Entrevista

"Podemos ter aumento em diversos tipos de enfermidades", diz secretário interino de Saúde

Em entrevista, Osnei Okumoto afirmou que muitas pessoas que estavam com medo de procurar o serviço de saúde por temor à covid-19 estão começando a ir aos hospitais

Tainá Seixas
postado em 03/09/2020 06:00
 (foto: Tailana Galvao/Esp. CB/D.A Press)
(foto: Tailana Galvao/Esp. CB/D.A Press)

Secretário interino de Saúde do Distrito Federal, Osnei Okumoto avaliou a situação da crise sanitária na capital em entrevista ao CB.Poder, parceria do Correio Braziliense com a TV Brasília, nesta quarta-feira (3/9). Ele destacou o retorno aos hospitais de pacientes com outras enfermidades que deixaram de procurar as unidades com receio de contrair a covid-19, além da capacidade de atendimento da rede, que conta com 1.400 profissionais e 700 leitos exclusivos para tratamento do novo coronavíus.

Como o senhor se sente ao voltar a comandar a secretaria em um momento tão importante quanto este em que o país vive, uma pandemia?
Havendo um convite para essa missão, eu não pude negar por ter conhecimento do funcionamento da secretaria e por estar dentro do Hemocentro, acompanhando de perto a situação da covid-19 no DF e no Brasil. Nós não podemos nos negar a prestar todo o nosso serviço e conhecimento, principalmente neste momento de pandemia, em que a população necessita muito da Secretaria de Saúde. O governador, percebendo essa necessidade de que a secretaria não pudesse parar um dia sequer, me fez o convite, e eu aceitei essa missão.

O DF foi a primeira unidade a tomar medidas mais drásticas (de isolamento). O senhor acha que o governo se precipitou em liberar o comércio?
Não, todas as medidas tomadas foram muito bem estudadas. Nós iniciamos, antecipadamente, os isolamentos, o que nos deu um tempo para que a rede de saúde pudesse se organizar e pudéssemos ter UTIs e profissionais de saúde suficientes para fazer atendimentos. Se isso não acontecesse, essas transmissões aconteceriam antecipadamente, não teríamos tempo para fazer a recomposição necessária para atendimentos de terapias intensivas e poderíamos ter tido muito mais mortes. No HRan (Hospital Regional da Asa Norte), tivemos 7 mil atendimentos de pacientes com a covid-19 e tivemos uma taxa de letalidade de 1,34%, que é muito mais baixa que outros lugares do país.

Em relação às demais doenças, os pacientes estão voltando para os hospitais?
Sim, as pessoas começaram a retornar aos hospitais. Temos indicadores importantes. No início de 2020, tivemos perto de 23 mil pessoas precisando fazer ressonância magnética. Contratamos a rede privada para que pudessemos dar encaminhamento ao tratamento desses pacientes. Hoje, estamos perto de mil exames. Entendemos que muitas pessoas que estavam em processos agudos, naquele momento do início da covid-19, deixaram de procurar os hospitais com receio de adquirir a infecção, e esses pacientes podem ter cronificado.

Então a gente poder ter uma nova epidemia de câncer?
Podemos ter aumento em diversos tipos de enfermidades. Esses cuidados estão sendo observados. Ontem, tive uma reunião com governador e com a equipe toda para organizar a secretaria de saúde e a rede pública de hospitais, unidades básicas de saúde e policlínicas para que a gente possa fazer o atendimento desses pacientes. Uma coisa muito importante que aconteceu neste período foi a necessidade de cuidados psicológicos de pessoas que ficaram em casa, deixaram de trabalhar, deixaram de ter seu salário, e passaram a ter uma dificuldade muito grande no dia-a-dia. E temos unidades muito bem treinadas e estruturadas para dar amparos a todos os pacientes.

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