Terceirização

Correios terceirizam entrega de encomendas para zerar fila do serviço

Sindicato critica contratação e aponta riscos para a qualidade do serviço

Jéssica Moura
postado em 08/10/2020 11:18 / atualizado em 08/10/2020 12:41
 (crédito: Divulgação/Governo Federal)
(crédito: Divulgação/Governo Federal)

Para conseguir dar vazão às entregas atrasadas após a greve de servidores que durou 35 dias, os Correios contrataram uma empresa terceirizada para realizar o serviço. Os funcionários voltaram ao trabalho há duas semanas e atuam até nos fins de semana para normalizar a fila de entregas. No entanto, ainda há pacotes que demoram para chegar.

De acordo com os Correios, a empresa realiza um "plano de continuidade de negócio". Para tanto, alegou que contratou a empresa por meio do "Portal de Serviços dos Correios" para analisar as melhores propostas. Entre terça-feira (6/10) e o próximo domingo (11/10), os terceirizados vão atuar na distribuição dos pacotes.

Para a presidente do sindicato dos Trabalhadores dos Correios do DF (Sintect-DF), Amanda Corcino, faltou transparência no processo. "Estamos pedindo cópia desse contrato para fazer uma análise e ver se está correto, e ver se há alguma irregularidade. Preocupa você não ter um regramento, esse tipo de contratação abre brechas para gente questionar se houve algum tipo de favorecimento", frisou.

Por meio de nota, os Correios afirmam que a contratação de serviços terceirizados é amparada por legislação e é realizada em situações específicas. "A atuação dessa mão-de-obra em nada interfere na rotina de entrega das encomendas, uma vez que toda a operação é pautada por procedimentos de controle e segurança", diz o comunicado. A estatal também sustenta que "não há razão para que os clientes fiquem preocupados com a segurança de suas encomendas". A empresa ressaltou que lamenta a posição dos sindicato, e chamou de "inverdades" as acusações. Segundo o órgão, 30 mil encomendas foram distribuídas pelos terceirizados e não há registro de extravios até o momento.

Corcino afirmou que notificou a empresa para que preste informações mais precisas sobre a contratação. "A gente viu vários particulares lá, a gente não sabe como foi feito esse capitaneamento dessas pessoas, qual a responsabilidade que essas pessoas vão ter com essas encomendas, a gente tem preocupação de perda e extravio".

Segundo Amanda Corcino, os terceirizados estão concentrados na unidade de distribuição em Taguatinga, onde ainda há encomendas atrasadas. Ela explicou que os servidores estão focados na triagem dos pacotes.

No final de setembro, o Tribunal Superior do Trabalho encerrou a paralisação dos funcionários, que pediam, entre outras pautas, a reposição salarial de 5%. O TST definiu que a empresa deveria reajustar os salários em 2,6%. Os trabalhadores também protestaram contra a proposta de privatização da estatal.

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