TEMPO

Novo recorde de calor no DF

Dia mais quente de 2020, até o momento, registrou 36ºC e umidade em nível crítico, abaixo dos 15%, que deixa cidade em alerta

Thais Umbelino
postado em 03/10/2020 23:25
 (crédito: Ed Alves/CB/D.A Press)
(crédito: Ed Alves/CB/D.A Press)

O Distrito Federal registrou novo recorde de calor do ano, ontem. De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), a máxima chegou a 36ºC em Águas Emendadas, em Planaltina, e a umidade relativa do ar caiu a 11%. A previsão é de que as temperaturas aumentem ainda mais nos próximos dias.
“A tendência é de que haja um aumento na temperatura do DF e que as chuvas ocorram apenas no fim da segunda semana do mês, lá para 10 de outubro”, prevê o meteorologista do Inmet Mamedes Luiz Melo. A explicação, segundo ele, é uma onda de calor sobre a região Centro-Oeste. “Trata-se de uma bolha de ar quente”, acrescenta. Outro fator é a ausência de chuvas, que também mantém baixa a umidade relativa do ar e coloca a cidade em estado de alerta, com grande risco de incêndios florestais e à saúde.

Para se proteger dos impactos do tempo seco, a Defesa Civil do DF orienta a constante ingestão de água, evitar a exposição solar nas horas mais quentes do dia, usar hidratante corporal e umidificar o ambiente. Além disso, as atividades físicas não são recomendadas nos períodos de sol forte.

A nutricionista Talyta Machado explica que o consumo constante de água é primordial neste período por causa da regulação da temperatura corporal. “Por isso, é importante a hidratação periódica, ao contrário de uma grande ingestão em um único período”, diz. “Também não se deve ingerir o líquido apenas quando sentir necessidade. Quando você sente a sede é um momento que o seu corpo já esteve trabalhando por muito tempo para tentar utilizar a água que está nele e manter o funcionamento. Indica que chegou um momento em que ele precisa tanto do líquido que libera um aviso para dar aquele estímulo”, acrescenta a especialista.

A orientação é ainda mais importante, pois existem evidências de que o corpo se adapta a longos períodos sem ingestão de água e para de dar sinais de sede. “Como nosso corpo tem uma capacidade de se adaptar aos ambientes, acontece de muita das vezes a gente não conseguir perceber algumas necessidades, como a de beber água”, finaliza Talyta.

Histórico

Apesar do calor, o registro deste sábado não entra para o ranking das maiores temperaturas já aferidas no DF. O dia mais quente dos últimos 10 anos da capital ocorreu em 15 de outubro de 2017, quando a máxima atingiu 37,3ºC, também em Águas Emendadas.

Outra região com recorde de temperaturas é o Gama. Nos últimos três anos, o local chegou a atingir 36º, 7ºC. Moradora do local há 13 anos, Cristiane Ferreira, 45 anos, porém, tem a impressão de que este ano está mais quente do que os anteriores. “Tem sido bem difícil para todos no Distrito Federal e Entorno, principalmente por conta das queimadas na mata e do desmatamento”, relata.

Para amenizar o calor, a técnica em secretariado tem buscado ir a cachoeiras mais próximas de onde mora. “Além de usar roupas leves e beber muita água”, completa. O uso de aparelhos para refrescar a casa também é uma solução. “Apesar de aumentar o gasto com energia elétrica, tenho o costume de ligar o ar-condicionado no período da noite para aliviar o calor. De dia, uso o ventilador”, acrescenta Cristiane.

Ela ressalta, ainda, ser necessário maior conscientização da população com a natureza, principalmente nesse período. “As pessoas precisam plantar mais árvores e parar de destruir o cerrado e as nascentes, pois a água também está secando. Aqui onde moro, a gente utiliza poço artesiano e já aconteceu de secarem dois. Temos medo de ficar sem água”, desabafa. “Acho que todos precisam urgentemente salvar a natureza para a nossa sobrevivência futura.”

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