Corona vírus

DF passa de 2,5 mil mortes

Secretaria de Saúde contabilizou 52 óbitos provocados pela covid-19 e 1.246 infectados, ontem. Ao todo, são mais de 162 mil casos. Especialistas da UnB consideram que a doença está em crescimento na capital

Walder Galvão
postado em 31/08/2020 22:24
 (foto: Ed Alves/CB/D.A Press - 12/8/20)
(foto: Ed Alves/CB/D.A Press - 12/8/20)

O Distrito Federal terminou o sexto mês de enfrentamento à pandemia do novo coronavírus atingindo a marca de 2,5 mil mortos pela covid-19. Ontem, a Secretaria de Saúde contabilizou 52 óbitos provocados pela doença e 1.246 casos confirmados. Com os novos registros, o total de vítimas chegou a 2.521 e o de infectados, a 162.042. Boletim divulgado pela Universidade de Brasília (UnB) mostra que o vírus continua em franco crescimento na capital.

Dos recentes óbitos computados, cinco aconteceram ontem. As demais vítimas morreram entre 7 de julho e o último sábado, porém, o registro ocorreu posteriormente. Todas tinham mais de 40 anos e seis não tinham comorbidades — outras doenças que agravam os sintomas da covid-19. Ceilândia (7), Samambaia (6) e Taguatinga (5) foram as regiões administrativas onde mais moradores faleceram. Seis viviam em Goiás.

Do total de mortos, 2.309 moravam no Distrito Federal e 212 eram pessoas que viviam em outras unidades da Federação, mas perderam a vida em hospitais locais. A Secretaria de Saúde contabiliza 16.493 diagnósticos de pacientes de fora da capital. Apesar do número expressivo de óbitos e infectados, a quantidade de recuperados chegou a 145.413, portanto, há 14.108 casos ativos.

Com 19.292 infectados, Ceilândia continua como a região administrativa com maior incidência do novo coronavírus. Taguatinga, que soma 13.025 notificações da doença, ocupa o segundo lugar do ranking. No domingo, a cidade ultrapassou o número de ocorrências do Plano Piloto, que contabiliza 12.987 infecções. Setor de Indústria e Abastecimento (SIA) (68), Fercal (105) e Varjão (243) têm a menor taxa de diagnosticados.

Capacidade

A capacidade do sistema de saúde para atender pessoas com o novo coronavírus é uma das principais preocupações do Executivo local e de especialistas, desde o início da pandemia. Entretanto, apesar do avanço da doença, o índice de ocupação dos leitos de unidade de terapia intensiva (UTI), exclusivos para o tratamento da covid-19, começa a cair.

Monitoramento da Secretaria de Saúde, divulgado ontem, mostra que 65,5% da UTI da rede pública está comprometida. Há 448 internações para 719 vagas. No sistema privado, o percentual é maior: a taxa de ocupação está em 89,53%. São 234 pacientes para 267 leitos.

Apesar da disponibilidade de UTI, há 22 pacientes com caso suspeito ou confirmado da covid-19, precisando de vaga. Desses, nove estão internados, porém, necessitam de transferência para um leito com maior capacidade de atendimento. Os outros 13 aguardam para dar entrada em uma unidade de saúde.

Vírus avança entre os mais pobres

Boletim divulgado semanalmente pela Universidade de Brasília (UnB) mostra que o novo coronavírus cresce no Distrito Federal. O documento ressalta que ocorre o aumento de incidência da doença nas áreas mais frágeis da sociedade, além de acometer a população de classe média alta. A consequência disso é de que a taxa de lotação dos leitos de UTI da rede privada de saúde da capital seja uma das mais altas do país.

O epidemiologista da Universidade de Brasília Walter Massa Ramalho explica que o cenário de crescimento de casos no Distrito Federal deve-se à baixa adesão às medidas de isolamento social. “No Brasil, não tivemos medidas de restrições efetivas, como lockdown. Se tivéssemos passado por esse processo, teríamos saído desse cenário que vivemos hoje”, ressalta.

De acordo com o estudioso, a reabertura de setores do comércio, além da falta de possibilidade para que as pessoas de baixa renda se mantivessem em casa, são alguns dos fatores que sustentam a circulação do vírus na capital. “Temos uma periferia que vive do salário que ganha. Eles vão comer amanhã o que se trabalha hoje. Se não dermos sustentabilidade financeira para essas pessoas, a covid-19 vai se manter ativa, mas não porque elas querem, mas porque precisam trabalhar para sobreviverem”, comenta.

Walter ressalta que o Distrito Federal, talvez, só saia desta crise no momento em que a população da capital atingir a imunidade de rebanho — quando há um número muito grande de infectados, e o vírus não encontra mais caminhos para se espalhar. “Em algumas áreas, como Manaus (AM), houve um surto explosivo, o que fez o coronavírus se estabilizar com baixas taxas. Lá, eles não tiveram lockdown. Porém, o preço disso foram muitas pessoas mortas e outras com sequelas”, frisa.

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