Economia

Mais de 2 mil estabelecimentos do DF participam da Semana Brasil; descontos chegam a 70%

Expectativa é de que a Semana Brasil ajude na retomada do setor afetado pela pandemia. Este ano, o Sindvarejista e a Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) estimam que mais de dois mil estabelecimentos do DF participem da ação. São 10 dias de promoções

Jéssica Eufrásio
Samara Schwingel
postado em 04/09/2020 06:00
 (foto: ED ALVES/CB/D.A Press)
(foto: ED ALVES/CB/D.A Press)

A Semana Brasil começou, nesta quinta-feira (3/9), com a expectativa dos lojistas de reduzirem os prejuízos provocados pela pandemia do novo coronavírus no comércios do Distrito Federal. A campanha nacional vai durar 10 dias e os atraentes descontos nos preços dos produtos podem chegar a 70%. Além das promoções, os lojistas foram orientados a oferecer condições especiais, como pagamento da primeira parcela no ano que vem ou com o 13º salário. O primeiro dia da campanha foi tímido, com poucos clientes, de acordo com os comerciantes — muito devido à data de pagamento dos salários, normalmente a partir do quinto dia útil do mês. Mas, os próximos dias prometem.


Gerente de uma loja de departamento na Asa Norte, Andréa de Jesus, 25 anos, percebeu que a procura por promoções foi pequena nesse primeiro dia. “O movimento ainda é fraco. Todo o comércio sofreu com a queda, e não foi diferente com a gente. Mas, com essa iniciativa, esperamos ver uma melhora”, disse.


Com o mercado em processo tímido de retomada, a expectativa é de que os 10 dias deem fôlego ao comércio local. Mais de 14 mil estabelecimentos brasileiros participaram da primeira edição, em 2019. Para este ano, as estimativas da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL-DF) e do Sindicato do Comércio Varejista (Sindivarejista) são de que mais de 2 mil participem da iniciativa na capital federal.

Representantes das duas entidades não têm dados sobre a distribuição das empresas por ramo de atuação, mas acreditam que a internet terá um papel importante. Vice-presidente do sindicato, Sebastião Abritta acrescentou que o meio virtual tornou-se a principal fonte de compras durante a pandemia. “Esperamos que as vendas presenciais cresçam, mas sabemos que o on-line está forte”, comentou.


“As empresas estão se adaptando às limitações que a pandemia trouxe. O que a CDL-DF tem feito é reforçar ao consumidor que ele compre do comércio local e que valorize as pequenas e médias empresas — as que mais sofrem com a crise”, destacou o presidente da câmara, José Carlos Magalhães Pinto. “Uma das características do consumidor brasileiro é deixar as compras para cima da hora; por isso, acreditamos que as pessoas se motivarão mais até o dia 13”, completou.


Além de se preparar para as compras presenciais, alguns comerciantes têm se adaptado para receber a demanda da internet. Gerente de uma loja de artigos de viagem no Plano Piloto, Carla Lorrane Gomes, 29, apostou nas vendas on-line, mas disse sentir falta do contato com o público. “Atender o cliente na loja física é muito melhor. Mesmo após a reabertura, o movimento está pequeno. Percebemos que muitas pessoas ainda estão com medo de sair de casa”, observou.


A cabeleireira Kelris Meirim, 32, animou-se ao ver os cartazes nas vitrines. “Todo mundo gosta de desconto e de comprar aquilo que precisa por um preço mais baixo”, contou. Ela comentou que pretende aproveitar as promoções nas lojas físicas, mas ficará de olho no orçamento. “Em tempos de pandemia, temos de avaliar melhor os preços antes de comprar. A visita é bem melhor, pois consigo sentir o produto, ver a qualidade, testar e ainda sair com o item, sem ter de ficar esperando entrega”, comparou Kelris.


A enfermeira Rafaela Patrícia Silva, 35, mora na Asa Norte e chegou a visitar uma loja de departamento na manhã de ontem, mas não encontrou muitos produtos em promoção. Ela acredita que os preços baixos são atrativo da campanha e, por isso, pretende aproveitar os 10 dias para procurar ofertas na internet. “É muito bom pela facilidade de conseguir receber em casa. Estou precisando de alguns itens domésticos e, com certeza, vou aproveitar os descontos que encontrar”, contou.

Estoque

Presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Distrito Federal (Fecomércio-DF), Francisco Maia considera que a campanha promoverá um “ligeiro aumento” das vendas e permitirá aos comerciantes tirar itens antigos do estoque, para ter capital de giro e renová-los. “O setor está precisando deslanchar, pois está vendendo metade do que se observou em março. Este pode ser o momento de alavancar um pouco as vendas. Vários setores não tiveram a volta que se esperava. Nossa pretensão é de que, no começo de dezembro, estejamos no patamar de 80% do que se vivia”, estimou Francisco.


A Semana Brasil surgiu no ano passado, como forma de criar um incentivo para o consumo no mês de setembro, que não conta com datas comemorativas de impacto para o comércio. Presidente do Instituto para Desenvolvimento do Varejo (IDV) — responsável pela coordenação da campanha —, Marcelo Silva afirmou que, na edição de 2019, as lojas físicas brasileiras tiveram crescimento de 11% nas vendas, e as transações on-line, de mais de 30%. “Decidimos manter o evento (em 2020), para que ele crie uma amplitude própria. Queremos que seja parte do calendário e que motive os consumidores a retomar, gradativamente, o comércio normal”, comentou Marcelo.


A iniciativa partiu do governo federal, e o nome faz referência às comemorações do Dia da Independência (7 de setembro). Associações vinculadas ao comércio incentivaram desde micro a grandes empresários a aderirem à campanha. Os resultados serão divulgados pelo IDV na semana do dia 13. “Haverá muitas promoções, mas cada empresa faz à sua maneira. Não interferimos nem podemos, fazemos a coordenação. Não é uma Black Friday brasileira. Essa data veio lá de fora e é um evento de um dia. Também não tem caráter político algum, é (uma campanha) absolutamente comercial”, destacou Marcelo Silva.

Finanças domésticas

Doutoranda em finanças e gerente-geral do Ibmec Brasília, a administradora Rina Pereira explicou que a população readequou as formas de consumo devido à preocupação com a perda do emprego e à redução da jornada de trabalho ou dos salários. Muitas famílias precisaram refazer o orçamento mensal, e as compras se restringiram a itens de extrema necessidade. “Também há um outro mundo, o das pessoas que se endividaram, porque ficaram em casa e começaram a comprar. Cada vez mais, o planejamento financeiro é importante: fazer escolha do que é melhor, do que é preciso fazer para se restabelecer, buscar novas rendas”, elencou.


Entre outras dicas, Rina sugere a quem tiver dinheiro guardado pensar bem no que a quantia será investida. “É um item de que se está precisando? Os preços de produtos de informática aumentaram muito por causa do home office. É importante olhar ofertas e analisar se, com esse dinheiro, não é possível fazer uma capacitação, para ter diferencial na hora de voltar ao mercado. O gasto precisa ser muito bem pensado, porque o cenário de retomada da economia ainda é bem preocupante”, ressaltou a especialista.

Dicas

Confira as recomendações do Instituto de Defesa do Consumidor (Procon-DF) para aproveitar campanhas promocionais:

» Planeje-se na hora de ir às compras, evitando agir por impulso e gastar mais do que pode. Com dinheiro em mãos, vale pechinchar descontos maiores em pagamentos à vista. Para não se endividar, a dica é fazer uma lista dos produtos. É preciso tomar cuidado com a tentação da “oportunidade única”, pois o comércio eventualmente faz liquidações de modo cíclico, para queimar estoques antigos.

» É comum que empresas subam o valor do produto na véspera de eventos promocionais para, depois, baixar o preço e simular descontos. Essa publicidade enganosa é proibida, e o consumidor pode consultar sites que exibem o histórico dos preços de itens anunciados na internet. É importante guardar o folheto ou a imagem da tela, com a demonstração do produto, do valor e com a informação do link, nome da loja, data e hora da pesquisa. Dessa forma, o consumidor pode conferir se a oferta foi atendida.

» Na internet, deve-se desconfiar de preços muito abaixo da média, pois podem ser indícios de fraude. Cuidado com ofertas tentadoras enviadas por e-mail, especialmente de lojas desconhecidas. Para certificar que a compra é segura, não se deve usar computadores de acesso público, e é preciso verificar a segurança da página, clicando no cadeado que aparece no canto da barra de endereço ou no rodapé da tela do computador. O endereço da loja virtual deve começar com https://. Além disso, todo site deve exibir o CNPJ da empresa ou o CPF da pessoa responsável, além de informar o endereço físico da loja ou o e-mail, para que possa ser contatada. O conceito da loja pode ser verificado junto a órgãos de defesa do consumidor, na Junta Comercial e em sites de rankings de reputação. O prazo para o cliente se arrepender de uma compra fora do estabelecimento é de sete dias, a contar da assinatura do contrato ou do recebimento do produto ou serviço.

Atenção aos protocolos


Desde que o comércio do Distrito Federal teve autorização para reabrir, em maio, funcionários e clientes tiveram de adotar uma série de medidas de segurança, para evitar a disseminação do novo coronavírus. Entre elas, está a verificação da temperatura na entrada dos estabelecimentos, o uso de máscaras, a disponibilização de álcool em gel, o cuidado com o distanciamento social e com as aglomerações.


Nesta quinta, a reportagem percebeu que algumas lojas de rua têm sido mais rigorosas do que shoppings. Em alguns deles, a verificação da temperatura só ocorre na entrada principal, e poucas lojas disponibilizam o álcool em gel na porta do estabelecimento. Por outro lado, nesses centros de compras, diversos seguranças alertam os consumidores sobre o uso correto das máscaras e o distanciamento social. Nos comércios das quadras, a medição de temperatura e a higienização dos materiais de uso coletivo são mais constantes. Funcionários também costumam conferir se os clientes apresentam estado febril e todos os itens compartilhados são higienizados após o uso.

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