DF atento à segunda onda

Secretário de Saúde, Osnei Okumoto, garante que a pasta está preparada para uma nova etapa da pandemia, caso aconteça. Nas últimas 24 horas, foram registrados 790 novos casos da covid-19

CAROLINE CINTRA - CIBELE MOREIRA
postado em 17/10/2020 23:44 / atualizado em 17/10/2020 23:44
 (crédito: Breno Esaki/Agencia Saude - 10/7/20)
(crédito: Breno Esaki/Agencia Saude - 10/7/20)

Após a desativação do Hospital de Campanha do Mané Garrincha, na última semana, e a desmobilização dos leitos de UTI reservados para o tratamento de pacientes com covid-19, o secretário de Saúde, Osnei Okumoto, afirmou que a pasta está preparada para atuar, caso haja, em uma segunda onda da pandemia. Durante o evento que marcou a abertura do Dia D de Vacinação Contra a Poliomielite e Multivacinação, que ocorreu ontem na Administração de Ceilândia, Okumoto relatou que a secretaria tem um plano de reativação de leitos para pacientes infectados pelo novo coronavírus.
“Está tudo planejado e monitorado para que a gente não tenha surpresas”, afirmou ao Correio. “Estamos trabalhando à frente, buscando a conscientização da população, mas também lidando com essa retaguarda dos hospitais, das unidades básicas de saúde (UBSs), das policlínicas, para que a gente possa atender toda a população da melhor maneira possível”, pontuou.
Para ele, o Distrito Federal vive uma realidade diferente do que aconteceu na Europa — que atualmente passa pela segunda onda da doença. “Lá, eles tiveram picos elevados e logo em seguida a queda. Aqui, nós tivemos um pico e depois um platô, que ficou durante um mês com a transmissão. Então, pode ser que o comportamento nosso seja diferente do que está acontecendo na Europa”, afirmou.
O infectologista Hemerson Luz destacou que não tem como comparar a situação do DF com a dos países europeus, tendo em vista que os casos de infecção do novo coronavírus começaram antes lá. Logo, a evolução da doença foi diferente e as medidas de prevenção foram decretadas em momentos distintos. “Eu acredito que possa ocorrer um novo pico no DF, sim, principalmente nas regiões onde têm mais pessoas suscetíveis à doença. Por isso, os estudos epidemiológicos, como um censo, são importantes para saber quantas pessoas foram expostas a doença e quais são as regiões com pessoas mais suscetíveis à ela, para traçar um plano de prevenção”, disse.

Vacina

No evento de ontem, o secretário de Saúde aproveitou para falar sobre algo que os brasilienses anseiam: a vacina contra o coronavírus. Ele informou que o DF está em contato com três indústrias farmacêuticas para a produção do imunizante contra a covid-19. “Elas estão na fase 3, que são as mais prováveis de estarem oferecendo a vacina no primeiro trimestre do ano que vem”. Para Okumoto, o diálogo com as produtoras da vacina está sendo importante para entender como o processo de vacinação ocorrerá. “Mas, respeitando sempre o Ministério da Saúde, que é responsável pela aquisição das vacinas do país”, ressalta. De acordo com o secretário, a ideia é que o Distrito Federal tenha autonomia de produzir a própria vacina, caso haja necessidade. “É importante a gente poder dar essa segurança para a população”, apontou.

Poliomielite

Ontem, foi o Dia D de Vacinação Contra a Poliomielite e Multivacinação para atualização do cartão de vacinação. A campanha está ocorrendo desde o dia 5 de outubro e segue até o final do mês. O objetivo da Secretaria de Saúde é imunizar 160 mil crianças neste ano. “Nós temos uma meta muito importante de atingir, que é de 95%”, ressaltou Okumoto. O público-alvo é crianças menores de cinco anos para a pólio e até 15 anos para a atualização vacinal.
Para a professora Suelen Martins Borba, 31 anos, todas as campanhas de vacinação são importantes. “Não deixamos de vacinar nenhuma vez”, relata Suelen, que levou o filho Caleb Borba Nery, de um ano e seis meses.

Mais de 204 mil casos

A Secretaria de Saúde do Distrito Federal contabilizou mais 790 novos casos do novo coronavírus nas últimas 24 horas na capital federal. A partir dos dados atualizados ontem, a quantidade de infectados chegou a 204.304. Desses, 194.996 estão recuperados da doença — 95,4% das ocorrências.
De acordo com o boletim da pasta, mais 13 mortes foram confirmadas. A mais recente ocorreu ontem, de um homem com mais de 80 anos. A vítima morava em Taguatinga,estava internada no Hospital Regional de Samambaia (HRSam) e apresentava comorbidades. Com os novos registros, o número de óbitos causados pela covid-19 no DF subiu para 3.539. Desses, 282 eram moradores de Goiás e de outros estados, mas estavam em tratamento no Distrito Federal.
Considerando apenas residentes do DF, a maior incidência de casos confirmados está no grupo de 30 a 49 anos. A letalidade da doença está em 1,8% e a taxa de mortalidade é de 106 pessoas para cada 100 mil habitantes. Os homens representam a maioria dos pacientes que não resistiram às complicações da covid-19 e somam 2.065 (58,3%) do total de óbitos.
Ceilândia continua sendo a cidade com o maior número de casos, com 25.281 registros. Em seguida, aparece Taguatinga (16.975), Plano Piloto (16.174) e Samambaia (13.076). As regiões com menos ocorrências são SCIA (69), Fercal (119) e Varjão (291). (C.C.)

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