Entrevista

Escolas se adaptaram ao novo normal

Ana Elisa Dumont, presidente do Sindicato de Estabelecimentos Particulares de Ensino do DF

» JÉSSICA CARDOSO*
postado em 05/01/2021 22:02
 (crédito: Ed Alves/CB/D.A Press)
(crédito: Ed Alves/CB/D.A Press)

O primeiro mês do ano chega ainda com incertezas em relação à evolução da pandemia, mas, a presidente do Sindicato de Estabelecimentos Particulares de Ensino do DF (Sinepe-DF), Ana Elisa Dumont, garante que as escolas estão prontas para esses desafios. “As escolas adotaram aulas remotas para atender a necessidade, sempre preocupadas com a aprendizagem dos alunos”, disse, em entrevista ao CB.Poder — parceria do Correio com a TV Brasília. Confira os principais trechos da entrevista.

Como as escolas estão se preparando para este ano letivo?
Elas já vêm se preparando desde o início da pandemia, quando nós fomos pegos de surpresa, lá em março, e as escolas foram fechadas. Desde então, elas adotaram aulas remotas para atender a necessidade, sempre preocupadas com a aprendizagem dos alunos. Atenderam a todos os protocolos de segurança determinados pelo decreto do governador Ibaneis Rocha e pela decisão do Judiciário. Com isso, encontram-se preparadas para esse novo desafio que será 2021, com seus calendários já determinados para trazer aos estudantes a segurança e a possibilidade de aprender sempre mais.

Como será o calendário das escolas particulares?
As escolas particulares têm essa prerrogativa e liberdade de determinar os seus calendários. Geralmente, elas têm um calendário parecido, exceto as escolas internacionais. No entanto, com a pandemia, as escolas tiveram que se reorganizar e se adaptar a esse novo normal, então os calendários divergem bastante.

Que balanço vocês fazem do ano de 2020 em termos de conteúdo?
As escolas se concentraram muito na aprendizagem dos alunos. Foi uma adaptação para os professores, que eu digo que foram guerreiros nesse processo, e os demais colaboradores particulares, porque é algo muito novo para todos. Os estudantes tiveram que se adaptar a essa nova forma de aula. As escolas tiveram que fazer como uma startup: testes de certo e errado, mas acredito que, em um balanço geral, foi um ano satisfatório para os alunos. Não foi um ano perdido, até porque, de acordo com estudos e com pesquisadores, quando você consegue manter, para crianças, adolescentes e estudantes, uma rotina de estudo, você não tem uma defasagem na aprendizagem.

Todas as escolas particulares terão o ensino híbrido?
Assim como para os pais foi dada a prerrogativa de optar pelo ensino remoto ou presencial, as escolas também têm essa opção, de acordo com o decreto vigente e com a decisão judicial proferida. A escola tem que verificar, com a sua comunidade, o que a atende. No momento, a maioria das escolas, as filiadas por quem respondo e vejo que as demais também, tem oferecido à comunidade, aos pais, o ensino híbrido: tanto o remoto quanto o presencial. O que se pretende é continuar dessa forma até para que as famílias sintam-se seguras nesse momento de sai vacina, não sai vacina, e a gente fica nessa indecisão.

Houve escola que precisou fechar?
Temos, sim, casos de escolas que fecharam e casos de escolas que tiveram que demitir seus funcionários porque teve uma evasão de alunos. Eu digo que, entre março e agosto, teve uma evasão maior, que foi quando as aulas estavam somente remotas, o que ocasionou o endividamento de algumas instituições e o aumento de inadimplência. Com isso, as escolas tiveram que se adaptar a esse novo normal. Às vezes as famílias falam: “Mas tem que dar desconto porque vocês tiverem redução no custo de água e de luz”. A água e luz dentro de um orçamento de uma escola representa 3%. O que fica por trás, nos bastidores, é que a escola não é só professores. Ela tem outros colaboradores que estão ali por trás, seja no pedagógico, seja no administrativo e nos serviços gerais dessas empresas.

Uma preocupação constante dessa faixa etária é com o vestibular e o Enem. Como será feita a preparação para esses alunos?
As escolas particulares já têm trabalhado nesse sentido, tanto para ensino médio, quanto com os menores, de oferecer dentro das suas plataformas possibilidades deles continuarem estudando. Uma questão curiosa é que os estudantes de ensino médio se adaptaram muito bem a essa forma. Na verdade, eles já são muito tecnológicos, muito ligados a redes sociais e a dispositivos eletrônicos, então eu diria que, para eles, não foi um momento tão difícil de adaptação. Isso está sendo feito pelas escolas.

Sobre a evasão escolar, observaram aumento?
Enquanto as aulas estiveram só remotas, nós vimos um número considerável de 20% de evasão nas crianças de educação infantil e de fundamental anos iniciais. Com o retorno das escolas particulares presencialmente, nós notamos um movimento dos pais de voltarem para a escola, porque a necessidade deles era o ensino presencial. Entretanto, o que ficou, e eu percebo que a sociedade ainda não tem essa noção, é que, a partir dos 4 anos, a escola é obrigatória, de acordo com a Constituição, com o Estatuto da Criança e outros ditames legais, porque a escola tem um papel essencial na vida dessa criança.

* Estagiária sob supervisão de Mariana Niederauer

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