Mistério

DF entra no mapa dos casos de sementes misteriosas vindas da Ásia

Ao menos dois moradores do DF receberam sementes misteriosas da China, fato ainda sem explicação que chegou a 181 casas no país

Alan Rios
postado em 02/10/2020 10:00 / atualizado em 02/10/2020 10:08
Não plantar e não descartar são as recomendações das autoridades para quem receber as sementes -  (crédito: Gabriel Zapella/Cidasc/Divulgação)
Não plantar e não descartar são as recomendações das autoridades para quem receber as sementes - (crédito: Gabriel Zapella/Cidasc/Divulgação)

Os casos registrados de moradores do país que receberam pacotes de sementes misteriosas da China subiram de 36 para 181. Os dados são do último levantamento do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), que colocou o Distrito Federal como uma das 18 unidades da Federação com denúncias sobre o fato.

Pelo menos dois moradores da capital registraram a chegada dessas sementes. As embalagens são pequenas e parecem inofensivas, mas podem causar prejuízos enormes, como alertou o Ministério. “A importação de vegetais sem autorização pode facilitar a entrada de pragas ou doenças que não existem ou estão erradicadas no país, além de causar prejuízos econômicos”, afirmou, em nota. Por isso, plantar ou descartar as sementes no lixo não são atitudes recomendadas.

Os casos da capital foram denunciados à Secretaria de Agricultura. “Duas pessoas comentaram que fizeram compras na internet, em sites chineses, e receberam as sementes junto. Nós orientamos para que elas levassem à Superintendência Federal de Agricultura, vinculada ao Ministério da Agricultura, porque eles estão analisando a situação”, explicou o gerente de Sanidade Vegetal da secretaria, Karlos Edward Rodrigues.

As autoridades do DF ficaram em alerta pela possibilidade de diversos perigos dos produtos. “Essas sementes podem ocasionar danos severos à nossa agricultura. Elas podem incorrer na disseminação de pragas exóticas que não existem na nossa região e nem no território nacional”, pontuou Karlos. Neste momento, o papel da Secretaria de Agricultura é dar apoio ao Ministério e fornecer informações e auxílio aos moradores do DF que receberem as sementes.

“Caso as pessoas que receberam não consigam encaminhar esse material ao Ministério da Agricultura, nós podemos entrar em contato e ajudar na mediação”, explicou. Karlos lembra ainda que esses dois casos na capital são de conhecimento da pasta regional, mas o Ministério pode ter recebido mais denúncias, diretamente.


Fraude digital?

Uma das possíveis explicações para o fato misterioso pode ser uma prática conhecida como “brushing”. Luís Felipe Rabello Taveira, consultor de tecnologia da Syscoin Commerce, explica que a prática é ilegal. “Essa é uma fraude para burlar o ranqueamento de um lojista dentro de uma plataforma de comércio eletrônico, estilo marketplace, como Amazon, Aliexpress, Mercado Livre, dentre outros. O objetivo da fraude é aumentar as avaliações positivas de um vendedor dentro da plataforma”, diz.

“Ela se dá da seguinte maneira: o próprio vendedor realiza compras em sua loja virtual, porém em nome de terceiros. Ele pode fazer isso pagando a alguém ou apenas usando as informações de outra pessoa para fazer um pedido. Como uma remessa geralmente deve ocorrer para que um pedido seja considerado válido pela plataforma de comércio eletrônico, o vendedor normalmente enviará uma caixa vazia ou algum item barato. Após a transportadora confirmar a entrega, o próprio vendedor se auto classifica com uma nota positiva”, detalha Luís.

Essa alta classificação na plataforma faz com que o vendedor alcance níveis de confiança maiores, o que facilita em outras vendas legítimas. “Vale ressaltar que essa prática é proibida pelas plataformas de comércio eletrônico, e configura infração à Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), que passou a vigorar agora em setembro de 2020, uma vez que utiliza dados pessoais de terceiros, como endereço e nome, sem o consentimento do titular”.

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