OBITUÁRIO

Luiz de Mendonça, 79 anos, morre em decorrência de complicações cardíacas

Superintendente do Arquivo Público do DF por quatro anos, o jornalista sergipano recebeu título de cidadão honorário de Brasília, em 2010, por melhorias promovidas na instituição. Ele deixa a companheira, dois filhos e 10 netos

Ana Mansur Dias
postado em 14/01/2021 22:31 / atualizado em 15/01/2021 01:58
 (crédito: Arquivo pessoal)
(crédito: Arquivo pessoal)

Luiz Ribeiro de Mendonça, jornalista, advogado, pintor e ex-superintendente do Arquivo Público do Distrito Federal, faleceu na madrugada de ontem, aos 79 anos. Ele sofreu um infarto, foi submetido a um cateterismo, mas não resistiu e morreu no Hospital do Coração do Brasil.

Nascido em Aracaju (SE), Luiz Ribeiro foi, ainda criança, para o Rio de Janeiro, onde formou-se advogado. Veio para Brasília em 1979 e construiu, na capital federal, carreira como jornalista e assessor de imprensa. Foi coordenador de comunicação social do então Ministério do Interior, por determinação do ministro à época, Mário Andreazza. Em fevereiro de 2007, a convite do secretário de Estado de Cultura do Distrito Federal, o amigo Silvestre Gorgulho, passou a ser o superintendente do Arquivo Público do DF, cargo que ocupou até janeiro de 2011.

Recebeu, em dezembro de 2010, título de cidadão honorário de Brasília pela Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF), de iniciativa do então presidente da Casa, deputado Wilson Lima. A proposta de homenagem surgiu por conta dos avanços e melhorias no Arquivo Público do DF durante os anos em que o comandou.

Destaca-se, entre os feitos na instituição, a abertura do Arquivo a grupos de estudantes de escolas públicas e privadas, em visitas guiadas três ou mais vezes por semana. Ele também promoveu a informatização da instituição, o que possibilitou a digitalização de praticamente todo o acervo histórico existente. A atualização dos formatos permitiu a produção de painéis contendo a história de Brasília, levados pelo jornalista a exposições em instituições de ensino, shoppings, aeroporto, rodoviária, clubes de serviço, igrejas, entre outros locais.

História do DF

O jornalista também desenvolveu um portal dinâmico para o Arquivo Público, contendo todas as informações dos livros, folhetos, cartões-postais e mídias audiovisuais, e solicitou ao GDF a criação do Museu Nacional da Imagem e do Som, com o intuito de gravar para a posteridade depoimentos com a história da cidade. Em 2011, Luiz Ribeiro produziu um calendário histórico com mulheres pioneiras de Brasília, que reuniu 40 personalidades, entre professoras, enfermeiras, jornalistas, cronistas, musicistas, engenheiras, agricultoras, cartógrafas, empresárias, merendeiras, cabeleireiras, comerciantes, escritoras e parteiras.

Luiz Ribeiro implementou a constante busca por documentos históricos para integrar o acervo do Arquivo Público do DF, por meio do recolhimento de todos os decretos de governadores, de 34,1 mil plantas arquitetônicas de prédios-monumentos de Brasília e documentos do censo escolar. O superintendente deu início à recuperação gradual de filmes históricos da construção de Brasília em adiantado estado de degradação.

A despedida a Luiz Ribeiro será no crematório Jardim Metropolitano, em Valparaíso de Goiás, hoje, entre 10h30 e 11h30. O jornalista deixa Vania, sua companheira de 40 anos, dois filhos, João Bosco e Vanja, e 10 netos.

“Pode haver homem tão íntegro quanto meu pai, mas nenhum mais do que ele. Pode haver homem tão feliz quanto meu pai, mas nenhum mais do que ele. Alguém pode amar tanto quanto meu pai amou, mas ninguém mais do que ele”, homenageia o filho mais velho, João Bosco.

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