230 novos leitos de UTI

Secretaria de Saúde anunciou a abertura de vagas de unidade de tratamento intensivo para pacientes com covid-19. Ação faz parte do plano de mobilização para combater uma eventual segunda onda da doença. Ontem, o DF chegou à marca de 4.248 mortos

» Luana Patriolino
postado em 30/12/2020 23:32
 (crédito: Minervino Júnior/CB/D.A Press)
(crédito: Minervino Júnior/CB/D.A Press)

A Secretaria de Saúde do Distrito Federal garantiu, ontem, a implementação de 230 novos leitos de unidade de terapia intensiva (UTI) para tratamento da covid-19. Nas últimas 24 horas, o DF registrou sete mortes e 676 casos da doença, com as ocorrências, a capital soma 251.135 infectados e 4.248 óbitos; 240.752 (95,9%) pacientes estão recuperados. O anúncio da medida foi feito em coletiva, no Palácio do Buriti. De acordo com a pasta, a iniciativa faz parte do Plano de Mobilização de Leitos Covid-19 para o enfrentamento da segunda onda da pandemia.

A ação ocorrerá em duas etapas (Mobilização e Ativação), e cada uma será dividida por fases. No primeiro estágio, serão disponibilizados 151 leitos, em até duas semanas, distribuídos pelos hospitais regionais de Samambaia, Santa Maria, Asa Norte, Gama, Ceilândia, além do Hospital Universitário de Brasília e os hospitais contratados: Daher, Home e São Francisco.

Para a Ativação, a divisão será em quatro estágios e refere-se à contratação de leitos pelo Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (Iges), sendo previstas 67 vagas de UTI, além de 12 de unidades pediátricas — caso exista a necessidade dessa especialidade. As unidades são: Hospital de Campanha da Ceilândia; Hospital Regional de Samambaia; I do Hospital Daher (contratação por meio de contrato específico para leitos de UTI covid-19); e Hospital de Base.

Média Móvel
Desde o início de dezembro, houve oscilações da média móvel de casos do novo coronavírus com tendência de alta. No entanto, registrou-se queda, nas duas últimas semanas. A média móvel é calculada diariamente a partir da média simples entre o valor registros do dia e dos seis anteriores. O objetivo é facilitar a visualização da tendência de crescimento da doença e das mortes. Ontem, a média de mortes estava em cinco vítimas diárias no DF

A médica infectologista Magali Meirelles ressalta que uma segunda onda de infecções é comum, principalmente, se tratando de um vírus com tantas questões carentes de respostas definitivas em relação a reinfecção e cura. “É possível, sim, em pandemias como a que estamos passando. Herdamos muitos desses conceitos com as epidemias de influenza, mas precisamos lembrar que o Sars-CoV-2 tem suas particularidades em relação ao vírus da gripe”, pondera.

O epidemiologista Márcio Sommer Bittencourt, pesquisador do Centro de Pesquisa Clínica e Epidemiológica da Universidade de São Paulo (USP), aponta que o Brasil não vive, necessariamente, uma segunda onda, uma vez que esse cenário só é possível quando a primeira é contida. “A segunda onda é o que vem depois de uma primeira que se controlou. Esse é um fenômeno comum. A grande parte das pandemias por vírus respiratórios têm uma segunda fase, sim. É mais comum ter do que não ter. São vários os fatores que podem causar isso, mas costumamos ver esses casos com uma certa frequência”, reitera.

Magali Meirelles faz uma comparação com os países europeus. “No Brasil, não tivemos exatamente uma estabilização na transmissão da doença. Portanto, esse aumento de casos que o país vive, atualmente, a rigor, corresponde mais a uma recrudescência da primeira onda do que a uma segunda”, explica. Para os especialistas, enquanto a vacina não vem, as medidas de distanciamento social e higiene devem ser mantidas pela população.

 

Primeira etapa: Mobilização

Serão 151 vagas de UTI abertas em até duas semanas, em sete fases:
20 leitos de UTI do Hospital Regional de Samambaia;
40 leitos de UTI do Hospital Regional de Santa Maria;
20 leitos de UTI do Hospital Regional da Asa Norte;
20 leitos de UTI do Hospital Regional do Gama;
10 leitos de UTI do Hospital Regional de Ceilândia;
18 leitos de UTI do Hospital Universitário de Brasília;
23 leitos de UTI dos Hospitais contratados (Daher, HOME e São Francisco).

 

Segunda etapa: Ativação

É dividida em quatro fases, na qual serão implementados leitos que dependem de contratação pelo Iges.
20 leitos de UTI do Hospital de Campanha da Ceilândia (modificação de leitos de Enfermaria Covid-19 para UTI covid-19, com previsão para o dia 20 de janeiro de 2021);
Sete leitos de UTI do Hospital Regional de Samambaia (ocupação de espaço já construído e equipado para UTI covid-19, com previsão para o dia 20 de janeiro de 2021);
20 leitos de UTI do Hospital Daher (contratação por meio de contrato específico para leitos de UTI covid-19);
20 leitos de UTI do Hospital de Base.

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