Número de mortes segue em alta

Capital federal teve 890 diagnósticos em 24 horas. Total de infectados é de 186.945. Destes, 3.164 morreram, entre eles, o secretário-adjunto da Comissão de Direito Civil da OAB, o advogado Igor Leonardo Peres Ruas, 36 anos

» CIBELE MOREIRA » THAÍS UMBELINO 
postado em 24/09/2020 22:52
 (crédito: Rede Social/Reprodução)
(crédito: Rede Social/Reprodução)

A contaminação pelo novo coronavírus continua a se alastrar pelo Distrito Federal. É o que mostram os números divulgados ontem, pela Secretaria de Saúde. Segundo os dados do último boletim epidemiológico, em 24 horas a capital listou mais 890 novos casos de pessoas infectadas pela covid-19; são 186.945 registros, sendo 175.822 pessoas recuperadas e 7.959 casos ativos.

A taxa de óbitos também segue em crescimento. Apenas ontem, foram registradas 16 mortes pela doença, entre o período de 7 de julho e 24 de setembro. Com isso, o número total de óbitos chegou a 3.164 — 2.904 das vítimas eram moradoras do Distrito Federal e outras 260 residiam em outros estados.A faixa etária com maior número de óbitos é de 80 anos ou mais. Entre as últimas mortes, oito foram de mulheres e oito eram homens. A maioria apresentava comorbidades (com exceção de uma pessoa), sendo cardiopatia a principal doença.

De acordo com a Secretaria de Saúde, mais de 53,9% dos infectados são mulheres (100.720) e 46,1%, homens (86.225).A maioria representa as faixas etárias de 30 a 39 anos e 40 a 49 anos, e possuem entre as principais comorbidades cardiopatias (8.451) e distúrbios metabólicos (5.508). Quanto às regiões administrativas com maior grau de transmissão do vírus, Ceilândia aparece em primeiro lugar (22.839), seguida por Taguatinga (15.355) e pelo Plano Piloto (14.760).

O advogado Igor Leonardo Peres Ruas, 36 anos, está entre as últimas vítimas da covid-19 no DF. Ele era secretário-adjunto da Comissão de Direito Civil da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-DF), Subseção de Taguatinga. Igor faleceu na madrugada de ontem, após 16 dias internado na unidade de terapia intensiva (UTI) do Hospital de Santa Maria. Com insuficiência respiratória e pulmão comprometido, Igor aguardava a transferência para um hospital particular para dar continuidade ao tratamento com o aparelho ECMO (oxigenação por membrana extracorporal). Uma liminar judicial foi concedida na última terça-feira para garantir o atendimento, mas ele faleceu antes de conseguir o aparelho.

Igor Ruas também era membro da Comissão de Direito das Famílias. Em nota, a OAB-DF prestou solidariedade aos familiares e amigos do magistrado. “Um advogado que sempre buscou defender os direitos humanos em ações penais”, ressaltou o comunicado oficial da entidade. Ele deixa esposa e duas filhas (de 3 e 10 anos).

Natural de Belo Horizonte (MG), Igor Ruas veio para Brasília ainda criança, aos 5 anos. Em Taguatinga, ele cresceu e formou família. O amigo e sócio, Renato Teixeira Rangel, 40, conta que a perda é de um irmão. “Conheço o Igor há mais de 20 anos, crescemos juntos. Vai fazer muita falta”, ressalta.

Luta contra o vírus
Renato acompanhou a batalha de Igor contra a covid-19 desde o começo. “A esposa dele contraiu o vírus primeiro. Ele fez a quarentena junto com ela, e no 14º dia da recuperação da mulher, ele começou a sentir sintomas. Foi encaminhado para o Hospital de Ceilândia, onde fizeram os exames, deram a medicação e o liberaram. Mas, o quadro piorou e ele precisou voltar para o hospital”, explica.

De acordo com o amigo, Igor foi intubado e teve o pedido para ser internado na UTI. No entanto, o Hospital de Ceilândia não tinha leitos disponíveis e ele aguardou 48h para ser transferido para o Hospital de Santa Maria. “O quadro dele só piorava. Passou por hemodiálise todos os dias. Teve água no pulmão e, durante a internação, contraiu a superbactéria KPC. Os médicos falaram que uma opção era o tratamento com o aparelho ECMO, mas não há esse equipamento na rede pública. Então, entramos com a ação na Justiça para conseguir a transferência dele para um hospital particular que tivesse o ECMO”, relatou Renato Teixeira.

O corpo de Igor Leonardo Peres Ruas foi cremado, ontem, em Valparaíso (GO). Nas redes sociais, várias mensagens de carinho. “Hoje, a melhor herança do Centro de Ensino Médio 6, de Taguatinga, se foi... Meu amigo e irmão, Igor Leonardo Peres Ruas, não resistiu e faleceu. Uma quinta-feira muito triste para os corações que o amavam”, escreveu um amigo.

 

Setor reage a retorno de feirões

Empresas revendedoras de carros repudiaram a aprovação do projeto de decreto legislativo nº 82/2019, que derruba os efeitos do Decreto nº 31.405/2010 do GDF, que proibia a realização de eventos em áreas públicas para revenda de veículos, os chamados feirões, durante a pandemia causada pelo novo coronavírus.

O projeto, de autoria do deputado Daniel Donizet (PL), foi aprovado ontem, em sessão extraordinária remota da Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF), e permite o retorno dos feirões no Distrito Federal. Segundo o distrital, mesmo com a existência de uma legislação mais recente permitindo os feirões, o decreto de 2010 gerava confusão no setor e atrapalhava a realização das atividades.

A notícia, no entanto, não agradou empresários de concessionárias e nem a Associação das Empresas Revendedoras de Veículos do DF (Agenciauto). “O nosso posicionamento é que essa medida, se prosperar, é o fim da linha para mais de 600 empresas e mais de 1 mil empregos. Essas empresas que organizam os feirões não são do DF. As pessoas que levam os carros para as feiras não garantem a procedência do veículo. Se você compra um automóvel em uma loja, por exemplo, tem a garantia de procedência, diferentemente dos feirões”, contestou o presidente da Agenciauto, José Rodrigues Neto.

Cléber Pires é um dos fundadores da Cidade do Automóvel e trabalha no setor há mais de 40 anos. O empresário é contra a aprovação do projeto. “Nós recebemos essa notícia com muita surpresa. Temos a convicção de que o governador, que entende as nossas dificuldades, vetará esse projeto”, ressaltou.

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