Entrevista / Edvaldo Lima, coloproctologista e diretor do Hospital São Francisco

Caso de Chadwick Boseman é raro

Jéssica Gotlib
postado em 03/09/2020 22:13
 (foto: Ana Rayssa/CB/D.A Press)
(foto: Ana Rayssa/CB/D.A Press)

Poucos dias após o mundo se surpreender com a morte, aos 43 anos, do ator Chadwick Boseman, astro do filme Pantera Negra, começou, no Brasil, a campanha Setembro Verde — de prevenção ao câncer colorretal. A doença atinge cerca de 40 mil pessoas no país, de acordo com estimativas do Instituto Nacional do Câncer (Inca). O médico Edvaldo Lima, coloproctologista e diretor do Hospital São Francisco do Distrito Federal, conversou com o CB.Saúde — parceria do Correio Braziliense com a TV Brasília — sobre os principais aspectos da enfermidade e frisou que circuntâncias como a do ator norte-americano representam 6% dos casos.


Qual a importância de uma campanha como o Setembro Verde?
A campanha é importante para a conscientização da população, a incidência (do câncer colorretal) é muito grande. Segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca), que faz uma previsão a cada três anos, são acometidos cerca de 40 mil brasileiros por ano. Essa é a importância da campanha. Para que a gente conscientize a população para fazer a prevenção do câncer colorretal — que em sua maioria é evitável.

Existe uma idade em que as pessoas estão mais propensas?
A partir dos 50 anos, chegando aos 70 anos com a maior incidência, mas pode acontecer numa faixa etária menor.

Esse tipo de câncer ganhou visibilidade em razão da morte do ator americano Chadwick Boseman, que faleceu em decorrência do câncer, aos 43 anos. Foi uma exceção?
O caso do ator faz parte de um percentual bem menor. O câncer que é evitável, de forma genética, ultrapassa a margem de 90%. No caso da patologia dele, não se sabe bem o que aconteceu devido à falta de informação, porque o ator não divulgou que sofria da doença. Só na fase terminal do câncer que foi publicizado sobre a patologia. Mas, entende-se, pela idade do astro de cinema, que tinha menos de 60 anos, que poderia ser uma mutação genética ou talvez uma doença inflamatória intestinal não bem tratada. Ou outras causas, desconhece-se. Mas, esse percentual é pequeno, chegando a 6% do total.

Qual a avaliação do senhor sobre a população brasileira em relação ao
câncer colorretal?
A população brasileira precisa de conscientização, por isso a importância da campanha (Setembro Verde). Vai desde hábitos alimentares errados, pobre em fibras, ingestão excessiva de álcool até a falta de atividade física e ingestão exagerada de carne vermelha. Outra orientação é procurar o coloproctologista quando surgem sinais de alerta.

Assista

O CB.Saúde vai ao ar todas as quintas-feiras, às 13h20, na TV Brasília e nas redes sociais do Correio. Você também pode acessar o site para assistir às conversas gravadas anteriormente.



Sintomas mais comuns

» Alteração de hábitos intestinais (diarreia ou prisão de ventre)
» Sangue nas fezes
» Perda abrupta de peso
» Dor abdominal sem causa aparente
» Anemia
» Sensação de fezes incompletas

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