HISTÓRIAS

Mães contam a experiência de esperar pelo parto normal

Mães relatam experiências de parto e especialistas reforçam a importância do respeito pelo tempo do nascimento do bebê. Campanha alerta sobre os riscos de agendamentos de cesáreas desnecessárias

Ana Maria da Silva
postado em 08/01/2021 06:00
 (crédito: Ed Alves/CB/D.A Press)
(crédito: Ed Alves/CB/D.A Press)

Cada parto é um ato único. Independentemente das circunstâncias, é primordial que gestantes e profissionais de saúde respeitem o tempo do bebê, recomendam especialistas. Para alertar em relação aos riscos do agendamento de cesarianas desnecessárias, a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) lançou a campanha “#BoaHora: respeite o tempo de nascimento do bebê!”, que foi disseminada com o intuito de atingir pacientes e médicos da área.

A ginecologista, obstetra e especialista em reprodução humana certificada pela Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida (SBRA) Manoela Porto explica que no meio e no fim do ano são os períodos com maior marcação de procedimentos antecipados. “A campanha serve para alertar em relação aos riscos de agendamentos de cesáreas desnecessárias e encorajar as pacientes a esperarem o início do trabalho de parto, certificando-se de que o bebê está bem”, ressalta Manoela. “Segundo a ANS, a maioria das cesáreas foi realizada com fetos entre 37 e 38 semanas, e a maioria dos partos ocorreu antes das mulheres iniciarem as contrações. Já os partos normais acontecem entre 40 e 41 semanas, quando os pulmões do bebê estão desenvolvidos e as mães iniciam o trabalho de parto espontâneo”, explica a obstetra.

De acordo com Manoela, a cesárea sem indicação clínica acarreta em alguns riscos. “Para gestantes, pode contribuir para hemorragias e dificuldades de adaptação na amamentação. Para os bebês, mais frequentemente, eles são comprometidos pela prematuridade e, quando não estão totalmente adaptados, à hipoglicemia, icterícia e dificuldade de manter a temperatura corporal”, garante.

A ginecologista destaca as vantagens do parto normal e pondera sobre a cesária. “Para a mãe, garante menor tempo de recuperação, menos risco de infecção e facilita o início da amamentação. Para o bebê, haverá maior facilidade para respirar, maior atividade ao nascer e maior receptividade ao toque. O parto cesárea deve ser realizado somente quando ele proporcionar um resultado para a mãe ou bebê melhor do que o parto vaginal”, ressalta a especialista.

Apesar dos pontos positivos, a obstetra adverte que ainda pode haver riscos no parto natural. “O parto vaginal deve ser bem conduzido e monitorado, pois se não forem detectadas as anormalidades da sua evolução, também pode acarretar riscos de sofrimento para a mãe e seu bebê”, reforça a médica. De acordo com a especialista, é comum que as mães que aguardam a chegada de seus bebês tenham anseios e questionamentos. “Independentemente de cesárea ou vaginal, o parto será adequado se tudo estiver bem com mãe e bebê. Um dos passos mais importantes para conseguir um parto sem problemas, é fazer as consultas de pré-natal, pois com a ajuda do médico, será possível decidir a melhor forma de nascimento”, garante.

Chegada esperada

Nas últimas semanas da gravidez, as futuras mães estão mergulhadas em um mar de emoções: medo, ansiedade, expectativa, alegria. E, principalmente, cansaço. Mas a alegria pela espera do bebê vem acima de qualquer outro sentimento. Foi o caso da analista de finanças Thalyta Cedro Alves de Jesus, 32 anos, mãe de Levi, de 45 dias. “Foi um parto extremamente rápido. Não imaginávamos que em três horas, já teríamos o nosso pequeno em mãos. Superou nossas expectativas, esperava muito mais dor e tempo”, diz.

Thalyta diz que o desejo sempre foi pelo parto normal. Nós nos organizamos e nos planejamos para isso, com todo o acompanhamento médico e fisioterapia pélvica. Temos as experiências da minha mãe e da minha irmã, que foram muito boas, e também queríamos vivenciar isso”, diz. A mãe explica que um dos motivos da escolha foi a rápida recuperação do corpo após o parto. “Em casa, tem somente eu e meu marido. Com a recuperação mais rápida, conseguimos lidar melhor com o pós-parto e com nosso bebê em casa. Foi a melhor alternativa para nós”, acredita.

Para a analista de finanças, o importante sempre foi a espera pela chegada de Levi. “Sabemos que é chegado o momento dele quando, acredito eu, já está completamente satisfeito com o que tinha para ser oferecido a ele no meu ventre. Depois de conseguir tudo o que precisava de mim, dentro da minha barriga, e quando já está formado, significa que está pronto para vir ao mundo e ser recebido com todo o amor”, defende. “No momento em que comecei a sentir as contrações, já nos despedimos da barriga e ficamos em seu aguardo”, lembra Thalyta.

Tempo interrompido

As complicações da gravidez podem afetar qualquer mulher, e as chances do bebê nascer antes da hora aumentam nesses casos. Foi o que aconteceu com a empresária Jussara Sabino de Oliveira, 33 anos, mãe dos gêmeos Lucas e Davi, 2 anos e 5 meses, e do caçula Pedro, 11 meses. Ela conta que nos dois partos precisou fazer cesárea de emergência, uma vez que descobriram complicações em seu quadro de saúde. “Desde o início eu já sabia que faria uma cesárea, porque foi uma opção minha, sempre quis fazer. Mas a minha médica nunca foi a favor de marcar o parto, ela dizia que precisava ver os sinais vitais da criança antes de agendar”, lembra.

Com a experiência do parto prematuro de Lucas e Davi, Jussara ressalta a importância da espera e do respeito com o tempo do bebê. “Tive experiências diferentes com os meninos. Primeiramente, tive filhos prematuros, mas depois que o Pedro nasceu, vi a importância de retardar o máximo possível o nascimento do bebê. Pude enxergar a diferença entre os meninos, no desenvolvimento e na saúde. Foram quatro semanas de diferença para o parto. Enquanto os gêmeos nasceram com 34 semanas, Pedro nasceu com 38. É muito tempo”.

“Como mães, temos de priorizar a vida dos bebês. É muito importante esperar o tempo deles. Quanto mais ficar no forninho do ventre, melhor”, acredita Jussara. A dica dela para as mamães de plantão é que confiem nas orientações médicas. “Fiquem na espera e sigam conforme o tempo do bebê. Não programem nada. Quando houver sinal de que ele deseja vir ao mundo, a médica fará o parto”, aconselha.

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