Jornal Correio Braziliense

Vulnerabilidade

População em situação de rua recebe orientação e atendimento no SCS

No local, os moradores de rua recebem atendimentos de saúde, são direcionados a unidades terapêutica e podem emitir documentos

A população de rua do Setor Comercial Sul (SCS) recebe, a partir desta terça-feira (25/8), atendimento multidisciplinar de diversas secretarias de Governo do Distrito Federal. Serão ofertados atendimentos de saúde, encaminhamento para abrigos ou casas de recuperação e vagas de emprego, além de haver um mutirão para registro e emissão de documentos.

Em sua primeira aparição pública após se curar da covid-19, o secretário de Segurança Pública, Anderson Torres, prestigiou a abertura oficial do evento. Ele destacou a participação da pasta na ação de requalificação do SCS. “A segurança pública colocou diversos serviços à disposição da comunidade, como emissão de carteira de identidade e ajuda humanitária, com distribuição de cestas e cobertores pela Defesa Civil. Nosso objetivo principal é atuar de forma preventiva, mostrando para empresários e frequentadores que o Setor Comercial Sul é seguro. Este ano, por exemplo, não foi registrado homicídio na região”, disse. 

O atendimento à população começa no estande da Secretaria de Desenvolvimento Social, que diariamente recebe os moradores da região. Ali eles são inseridos no CadÚnico para que possam receber assistência social e ser encaminhados para o próximo atendimento, de acordo com a necessidade.

Alguns são direcionados para o atendimento de saúde, outros para a orientação ou aconselhamento para auxílio. Há ainda os que tiram a carteira de trabalho e até mesmo encaminhados para vaga de emprego por meio da Secretaria do Trabalho. Um dos servidores que faz o atendimento à população conta que muitos dos moradores de rua têm experiência em algum trabalho e podem ocupar uma vaga de emprego.

Outro serviço na ação é o atendimento a dependentes químicos. Rodrigo Barbosa da Silva, subsecretário de Enfrentamento às Drogas da Secretaria de Justiça, explicou que no estande da Sejus são ofertados todos os tipos de políticas públicas de atendimento contra álcool e drogas. Aqueles que querem um tratamento são destinados a casas de acolhimento, mas há também os que buscam orientações e encaminhamentos aos Centros de Atendimento Psicossocial (CAPS). Faz-se respeitar a vontade de pessoa e, em todos os casos, elas são ouvidas e informadas sobre as opções que têm. “A Secretaria de Justiça oferece 12 comunidades terapêuticas parcerias. A gente faz a interlocução com a comunidade que informa a vaga e o encaminhamento necessário para pessoa ser acolhida lá”, disse.

Uma das pessoas atendidas o estande da Sejus foi José Alves dos Santos, 56 anos. Por horas, ele conversou com dois servidores que aconselharam que aceitasse o tratamento em uma unidade terapêutica para se recuperar do vício em drogas. Ele disse que toma oito remédios diariamente e não quer mais dormir em cima do papelão.

Contou que antes da pandemia vendia balas em eventos e morava em um apartamento em Taguatinga ao custo de R$ 600, mas agora que “tá tudo parado”, voltou a morar na rua, no SCS. Ao ouvir do servidor da Sejus que este é um ótimo momento para ingressar na casa terapêutica e sair das ruas, ficou reflexivo, mas acabou por não aceitar. Disse que vai pensar e dar resposta até a próxima sexta-feira (4/8), quando terminar ação.

A ação faz parte do projeto de revitalização do SCS, começando pela atendimento às pessoas e passando por uma requalificação de infraestrutura. Por meio do Programa Renova ,três mil pessoas serão capacitadas na área da construção civil e remuneradas para fazer serviços na capital federal, inclusive o SCS.

Na ação, realizada na Quadra 5, as mulheres têm uma carreta de atendimento exclusivo. Na frente do veículo foi disponibilizada uma arara com roupas para doação e as portas ficaram abertas para quem quiser conversar. Beatriz Sirilo da Silva passou por lá. Mãe de seis filhos e moradora de rua, disse que quando acordou decidiu ir embora para São Paulo, mas foi abordada na rua pela manhã e aceitou o convite de ir até o local.

Quem a convidou foi Doria Freitas, diretora de Diversidade da Secretaria da Mulher, que acolheu, ouviu e orientou Beatriz sobre como garantir alguns direitos básicos além de atendimento de saúde. “Você não está mais só. A gente vai ficar de olho, a gente agora sabe o que tá acontecendo e vai poder criar políticas públicas específicas para as mulheres dessa região.”

A brasiliense Beatriz Sirilo narra uma sofrida história de agressões, violências de todos os tipos e separação dos filhos, que vivem distante.

Ericka Filippell, Secretária da Mulher, esteve no local e disse que o espaço está sendo disponibilizado para conhecer as demandas das mulheres daquela região. Ela também explicou que os técnicos da secretaria estão preparados para dar o encaminhamento para cada caso. “A gente vê que em situação de rua a mulher está muito mais exposta a todas as violências e vulnerabilidades. É importante ter esse tipo de atendimento, porque nossos especialistas conseguem identificar as reais necessidades e dar o acolhimento correto.”

A psicóloga Fernanda Falconer, coordenadora da área intersetorial da secretaria da Mulher, conta que os relatos de violência entre as mulheres em situação de rua são muito frequentes. “A violência é cultural, está presente na nossa sociedade, então na situação de rua, na zona urbana, ela é muito presente, ela é naturalizada. A gente ouviu vários relatos e elas vivem histórias de violências seja na relação, seja violência institucional, então essa é uma demanda que está presente na vida delas.”

A ação conjunta entre as secretarias do Trabalho, do Desenvolvimento Social, da Justiça, da Saúde e da Segurança Pública está sendo realizada no Setor Comercial Sul, Quadra 5, até a próxima sexta-feira (4/8). No local, há permanente uma barra de acolhimento e atendimento da Secretaria de Desenvolvimento Social.