ANO-NOVO

Esperança sempre! Quase 40 mil bebês nasceram em Brasília durante a pandemia

Entre março e dezembro de 2020, 39,9 mil nascimentos foram registrados no Distrito Federal. A chegada dos bebês trouxe alegria aos lares, mas também aumentou a preocupação com a crise sanitária. Pais contam como enfrentaram este momento

Samara Schwingel
postado em 01/01/2021 00:00 / atualizado em 01/01/2021 08:07
O casal Juliana e Thiago, com a filha Maria, delebraram a chegada de Joaquim -  (crédito: Carlos Vieira/CB/D.A. Press)
O casal Juliana e Thiago, com a filha Maria, delebraram a chegada de Joaquim - (crédito: Carlos Vieira/CB/D.A. Press)

Mesmo em meio ao caos gerado pela pandemia da covid-19, houve espaço para alegrias e esperança. Entre março e 26 de dezembro de 2020, mais de 39,9 mil nascimentos foram registrados apenas no Distrito Federal, segundo o Portal de Transparência do Registro Civil. Tornar-se responsável por uma criança em momento tão adverso pode parecer desafiador, mas é também um presente. Brasilienses que passaram por esta experiência contam como se sentiram e o que fazem para garantir o desenvolvimento pleno dos filhos nos primeiros meses de vida deles.

Os professores Juliana Menezes, 31 anos, e Thiago Bahe, 32, tornaram-se pais de Joaquim Bahe logo no início da crise sanitária no DF, em 17 de março. O casal já tinha Maria Bahe, 2 anos, e planejou a chegada do filho mais novo. Porém, com a pandemia, os planos tiveram que sofrer alterações. “Sempre quisemos ter dois filhos, mas nunca imaginamos que passaríamos por uma crise mundial como esta. Minha família, que sempre foi unida, passou meses sem visitar o Joaquim, pois não sabíamos como a covid-19 agia em crianças tão novas”, conta Juliana.

Moradores da Asa Sul, os dois explicam que adaptaram a rotina dos filhos para que eles não sintam a tensão do isolamento social e da pandemia. “No início, ficamos em casa, sem sair, por, pelo menos, quatro meses. Agora, vou ao parquinho com eles e procuro passear em locais abertos aos fins de semana, como no Eixão. Tudo para que eles desenvolvam habilidades sociais e não tenham medo de sair de casa”, diz Juliana. Apesar das várias preocupações, ela agradece pela vida dos filhos. “Estamos todos bem e não há alegria maior que a de ter um filho”, completa.

A família de Luanna Batista, 38, e Diógenes Vilas Boas, 42, também recebeu um bebê durante a pandemia. A servidora pública e o bombeiro militar contam que a chegada de Pedro Vilas Boas, em novembro, não foi planejada, mas trouxe muita alegria à casa, em Ceilândia, junto aos irmãos Valentina, 4, e Estevão, 2. “Sempre quis ter uma família grande. Há alguns anos, cheguei a perder meu primeiro filho, pois ele nasceu com um problema cardíaco. Hoje, meus filhos são a maior alegria que Deus me deu”, diz Luanna.

A servidora pública conta que passou por dificuldades durante a gestação. “Quando estava com cerca de cinco meses de gravidez, meu marido testou positivo para covid-19. Tivemos que ficar longe dele, mesmo em casa. Foi um momento difícil, assim como o ano de forma geral”, conta. Porém, para ela, o nascimento de Pedro deixou tudo mais leve. “Ser mãe é sempre uma alegria e o Pedro foi o meu presente deste ano. Foi uma notícia boa em meio à tanta tragédia”, considera.

Brasil. Brasilia - DF. Cidades. Nascimentos durante a pandemia. Luanna Batista e o marido Diogenes Vilas Boas tiveram o filho Pedro ha 45 dias. Eles já eram pais de Valentina e Estevão.
Brasil. Brasilia - DF. Cidades. Nascimentos durante a pandemia. Luanna Batista e o marido Diogenes Vilas Boas tiveram o filho Pedro ha 45 dias. Eles já eram pais de Valentina e Estevão. (foto: Ana Rayssa/CB/D.A. Press)

Desenvolvimento

Nos três primeiros anos de vida, os bebês desenvolvem habilidades importantes. Para auxiliar neste período, é necessário que os pais estejam presentes e atentos, ainda mais quando todos passam por um momento adverso. De acordo com a psicóloga infantil Géssika Alínne Silva, a família precisa auxiliar as crianças durante esta etapa, principalmente, enquanto permanecerem em isolamento social. “Quando o filho não pode interagir com outras crianças, é preciso que os pais tomem o lugar de interação e brincadeiras, para que ele possa desenvolver o refinamento social e cognitivo”, explica (veja Prepare-se).

Para a professora Marcela Ferro, 34, e o chef Victor André da Silva, 34, o ideal seria matricular o primeiro filho, Henrique Mendes, de 6 meses, em uma creche. Porém, com a pandemia, os planos da família mudaram. “Planejei minha gravidez por quatro anos e, como sou professora, queria que meu filho tivesse contato com outras crianças e até com a família. Infelizmente, a pandemia atrasou esses planos”, diz. Marcela conta que passeia com o bebê pelo condomínio onde moram, no Jardim Botânico, e procura entreter o pequeno. “Apesar disso, ele ainda não teve contato com outras crianças, pois tenho medo dessa doença (covid-19)”, afirma a professora.

Mesmo após enfrentar uma gravidez de risco, passar por diversas complicações no pós-parto e ainda em meio à pandemia, Marcela garante que 2020 foi o melhor ano da vida dela. “Mesmo com tantas adversidades, meu tão esperado filho nasceu e está com saúde, assim como eu e meu marido. Foi um ano difícil para todo mundo, mas eu posso dizer que foi o melhor ano da minha vida e devo isso, principalmente, ao Henrique”, reforça.

O futuro

A paternidade e a maternidade são fases repletas de desafios em um cenário normal. Em uma crise sanitária, as preocupações são redobradas. Para a enfermeira Kamila Militão, 30, foi assim. Em março, assim que os primeiros casos da covid-19 foram registrados no DF, ela e o marido, o professor Jonatas Sousa, 35, foram surpreendidos por uma gravidez inesperada. “Estamos casados há apenas um ano e não era algo que estava nos planos, principalmente, durante a pandemia”, conta a enfermeira. Quando souberam da gravidez, a preocupação com uma possível infecção pelo novo coronavírus aumentou. “Não sabemos como o vírus se comporta em gestantes, então nos isolamos totalmente”, completa.

Em 17 de dezembro, Manuela Militão nasceu. “Não mudou muita coisa. Desde o hospital até hoje não recebi visitas, pois tenho medo do que pode acontecer se o vírus chegar até nós”, diz Kamila. A moradora de Águas Claras confessa que não sabe como será o primeiro ano de vida da filha. “Além dela ser muito nova, o futuro ainda é incerto. A ideia é esperar a vacina, mas não sei quando isso vai acontecer. Por enquanto, vamos levando dessa forma: isolados e tomando todos os cuidados para evitar a contaminação pelo vírus”, afirma.

Rayanne de Melo Santos, 26, e Maurício Tavares Carneiro, 35, também foram surpreendidos com uma gravidez não-planejada, porém, antes do início da pandemia. Heitor de Melo nasceu em julho, em meio à crise sanitária, e trouxe muita alegria ao casal, mas também preocupações. A pandemia fez com que Heitor não conhecesse os familiares. “O avô paterno dele, por exemplo, só o conheceu por meio de vídeo, antes de morrer por complicações da própria covid-19”, explica Rayanne. Apesar das adversidades, a publicitária e o dentista tentam ajudar o filho a se desenvolver e, ao mesmo tempo, pensam no futuro. “Acredito que a vacina chegará logo, mas também me seguro bastante na minha fé”, conclui Rayanne.

Prepare-se

Saiba como auxiliar o desenvolvimento da criança durante a quarentena

Investir em brincadeiras de movimento como pique-esconde, vivo-morto e o mestre mandou ou danças, a fim de estimular a movimentação da criança. Sempre lembrando de respeitar o tempo e sono dela

É importante que os pais nomeiem as emoções para os filhos. Se a criança chora, o pai precisa verbalizar e ensinar. Por isso, é necessário que perguntem: está com fome? Sono? A partir daí, dar as respostas para os desconfortos (dar comida e levar para dormir, por exemplo). Assim, as crianças aprenderão a reconhecer o que sentem

Estar presente e disponível para a criança também é importante para ajudar na criação de vínculos

Fonte: Géssika Alínne Silva, psicóloga infantil

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