédito: Samara Schwingel/CB/D.A Press

“Infelizmente, é comum que as famílias brasileiras acabem se endividando quando encontram promoções muito grandes, pois gastam mais do que podem pagar. Para fugir do endividamento, a primeira dica é: evitar comprar no cartão de crédito. Mesmo em compras on-line, o ideal é que se opte pelo boleto. Além do desconto ser maior, pois as lojas não precisam pagar taxas presentes nos cartões, o risco de perder o controle dos gastos e do saldo é menor. Porém, caso o cartão de crédito seja a única opção no momento, é importante prestar atenção aos valores da fatura. O ideal é que elas não ultrapassem 30% de toda a renda da pessoa. Caso contrário, há a possibilidade de que o indivíduo não consiga arcar com as dívidas e, devido aos juros, o valor aumente a cada mês.”

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