Legislativo

Ex-distrital suspeito de rachadinha

Alexandre de Paula
postado em 16/09/2020 21:59
 (crédito: Breno Fortes/CB/D.A Press)
(crédito: Breno Fortes/CB/D.A Press)

Suspeitas de rachadinha na Câmara Legislativa (CLDF) durante o exercício do mandato do ex-deputado distrital pelo Progressistas Berinaldo Pontes são alvo da Operação Bridge, deflagrada, ontem, pelo Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) e pela Polícia Civil. O parlamentar, que esteve na CLDF entre 2007 e 2008, é investigado também pelos crimes de lavagem de dinheiro, concussão e peculato. O esquema teria movimentado cerca de R$ 500 mil.

Quatro mandados de busca e apreensão foram cumpridos pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco/MPDFT) em conjunto com a coordenação Especial de Combate à Corrupção e ao Crime Organizado (CECOR/PCDF). As investigações apuram a suspeita de que o ex-distrital tenha exigido de servidores comissionados do gabinete dele a devolução de parte dos salários pagos, a prática é conhecida como rachadinha.

Além disso, Berinaldo é investigado por supostamente ter apresentado notas fiscais frias para receber verba indenizatória no período em que foi parlamentar. Depois de deixar o mandato, para ocultar os valores desviados, ele teria registrado bens em nome de familiares.

Caixa de Pandora
Berinaldo foi alvo de investigação da Operação Caixa de Pandora, quando o ex-secretário de relações institucionais do Governo do Distrito Federal (GDF) Durval Barbosa denunciou parte da cúpula do governo do ex-governador José Roberto Arruda por corrupção. À época, ele era suplente do então deputado distrital Rôney Nemer (Progressistas). Ele foi citado entre os parlamentares que teriam recebido propina de um esquema de corrupção e desvio de dinheiro público.

A defesa do ex-deputado Berinaldo Pontes, composta pelos advogados André Gomes e Kaydher Lasmar, afirmou, em nota oficial, que recebeu com estranheza os mandados de busca e apreensão nos endereços vinculados ao ex-parlamentar. “(A defesa) Esclarece que, ao longo de mais de seis anos de operação Caixa de Pandora, nenhuma prova foi produzida em desfavor de Berinaldo, ao passo que o ex-parlamentar foi, inclusive, absolvido na ação de improbidade administrativa que apurou os mesmos fatos na esfera cível. Absolvição confirmada em segunda instância, por unanimidade, pelo Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios”, diz o texto.

O ex-parlamentar acredita ser vítima de perseguição política. “Encerrada a instrução criminal, com o processo aguardando sentença, foi submetido a novo constrangimento provocado pelo Ministério Público do Distrito Federal, sem nenhuma fundamentação plausível, o que entende como imprudente e desnecessário por parte do Poder Público.”

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