Uma amiga querida me emprestou um DVD portátil e uma caixa de filmes antigos. Fez a bondade no início do meu confinamento, durante o tratamento da covid-19. Desde então, além dos bons filmes que ela me sugeriu, comecei uma viagem ao passado. Abri minha caixa de afetos com DVDs antigos, reavivei a imensa paixão que tenho pelo cinema e embarquei.
Os filmes sempre foram mais do que inspiração para mim. Eles aguçam o meu desejo de aprender e de viver. Por meio deles, viajo, me apaixono, canto, danço e mergulho no que há de mais profundo, engraçado, curioso e inteligente na natureza humana. Entregar tudo isso por meio de filme é uma arte sublime. Sou uma eterna admiradora dos cineastas, técnicos e artistas que transformam ficção em uma possibilidade de apreensão da realidade. A arte salva.
Fico imaginando os filmes, os livros e as músicas que surgirão com um repertório tão vasto proporcionado pela pandemia. São tantos sentimentos, dores, mortes... E também vida, esperança, renascimentos, dedicação ao próximo, criatividade. A realidade proporciona o melhor da ficção. E a ficção nos ajuda a viver a realidade. Esse movimento simbiótico é capaz de me resgatar da dura realidade e de me lançar nos caminhos das possibilidades. Há muitos, sempre há.
De certa forma, sei também que minha incursão nos filmes é uma redenção. Como jornalista e cidadã, observo novelas da vida real indignas de exibição. A maior delas, nesta temporada, é o enredo de mau gosto que os políticos protagonizam usando a vacina contra a covid-19 como tema principal. Politizar a vacina me cheira a reprise de quinta categoria. Merece o Oscar da canalhice.
Politizar, tripudiar e negar temas complexos e fundamentais para a prevenção de doenças, para a proteção do meio ambiente, para o crescimento sustentável, para o respeito à diversidade, para a luta contra o machismo tornou-se o programa preferido para quem carrega votos nas costas e se esquece de sua missão pública. Enquanto comem pipocas velhas, estão vivendo seu epílogo.
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