Recorde de casos em 24 horas

DF registrou 3.171 casos confirmados da covid-19, maior número contabilizado em um dia desde o início da pandemia. Com os novos registros, o total de infectados chegou a 153.690. Apesar do avanço da doença, o Executivo flexibilizou ainda mais as medidas de restrição

Em meio a uma investigação envolvendo representantes da Secretaria de Saúde, o novo coronavírus continua a avançar no Distrito Federal. Ontem, a capital teve a maior quantidade de casos confirmados em 24 horas, desde o início da pandemia, que começou em março. Ao todo, 3.171 pessoas testaram positivo para a covid-19 e 25 óbitos foram computados. Com os registros, o total de infectados chegou a 153.690; e o de mortes, a 2.344. Apesar da disseminação da doença, o Executivo voltou a flexibilizar medidas de restrição.
A última vez que o DF havia registrado tantos casos em 24 horas foi em 10 de agosto, quando 3.012 pessoas testaram positivo para a doença. Apesar do número expressivo, a Secretaria de Saúde anuncia que há 135.361 pessoas recuperadas, cerca de 88% do total de infectados. Com isso, há 15.985 casos ativos na capital.
Do total de mortos pelo novo coronavírus, 2.344 eram moradores do Distrito Federal e 199 viviam em outras unidades da Federação, mas perderam a vida em hospitais locais. Além disso, dos óbitos recentes, apenas um aconteceu nesta terça. A vítima era uma moradora de Brazlândia com mais de 80 anos e portadora de comorbidades — outras doenças que agravam os sintomas da covid-19.
Com 18.394 casos, Ceilândia continua como a região administrativa de maior incidência do novo coronavírus. Em seguida, está o Plano Piloto, que soma 12.386 notificações, e Taguatinga, com 12.200 infectados. Além disso, a Secretaria de Saúde contabiliza o diagnóstico de 15.452 pessoas que moravam fora do DF, mas que fizeram o exame na capital.

Flexibilização

Apesar do avanço da covid-19 e da falta de previsão para que os casos comecem a ter redução, ontem, o Executivo permitiu que crianças menores de 12 anos voltem a frequentar cultos, missas e rituais religiosos no Distrito Federal. A decisão foi publicada no Diário Oficial do DF (DODF) de ontem, alterando o decreto que havia reaberto os templos religiosos.
Devido à pandemia do novo coronavírus, o Executivo fechou os templos religiosos em março deste ano. Entretanto, o chefe do Palácio do Buriti, Ibaneis Rocha (MDB), permitiu o retorno do funcionamento deles em 30 de maio, com uma série de restrições. Em 14 de agosto, o emedebista liberou a realização de celebrações em espaços pequenos e também autorizou a presença de pessoas idosas nos templos. Porém, as crianças não poderiam ir aos locais.

Granja do Torto

Outra medida de flexibilização, também publicada ontem no DODF, foi a autorização da volta de provas e eventos agropecuários no Parque da Granja do Torto, desde que sem público e transmitidos virtualmente. Por meio de um decreto, o governador permitiu o manejo e a utilização de animais expostos por equipes técnicas. Os organizadores deverão cumprir protocolos e medidas de segurança. Em caso de aglomeração de bichos de mais de um estabelecimento rural, deverão ser atendidas algumas exigências, como a presença de médico veterinário.
Além disso, antes de realizar o evento, é necessário licenciamento sanitário. A fiscalização fica a cargo do DF Legal e da Secretaria de Agricultura, Abastecimento e Desenvolvimento Rural, em conjunto com órgãos de fiscalização tributária, de defesa do consumidor e da vigilância sanitária.

Taxa de desemprego no DF começa a cair

As taxas de desemprego no Distrito Federal, que sofreram forte impacto com a crise gerada pela pandemia do novo coronavírus, demonstram sinais de melhora. A Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED-DF) mais recente, divulgada, ontem, pela Companhia de Planejamento do Distrito Federal (Codeplan) mostra que, depois de dois meses em elevação, os índices começam a diminuir. Até junho deste ano, os desempregados no DF eram 327 mil. Em julho, houve queda de 10,4%, passando a um total de 293 mil desempregados. Este número ainda está 0,3% maior do que o visto no mesmo período do ano passado, quando os desempregados eram 292 mil.
O estudo fez o levantamento até julho, mostrando que a população ativa é de 2,4 milhões de pessoas, das quais 1,2 milhão estão ocupadas. Isso representa um aumento de 4% em relação a junho deste ano, mas uma queda de 6,7% quando comparado ao mesmo período de 2019.
De acordo com o levantamento, o setor de serviços se mantém com maior empregabilidade, somando, até julho, 904 mil contratados. No mês anterior, esse número era de 878 mil pessoas (aumento de 3%) e, em julho de 2019, eram 977 mil (queda de 7,5%). Em seguida, vem o setor de comércio e reparação, com 216 mil empregados em julho deste ano, contra 204 mil em junho, e 227 mil em julho de 2019. A construção civil também registrou aumento de contratações, indo de 47 mil empregados em junho, para 58 mil em julho. No ano passado, em julho, esse número era de 63 mil pessoas.
A reação no mercado de trabalho aparece no mês em que o Governo do Distrito Federal (GDF) autorizou a reabertura do comércio, incluindo lojas de rua, shoppings centers, bares e restaurantes. “Observamos um lento retorno ao perfil tradicional relativo ao que tínhamos antes da covid-19. Estamos retornando. Nós estamos num período de mudança estrutural que indica que os mercados de trabalho diminuam de tamanho”, pondera Lúcia Garcia, coordenadora da pesquisa.
A reabertura do comércio trouxe novas oportunidades para a garçonete Elinete Feitosa, 38 anos. “No fim de julho, a minha antiga empresa me chamou para trabalhar de volta. Fiquei sem trabalho desde o início da pandemia. Foi muito difícil, não tinha ninguém contratando e as contas chegam.” Durante quatro meses desempregada, a garçonete lembra que sobreviveu por meio de bicos e de auxílios governamentais. “Com isso, ficou mais tranquilo para pagar as contas. Além disso, consegui dar entrada no seguro desemprego, então deu para me sustentar”, afirma Elinete. Para aqueles que ainda procuram uma oportunidade de empregabilidade, ela adverte: “Não desistam de procurar. Estão todos se adaptando. Nós conseguimos trabalho, é só acreditar”.

Perfis

O número de trabalhadores assalariados nos setores público e privado passou de 840 mil, em julho, para 863 mil, em junho (aumento de 2,7%). Em 2019, eram 946 mil. A renda média dessa categoria está maior em relação ao ano passado, mas menor na comparação com maio de 2020. Até julho do ano passado, o rendimento médio real para assalariados era de R$ 3.962. Em maio deste ano, passou para R$ 4.137, e, em julho, para R$ 4.083.
Em julho, a Codeplan identificou um aumento de 17,9% no número de trabalhadores sem carteira assinada no setor privado, em relação ao mês anterior. Em junho, eram 67 mil, pulando para 79 mil em julho. Ainda assim, isso representa um decréscimo de 23,3% em relação a julho de 2019, quando essa categoria somava 103 mil profissionais.
Os autônomos também tiveram aumento significativo (8.9%). Até junho, eram 190 mil, passando para 207 mil em julho. Crescimento de 9,6% em relação a igual período de 2019, quando o DF contabilizava 189 mil autônomos. O rendimento desta categoria era de R$ 2.146 em junho de 2019; R$ 1.521 em junho de 2020; e R$ 1.615 em julho de 2020.

Colaborou Ana Maria da Silva, estagiária sob a supervisão de Adson Boaventura