Luto

Maria Duarte, 85 anos

» Nahima Maciel
postado em 30/12/2020 23:33 / atualizado em 31/12/2020 13:47
 (crédito: Ed Alves/Esp. CB/D.A Press - 25/10/11)
(crédito: Ed Alves/Esp. CB/D.A Press - 25/10/11)

Mestra, orientadora, educadora. Maria de Souza Duarte foi um farol para uma geração de artistas e profissionais da cultura no Distrito Federal. Assistente social e militante das artes em Brasília, ela morreu ontem, aos 85 anos, após lutar contra um câncer de estômago.

Maria chegou em Brasília na década de 1970 para dirigir o Sesc. Foi à frente desse serviço que ela teve os primeiros contatos com a cena cultural da cidade. Coordenando o Teatro Garagem e atividades como oficinas de teatro e música, ela ajudou a formar dezenas de artistas. “Era uma mulher exigente, cobrava de seus funcionários, da gente, com muita competência, com muita coragem, exigia que cumpríssemos as metas. Ela nos organizava”, conta o diretor Humberto Pedrancini, que trabalhou com a assistente social nos anos 1970.

A educadora era uma defensora dos direitos LBGTQI+. Ator e diretor, Alexandre Ribondi ressalta que o grupo Beijo Livre, que lutava pelos direitos e pela dignidade dos homossexuais durante a ditadura, encontrou apoio do Sesc. “Maria Duarte é a cara de Brasília. Se Brasília é o que é hoje, é por causa de mulheres como ela”, define.

Entre 1995 e 1996, a educadora foi secretária de Cultura na gestão do ex-governador Cristovam Buarque (então no PT). Em nota enviada ao Correio Braziliense, o ex-governador Rodrigo Rollemberg lamentou a morte da assistente social. “Maria Duarte era uma pessoa diferenciada. Sabia do valor da cultura e da educação como instrumentos de transformação de vidas. Uma pessoa de valores e de valor. Já sinto saudades!”, disse.

Nos últimos anos, Maria estava empenhada em tocar um projeto que unia turismo e educação. “Ela tinha uma fazenda que transformou em um projeto de educação e turismo com as escolas: as escolas marcavam o dia e as crianças iam conhecer a vegetação, os animais, a culinária, todo mundo rural. Era para crianças de escolas públicas e privadas”, conta Fátima de Deus.

Colaborou Devana Babu

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