Violência

Pastor é executado em culto

Francisco Antônio dos Santos Marques, 35 anos, foi baleado diversas vezes enquanto estava de costas, quando ministrava uma celebração religiosa. Suspeito não foi identificado. Vítima respondia por um assassinato cometido em 2016

Thais Umbelino
postado em 05/10/2020 22:41 / atualizado em 05/10/2020 23:06
 (crédito: Thais Umbelino/CB/D.A Press)
(crédito: Thais Umbelino/CB/D.A Press)

Fiéis da igreja Assembleia de Deus Voz do Calvário, na QS 11 do Areal, estão horrorizados com a morte do pastor Francisco Antônio dos Santos Marques, 35 anos, na manhã de domingo, enquanto ministrava um culto. Segundo testemunhas, o religioso foi alvejado quando estava ajoelhado de costas no altar, durante a escola bíblica dominical — culto tradicional que ocorre em todas as igrejas evangélicas na manhã de domingo. Uma mulher que participava do culto teve o pé direito atingido, de raspão, pelo projétil.

“Todos estão muito assustados e abalados com essa situação. Eu mesmo nem dormi à noite, com medo. Estou há mais de 16 anos na igreja evangélica e nunca tinha visto um caso como esse”, conta o pastor Adão Luiz Rodrigues, 37, que mora no andar de cima do prédio da igreja. No momento do crime, ele estava em casa e ouviu o barulho dos tiros. “Peguei ele (Francisco) no colo, toquei no rosto dele, mas já estava agonizando e morreu no local”, lamenta.

Um fiel, que preferiu não se identificar, relatou que um homem entrou no templo e disparou cinco tiros contra a vítima, depois fugiu, a pé. “Ele estava com uma camiseta vermelha, calça jeans e de tênis. Foi tudo muito rápido e não deu tempo de identificar o suspeito”, disse.

A motivação do crime não está clara para a polícia, mas, segundo o delegado-chefe da 21ª Delegacia de Polícia (Taguatinga Sul), Alexandre Gratão, nenhuma linha de investigação será descartada. Em entrevista ao Correio, a esposa do pastor contou que a vítima teria se envolvido em um homicídio na cidade de Parnaíba (PI), em 2016, ano em que se mudaram para Brasília. “Ele não estava foragido. Respondia o crime em liberdade, mas preferiu vir para a capital federal, onde tinha familiares”, explica Luana Marques, 22, que estava casada há 6 anos com a vítima.

Em Brasília, Francisco Antônio dos Santos entrou para a igreja evangélica. “A gente se converteu aqui e fundamos nosso ministério. Ele queria mudar a vida dele”, afirma a esposa. O crime do marido foi descoberto por Luana depois que vieram para o DF. “Ele me contou que cometeu o assassinato para se defender de um homem que se envolveu com a ex-esposa dele e que tentou matá-lo”, relembra Luana. “Mas ele nunca escondeu a história dele. Se estivesse foragido, não iria se expor como fazia, pregando no ministério”, avalia.

Acerto de contas

Segundo a esposa, Francisco esperava por uma consequência devido o assassinato que cometeu. “O pai do rapaz que morreu nunca deixou de procurar pelo meu marido, por isso Francisco tinha convicção que alguém ia atrás dele”, ressalta Luana. “Ele fez da vida uma missão a Deus. Era um homem maravilhoso, respeitador, carinhoso. O sonho dele era dar uma boa condição de vida para a família”, conclui a, também, ministra da igreja. Francisco deixa a esposa e o filho Emanuel Marques, de 2 anos. O velório está marcado para hoje, às 9h, no Cemitério Campo da Esperança de Taguatinga.

O crime de que Francisco é acusado aconteceu em 8 de novembro de 2016. Em 27 de julho deste ano, a juíza da 1ª Vara Criminal da Comarca de Parnaíba Maria Ivani de Vasconcelos proferiu sentença para que Francisco se submetesse a julgamento pelo Tribunal do Júri devido ao homicídio qualificado contra Lucas da Silva Gomes e tentado contra vida da ex-companheira. “Existem indícios suficientes da autoria que, em princípio, estão evidenciados pelas provas oral e documental, e havendo indícios, a pronúncia se impõe. O momento processual adequado para se aferir o valor dos depoimentos, tratando-se de feito da competência do Júri, é o do ajuizamento perante o Tribunal Popular, uma vez não demonstrada, desde logo, a desvalia dos mesmos, de maneira incontroversa, pois se dúvida existe, cabe ao Júri dirimi-la”, determinou a magistrada nos autos. O julgamento não havia sido marcado.

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